Vivo fecha contrato para conectar 12 mil hidrômetros por NB-IoT em Pomerode até 2027

Vivo conectará 12 mil hidrômetros por NB-IoT em Pomerode até 2027, digitalizando a gestão de água e reduzindo perdas. Saiba o impacto para empresas de saneamento.

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Vivo fecha contrato para conectar 12 mil hidrômetros por NB-IoT em Pomerode até 2027

Projeto entre Vivo e Pomerwasser prevê substituir hidrômetros convencionais por dispositivos inteligentes conectados por NB-IoT, com gestão remota e integração de dados. A iniciativa mira eficiência operacional, redução de perdas e atende a exigências do Marco Legal do Saneamento.

por Atlas Upnetix Review Team · 23 de setembro, 2026 · 10 min de leitura
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O mercado de saneamento básico sempre sustentou a crença de que a leitura manual de hidrômetros era um custo inevitável e que a digitalização era um luxo restrito a grandes capitais. O anúncio de que a Vivo conectará cerca de 12 mil hidrômetros por NB-IoT em Pomerode, Santa Catarina, até fevereiro de 2027, desafia diretamente essa visão. O projeto, firmado com a Pomerwasser Ambiental, coloca uma cidade de 35 mil habitantes no centro de uma transformação digital que, até pouco tempo atrás, era vista como distante da realidade de municípios de menor porte.

Técnicos instalando hidrômetros inteligentes NB-IoT em residências de Pomerode com a sede da Pomerwasser ao fundo
Técnicos da Pomerwasser Ambiental instalando os 12 mil hidrômetros inteligentes conectados via NB-IoT em Pomerode, projeto que será concluído até fevereiro de 2027.

O contrato, com duração inicial de dez anos, prevê a substituição gradual dos hidrômetros convencionais por dispositivos inteligentes capazes de transmitir dados de consumo de água em tempo real, segundo detalham Tele.Síntese, Teletime, IPNews e Convergência Digital. A iniciativa não só elimina a necessidade de leitura manual, como também integra os dados coletados a uma plataforma centralizada, permitindo gestão remota, detecção de falhas e resposta a eventos críticos. Para empresas e gestores públicos, o movimento sinaliza que a digitalização do saneamento não é mais uma aposta futura, mas uma exigência operacional e regulatória do presente.

Projeto de Pomerode: escopo, tecnologia e cronograma

O acordo entre Vivo e Pomerwasser Ambiental, responsável pelo abastecimento de água e esgotamento sanitário em Pomerode desde 2023, estabelece a troca de 12 mil hidrômetros convencionais por equipamentos inteligentes conectados via NB-IoT (Narrowband Internet of Things). Conforme apuração do Tele.Síntese, a implantação será gradual, com previsão de conclusão até fevereiro de 2027. O contrato foi estruturado para acompanhar a evolução tecnológica durante os dez anos de vigência, permitindo integração com sistemas já utilizados pela concessionária.

A tecnologia NB-IoT, segundo consenso das quatro publicações, é desenhada para conectar dispositivos de Internet das Coisas que transmitem pequenos volumes de dados e exigem baixo consumo de energia, ideal para aplicações distribuídas em campo. No caso de Pomerode, os dados de consumo de água serão enviados automaticamente para uma plataforma digital desenvolvida pela Vivo. Essa plataforma permite não apenas o recebimento dos dados, mas também a comunicação bidirecional: comandos e atualizações podem ser enviados remotamente aos dispositivos, reduzindo a necessidade de deslocamentos para manutenção.

Além da coleta automatizada dos dados de consumo, a solução permite monitorar falhas, alarmes e níveis de bateria dos hidrômetros. A integração com sistemas operacionais e de faturamento da Pomerwasser será feita por meio de APIs, facilitando a incorporação dos dados de telemetria aos processos já existentes.

Eficiência, redução de perdas e pressão regulatória

O objetivo central do projeto, segundo todas as fontes, é ampliar a eficiência operacional e a confiabilidade das informações para a concessionária. A coleta contínua de dados permite identificar rapidamente variações de consumo, vazamentos, fraudes e outras ocorrências na rede, apoiando ações preventivas e corretivas. Isso representa uma mudança significativa em relação ao modelo tradicional, que depende de visitas periódicas para leitura manual e, muitas vezes, só detecta problemas após prejuízos acumulados.

De acordo com o diretor-presidente da Pomerwasser, Luiz Rossi, citado por Tele.Síntese, IPNews e Teletime, “o saneamento vive um momento de transformação impulsionado por tecnologia e dados. Este projeto amplia nossa eficiência operacional, melhora a confiabilidade das informações e fortalece nossa capacidade de gestão”. A digitalização é também uma resposta direta às metas do Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020), que exige a universalização dos serviços até 2033. Para empresas do setor, a pressão por resultados mensuráveis em redução de perdas e aumento de eficiência tornou-se um imperativo legal e competitivo.

Close-up realista de hidrômetro inteligente NB-IoT instalado em residência mostrando tecnologia de transmissão de dados
Hidrômetro inteligente com tecnologia NB-IoT que permite a transmissão automática e remota dos dados de consumo de água em Pomerode.

O uso de NB-IoT, segundo análise do Convergência Digital, também contribui para práticas avançadas de sustentabilidade e governança, ao viabilizar um uso mais racional dos recursos hídricos e apoiar decisões baseadas em dados. A expectativa, de acordo com a Vivo, é que o modelo de Pomerode possa ser replicado em municípios de diferentes portes, ampliando o alcance da digitalização no saneamento brasileiro.

Automação, integração e desafios operacionais

O consenso entre as fontes é que a automação da leitura e o monitoramento remoto representam ganhos claros em eficiência, previsibilidade e escala. Conforme detalha o IPNews, a plataforma digital desenvolvida pela Vivo permite não só acompanhar os equipamentos em campo, mas também realizar atualizações e comandos sem a necessidade de intervenção presencial. Isso reduz custos operacionais, otimiza a alocação de equipes e minimiza o tempo de resposta a incidentes.

Outro ponto destacado é a integração dos dados de telemetria aos sistemas de gestão e faturamento da concessionária. Segundo Tele.Síntese, essa integração é feita por meio de APIs, permitindo que as informações coletadas sejam usadas não apenas para operação, mas também para planejamento estratégico, controle de perdas e ações de manutenção preditiva. A digitalização dos hidrômetros, portanto, não se limita à coleta de dados, mas transforma a forma como as empresas de saneamento gerenciam sua infraestrutura e tomam decisões.

No entanto, a transição para esse modelo não é isenta de desafios. A implantação gradual, prevista até 2027, exige coordenação entre fornecedores, concessionária e equipes técnicas, além de investimentos em treinamento e adaptação dos processos internos. O próprio contrato foi desenhado para permitir evolução tecnológica ao longo da década, reconhecendo que novas demandas e oportunidades podem surgir à medida que a digitalização avança.

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Contra-argumentos: limites da replicabilidade e desafios de infraestrutura

Apesar do otimismo das empresas envolvidas, há pontos de atenção que merecem análise crítica. O IPNews chama atenção para estudos que apontam uma possível perda de relevância da rede NB-IoT em cenários de conectividade mais exigentes, especialmente quando comparada a outras tecnologias de IoT emergentes. Embora NB-IoT seja adequada para aplicações de baixo tráfego e longa duração de bateria, sua capacidade de suportar grandes volumes de dispositivos e dados pode ser limitada em projetos de escala ainda maior ou em ambientes urbanos densos.

Além disso, a replicação do modelo de Pomerode em outros municípios depende de fatores como disponibilidade de cobertura NB-IoT, maturidade dos sistemas de gestão das concessionárias e capacidade de investimento. O próprio histórico da Vivo, que já implementou projetos semelhantes em São Paulo e São José dos Campos, sugere que a viabilidade técnica e econômica pode variar significativamente conforme o contexto local. A promessa de replicação nacional, destacada por Convergência Digital e Teletime, precisa ser avaliada caso a caso, considerando desafios de infraestrutura, regulação e capacitação.

Outro ponto pouco explorado nas fontes é o impacto da digitalização sobre a mão de obra local. A automação da leitura elimina postos de trabalho tradicionais, exigindo requalificação e adaptação dos profissionais para funções de maior valor agregado, como análise de dados e manutenção avançada. Essa transição pode encontrar resistência e demanda uma gestão cuidadosa de mudanças.

Diagrama integrado do fluxo de dados entre hidrômetros NB-IoT, plataforma Vivo e sistemas da Pomerwasser
Fluxo de dados e integração tecnológica entre os hidrômetros conectados, plataforma da Vivo e sistemas da Pomerwasser para gestão remota e faturamento.

O que ainda não se sabe: riscos, custos e escalabilidade

Embora as fontes detalhem o escopo técnico e os benefícios esperados do projeto, há lacunas importantes no debate público sobre riscos e custos. Nenhuma das publicações analisadas informa o valor do contrato ou o custo unitário da substituição dos hidrômetros, o que dificulta a avaliação do retorno sobre o investimento para concessionárias de diferentes portes.

Também não há informações detalhadas sobre a segurança dos dados transmitidos pelos dispositivos, um ponto crítico em projetos de IoT que envolvem infraestrutura essencial. A comunicação bidirecional e a integração com sistemas operacionais ampliam a superfície de ataque para ameaças cibernéticas, exigindo medidas robustas de proteção que não foram explicitadas pelas empresas ou pelas reportagens.

Por fim, não está claro como a plataforma da Vivo será atualizada ao longo dos dez anos de contrato para incorporar novas tecnologias, padrões de conectividade ou integrações com sistemas de terceiros. O compromisso de evolução tecnológica é citado, mas os mecanismos concretos para garantir essa atualização permanecem indefinidos nas fontes públicas.

Implicações para empresas e gestores: lições para além do saneamento

Para gestores públicos e empresas do setor de infraestrutura, o caso de Pomerode oferece lições valiosas sobre os caminhos e obstáculos da digitalização operacional. A substituição dos hidrômetros convencionais por dispositivos NB-IoT demonstra que a automação e a gestão remota já são viáveis fora dos grandes centros, desde que haja planejamento, integração de sistemas e parceria com provedores de conectividade robustos.

No entanto, o projeto revela que a digitalização não é um movimento trivial: exige investimentos de longo prazo, capacidade de adaptação tecnológica e uma visão clara sobre os ganhos de eficiência, redução de perdas e atendimento a exigências regulatórias. Empresas que subestimarem a complexidade da integração de dados, da segurança cibernética e da gestão de mudanças podem enfrentar custos ocultos e riscos operacionais relevantes.

O contexto de Manaus e do Polo Industrial da Amazônia reforça a importância de avaliar cuidadosamente a infraestrutura disponível para projetos de IoT e telemetria. Cobertura de rede, latência, disponibilidade de suporte técnico local e integração com sistemas legados são fatores que podem determinar o sucesso ou o fracasso de iniciativas semelhantes. Para quem opera em regiões com desafios logísticos e de conectividade, a escolha do parceiro tecnológico e do modelo de contrato é tão estratégica quanto a própria decisão de digitalizar.

Diretor-presidente da Pomerwasser, Luiz Rossi, analisando plataforma digital de hidrômetros inteligentes
Luiz Rossi, diretor-presidente da Pomerwasser, destaca a transformação do saneamento em Pomerode impulsionada pela tecnologia e dados.

A digitalização dos hidrômetros em Pomerode marca um divisor de águas para o setor de saneamento, mostrando que eficiência, automação e gestão baseada em dados já são realidade em municípios de médio porte. O avanço do NB-IoT e da telemetria inteligente impõe novos padrões de operação e exige que empresas e gestores públicos repensem sua infraestrutura, processos e estratégias de integração de dados. Em um cenário de pressão regulatória e competição crescente, a capacidade de conectar, monitorar e agir em tempo real pode ser o diferencial entre atender às metas do Marco Legal do Saneamento ou ficar para trás.

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