Negócio Digital · análise
Vibra eleva produtividade em 55% ao integrar IA e capacitação: o que muda para empresas e gestores
A Vibra, gigante do setor de energia, aumentou em 55% a produtividade e economizou quase 38 mil horas anuais ao adotar IA em processos corporativos. A experiência revela desafios e aprendizados para organizações que buscam eficiência e inovação sem comprometer segurança e governança.

A adoção de inteligência artificial (IA) em operações corporativas deixou de ser promessa distante para se tornar fator determinante de competitividade. Um dos exemplos mais concretos desse movimento vem da Vibra, uma das maiores empresas do setor de energia do Brasil, que conseguiu elevar em 55% a produtividade em atividades priorizadas e economizar quase 38 mil horas de trabalho por ano ao integrar IA em seus processos de negócio. Os dados são de uma única publicação do portal TI Inside, que detalha a experiência da companhia com as soluções Microsoft e revela aprendizados relevantes para organizações que buscam inovar sem perder de vista a segurança e a governança.

Resultados práticos: produtividade e economia de tempo
Segundo o TI Inside, a Vibra implementou o Microsoft 365 Copilot, ferramenta de IA generativa integrada ao pacote de produtividade da Microsoft, e registrou aumento de 55% na produtividade em tarefas selecionadas. Além disso, houve redução de 23% nas horas dedicadas a atividades manuais, o que representa uma economia anual de 37.920 horas. Esses ganhos foram alcançados ao automatizar processos como consolidação de informações, elaboração de sínteses e preparação de decisões, sempre com validação humana.
A Vibra atende mais de 10 mil clientes corporativos em mais de 30 mil pontos de consumo e cerca de 7.500 postos, cenário que exige agilidade, precisão e continuidade operacional. A decisão de expandir o uso de IA para além das equipes técnicas, alcançando áreas diversas da empresa, foi central para o impacto observado. O uso do Microsoft Copilot Studio para criar agentes de IA e do Power Automate para automatizar fluxos de trabalho complementou a estratégia, permitindo ganhos em diferentes frentes.
É importante ressaltar que os resultados divulgados vêm de uma única fonte, o que limita a comparação direta com outras experiências do mercado. Ainda assim, os números ilustram o potencial de transformação quando tecnologia, capacitação e liderança se alinham em torno de objetivos claros.
Capacitação e liderança: fatores críticos para adoção de IA
O sucesso da Vibra não se deve apenas à escolha de ferramentas tecnológicas. Segundo o TI Inside, a companhia estruturou a chamada Academia de IA, iniciativa em parceria com a Beyondsoft, para capacitar lideranças, equipes técnicas e profissionais de negócio. O programa envolveu sessões de imersão, mentorias e identificação de aplicações práticas, alcançando cerca de 1.300 participantes e mapeando mais de 550 casos de uso.
O envolvimento das lideranças foi apontado como fator decisivo para superar o ceticismo inicial e estimular a adoção da IA. Rafael Ribeiro Tonassi, especialista em Automação Inteligente da Vibra, destacou: “O que realmente quebrou o ceticismo inicial foi a liderança usando IA na frente de todo mundo. Quando um vice-presidente diz que usa o Copilot todos os dias, isso muda tudo”.

Esse movimento resultou em 76% de uso semanal do Microsoft 365 Copilot entre os usuários licenciados e na incorporação de 38 casos de IA a processos centrais do negócio. A experiência sugere que a transformação digital não é apenas técnica, mas cultural, exigindo engajamento e exemplo das lideranças para criar um ambiente favorável à inovação.
Governança, dados e segurança: desafios na expansão da IA
Outro ponto enfatizado pela experiência da Vibra é a necessidade de uma base estruturada de dados e de mecanismos robustos de governança e segurança. Samuel de Souza Ridan, gerente de produtos sênior da Vibra, afirmou: “Sem dados, a IA não é nada. É essa base estruturante que vai permitir atingir eficiência, resiliência e as metas da companhia”.
A companhia, como cliente Microsoft Unified, contou com suporte e governança para sustentar a expansão das soluções de IA, o que permitiu avançar sem comprometer requisitos críticos de continuidade e segurança operacional. O relato publicado pelo TI Inside não detalha incidentes ou desafios específicos enfrentados, mas aponta a importância de alinhar a adoção de IA a políticas de dados e controles de acesso, especialmente em setores regulados como energia.
Para organizações que operam em ambientes complexos, o caso da Vibra serve de alerta: a aceleração digital exige não só investimento em tecnologia, mas também atenção redobrada à gestão de riscos, conformidade e proteção de informações sensíveis.
Implicações para empresas: eficiência, cultura e infraestrutura
A experiência da Vibra, embora baseada em dados de uma única fonte, oferece pistas valiosas para empresas de diferentes setores que buscam aumentar eficiência e modernizar processos. O aumento de produtividade e a economia de tempo demonstram que, quando bem planejada, a adoção de IA pode liberar equipes de tarefas repetitivas, permitindo maior foco em análise e tomada de decisão.

No entanto, o caso também evidencia que a transformação depende de fatores como capacitação contínua, liderança ativa e uma cultura aberta à experimentação. Empresas que pretendem seguir esse caminho precisam investir não apenas em ferramentas, mas em programas de formação e em estratégias para engajar todos os níveis da organização.
Outro aspecto fundamental é garantir uma infraestrutura de dados sólida e segura, capaz de sustentar o crescimento de aplicações de IA sem expor a empresa a riscos desnecessários. Em setores críticos, como energia, a resiliência operacional e a governança de dados são requisitos inegociáveis para garantir que os ganhos de eficiência não venham acompanhados de vulnerabilidades.
Contexto regional: desafios e oportunidades para o Polo Industrial de Manaus
Para empresas do Polo Industrial de Manaus e de outros polos industriais do país, a experiência da Vibra ressalta a urgência de investir em conectividade robusta e infraestrutura de dados. O ambiente competitivo, aliado à necessidade de atender grandes volumes de clientes e pontos de consumo, exige operações cada vez mais ágeis e integradas.
Na região Norte, onde desafios logísticos e de infraestrutura são conhecidos, a adoção de IA pode representar um diferencial competitivo, mas depende de acesso confiável à internet, suporte técnico local e soluções que garantam disponibilidade e segurança. A experiência da Vibra mostra que ganhos de produtividade e eficiência são possíveis, mas requerem planejamento, investimento em capacitação e atenção à realidade operacional de cada empresa.
Empresas que buscam replicar resultados semelhantes precisam avaliar a maturidade dos próprios processos, a qualidade de sua infraestrutura e o grau de preparo das equipes para lidar com tecnologias emergentes. O contexto amazônico, com suas particularidades, torna ainda mais relevante a escolha de parceiros tecnológicos que compreendam as demandas regionais.
O próximo passo: infraestrutura e cultura como base para a IA corporativa

O caso da Vibra ilustra que ganhos expressivos de produtividade e economia de tempo são viáveis quando IA, capacitação e liderança caminham juntos, mas também evidencia que a transformação digital depende de uma base sólida de dados, governança e infraestrutura confiável. Para empresas do Polo Industrial de Manaus e de todo o país, a lição é clara: sem conectividade estável, suporte local e cultura de inovação, os avanços em IA podem ficar restritos a pilotos isolados, sem impacto real na operação. O desafio agora é transformar experiências pontuais em resultados sustentáveis, alinhando tecnologia, pessoas e processos para atender às novas exigências do mercado.
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