# Setor de telecomunicações pressiona por revisão de preços e regras para reorganização de 13 milhões de postes

> Setor de telecom cobra preço justo e plano para reorganizar 13 milhões de postes, destacando impacto do PL 3220/2019 para empresas B2B.

Publicado em 06/11/2026 · Atualizado em 06/11/2026 · Engenharia Local em Manaus
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O avanço do Projeto de Lei 3220/2019 na Câmara dos Deputados trouxe à tona um dos temas mais sensíveis para o setor de telecomunicações: o custo e a governança do compartilhamento de postes com as distribuidoras de energia. A crença de que a infraestrutura de postes é um problema resolvido foi frontalmente desafiada pelo debate recente, que expôs tanto a dimensão do desafio, com 13 milhões de postes classificados como críticos para reordenamento, segundo levantamento da Anatel citado pela Conexis Brasil Digital, quanto a complexidade de interesses e custos envolvidos.

![Postes urbanos sobrecarregados com diversos cabos de energia e telecomunicações em uma cidade brasileira](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/11/post47342-img1-intro.webp)

Conjunto de 13 milhões de postes críticos para reordenamento, evidenciando a complexidade da infraestrutura urbana para telecomunicações e energia.

## O impasse dos preços: entre a referência e a realidade

Para operadoras e entidades do setor, o nó central está na definição do preço do compartilhamento. A ausência de um modelo definitivo mantém, segundo Kátia Pedroso da Associação NEO, uma disparidade significativa entre valores cobrados pelas distribuidoras, dificultando o planejamento das empresas de telecomunicações. Os relatos de preços variando de R$ 12 a R$ 15 por ponto de fixação, chegando a R$ 38 em alguns casos, ilustram o impacto direto nos custos operacionais e na competitividade do setor.

A proposta de referência apresentada por Luiz Henrique, presidente da TelComp, sugere um valor de R$ 5,86 por ponto, com adaptação dos contratos em até 90 dias após eventual aprovação definitiva do PL. Segundo ele, manter contratos com preços distintos por longos períodos pode criar distorções concorrenciais, favorecendo uns players em detrimento de outros. É consenso entre as entidades setoriais que a definição de preços orientados a custos é fundamental para garantir previsibilidade e isonomia.

## Reorganização dos postes: escala, irregularidade e riscos

O desafio, no entanto, vai além do preço. De acordo com números apresentados por Jeferson Nacif, representante da Conexis, existem hoje cerca de 13 milhões de postes considerados prioritários para reordenamento. A Anatel aponta ainda a existência de 3.428 prestadoras, 4.525 contratos de compartilhamento e uma arrecadação mensal de R$ 283 milhões pelas distribuidoras de energia com a ocupação dos postes.

O problema da irregularidade é outro ponto crítico. Estimativas atribuídas à Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) indicam que entre 60% e 70% das ocupações seriam irregulares, o que amplia o risco de acidentes, dificulta a fiscalização e onera o processo de reorganização. A proposta de envolver prefeituras e autoridades locais para identificar instalações clandestinas, defendida pela TelComp, busca dividir responsabilidades e acelerar a regularização.

![Reunião corporativa entre representantes dos setores de telecomunicações e energia discutindo custos e contratos](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/11/post47342-img2-meio-1.webp)

Debate sobre a disparidade dos preços de compartilhamento dos postes, com valores variando de R$ 12 a R$ 38 por ponto de fixação, impactando a competitividade do setor.

## Regulação em disputa: custos reais e modelo de gestão

Do lado das distribuidoras de energia e das agências reguladoras, o debate se concentra na composição dos custos e na viabilidade de um preço médio nacional. Agnes Costa, representante da Aneel, argumenta que os custos das distribuidoras variam conforme as áreas de concessão, tornando questionável a adoção de um valor único. Ela destaca que a metodologia em discussão considera componentes de investimento, operação, manutenção e fiscalização, e que a regulamentação precisa permitir a identificação dos ocupantes e oferecer instrumentos para a retirada de instalações irregulares.

Outro ponto de divergência é o financiamento do reordenamento. Para a Aneel, a remuneração pelo compartilhamento já atende à prestação do serviço, e destinar essa receita para custear a reorganização exige avaliação específica. O setor de telecom, por sua vez, defende que a coordenação das intervenções é essencial para evitar que cada prestadora realize isoladamente o trabalho de reorganização, o que poderia gerar sobreposição de esforços e custos desnecessários.

## Transição e incertezas: o que está em jogo para empresas

A discussão sobre prazos de transição e adaptação dos contratos é outro ponto de tensão. Kátia Pedroso, da Associação NEO, questiona a duração prevista no projeto, enquanto Luiz Henrique, da TelComp, defende uma adaptação rápida para evitar distorções no mercado. O setor teme que indefinições prolongadas prejudiquem o planejamento e a expansão da conectividade, especialmente em regiões que dependem de infraestrutura compartilhada para viabilizar novos projetos.

Há consenso entre as entidades de telecomunicações de que a aprovação do PL 3220/2019 não encerra a discussão. O projeto ainda precisa de nova análise no Senado, e a revisão da regulamentação conjunta por Anatel e Aneel segue em curso. O que permanece incerto é como será feita a transição entre os modelos atuais e o novo regime, e quem arcará com os custos da reorganização dos postes, especialmente diante do volume de ocupações irregulares e da necessidade de coordenação entre múltiplos atores.

## O contra-argumento das distribuidoras e o desafio da execução

![Diagrama realista mostrando ocupações regulares e irregulares em poste, com envolvimento de prefeituras e autoridades locais](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/11/post47342-img3-meio-2.webp)

Até 70% das ocupações nos postes são irregulares, o que aumenta riscos e dificulta a fiscalização e reorganização. As distribuidoras de energia, representadas pela Abradee e pela Aneel, sustentam que a variação de custos regionais e a complexidade operacional impedem a adoção de um preço único nacional. Argumentam que a remuneração atual já contempla os custos do serviço e que o uso dessa receita para financiar a reorganização dos postes pode não ser suficiente ou adequado em todos os casos. Além disso, defendem que a gestão dos postes deve ser acompanhada por indicadores de desempenho e mecanismos de responsabilização para garantir a efetividade das ações de regularização.

O setor de telecom, por outro lado, insiste que a falta de padronização nos preços e na gestão dos postes é um entrave para a expansão da conectividade e para a competição saudável no mercado. Para as empresas, a definição de regras claras e a coordenação das intervenções são condições indispensáveis para que o reordenamento não interrompa a oferta de serviços e não gere custos adicionais inesperados.

## Implicações para empresas: custo, risco e decisões de infraestrutura

Para empresas que dependem de conectividade robusta, especialmente no segmento B2B, a indefinição sobre preços e regras de compartilhamento de postes representa um risco operacional e financeiro relevante. O impacto potencial vai desde o aumento de custos de implantação e manutenção de redes até a possibilidade de interrupções ou atrasos em projetos estratégicos, especialmente em regiões como Manaus, onde a infraestrutura de postes é fundamental para a expansão da banda larga empresarial e de soluções de conectividade crítica.

Além disso, a elevada taxa de irregularidade nas ocupações e a falta de coordenação entre os diferentes agentes aumentam o risco de incidentes, multas e até mesmo de remoção de redes essenciais para a operação de empresas e órgãos públicos. A ausência de uma definição clara sobre quem arca com os custos da reorganização pode gerar disputas judiciais e incerteza sobre o retorno dos investimentos em infraestrutura.

Na prática, as decisões de expansão, migração de tecnologia ou contratação de novos serviços de conectividade passam a depender não apenas de fatores técnicos e comerciais, mas também da evolução do marco regulatório e da capacidade de adaptação das empresas às novas regras. Para organizações que operam em setores críticos ou que não podem tolerar interrupções, acompanhar de perto o desdobramento do PL 3220/2019 e as discussões entre Anatel, Aneel e os setores envolvidos é uma necessidade estratégica.

![Dashboard corporativo mostrando dados sobre prestadoras, contratos e arrecadação mensal no setor de postes e telecomunicações](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/11/post47342-img4-fechamento.webp)

Dados oficiais destacam 3.428 prestadoras, 4.525 contratos vigentes e arrecadação mensal de R$ 283 milhões pelas distribuidoras de energia com ocupação dos postes. O debate sobre o compartilhamento de postes evidencia que a infraestrutura física segue sendo um gargalo para a digitalização e a competitividade das empresas brasileiras. Em um cenário de incerteza regulatória e disputa por custos, a escolha de parceiros com capacidade técnica, presença local e compromisso contratual com a disponibilidade e a regularidade do serviço torna-se um diferencial decisivo para quem não pode correr riscos na conectividade.

Fonte: https://atlas.upnetix.com.br/setor-de-telecomunicacoes-pressiona-por-revisao-de-precos-e/ · ATLAS, portal editorial da Upnetix (Manaus, Brasil) · uso com citação obrigatória.
