SafePay ransomware atinge mais de 600 organizações de infraestrutura crítica desde 2024, segundo agências de segurança

SafePay ransomware comprometeu mais de 600 organizações críticas desde 2024, explorando VPNs e backups. Saiba o que muda para empresas e gestores de TI.

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SafePay ransomware atinge mais de 600 organizações de infraestrutura crítica desde 2024, segundo agências de segurança

Relatórios de órgãos como CISA, FBI e parceiros europeus apontam que o grupo SafePay já comprometeu centenas de empresas e serviços essenciais em quatro continentes, explorando falhas em VPNs, backups e credenciais expostas. O cenário expõe vulnerabilidades negligenciadas por gestores e pressiona por revisão urgente de práticas de acesso e proteção de dados.

por Atlas Upnetix Review Team · 21 de outubro, 2026 · 8 min de leitura
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O ataque massivo do grupo de ransomware SafePay a mais de 600 organizações de infraestrutura crítica desde agosto de 2024 expõe uma crença confortável e perigosa no setor corporativo: a de que controles tradicionais de acesso remoto e backups são suficientes para barrar ameaças sofisticadas. A realidade, segundo múltiplos relatórios de agências de segurança dos Estados Unidos e Europa, é que empresas de todos os portes e setores continuam subestimando riscos em pontos-chave da operação, especialmente em VPNs, sistemas de backup e políticas de credenciais.

Profissionais de segurança cibernética analisando alertas de ransomware em uma sala de operações moderna.
Sala de operações de segurança em empresa brasileira monitorando ataques de ransomware, cenário realista que ilustra o contexto do ataque SafePay a mais de 600 organizações de infraestrutura crítica.

SafePay: escala global e métodos de invasão

O consenso entre as fontes, incluindo a Agência de Segurança de Cibersegurança e Infraestrutura dos EUA (CISA), o FBI, o Serviço Secreto americano, órgãos policiais da Alemanha e Reino Unido, além de cobertura da Reuters, é que o SafePay tornou-se um dos grupos de ransomware mais ativos do mundo em 2026. Desde sua aparição em agosto de 2024, o coletivo já comprometeu pelo menos 600 organizações de infraestrutura crítica, atingindo vítimas na América do Norte, América do Sul, Europa e Austrália.

O modo de operação do SafePay, detalhado em relatório conjunto das agências, envolve múltiplas etapas: obtenção de acesso inicial por meio de credenciais expostas, ataques de força bruta a senhas, exploração de vulnerabilidades em VPNs e dispositivos de borda, além do uso de perfis de contas obtidas por phishing. Uma particularidade destacada por CISA e parceiros europeus é o uso de endereços IP associados ao provedor Mullvad VPN durante as invasões. As fontes ressaltam, no entanto, que a menção ao serviço se refere ao uso de sua infraestrutura por criminosos, e não a qualquer comprometimento ou envolvimento direto do Mullvad.

Exploração de falhas conhecidas e abuso de ferramentas legítimas

Segundo o portal Cybersecurity News, o SafePay explora ativamente vulnerabilidades já catalogadas em sistemas expostos à internet. Entre as falhas citadas, estão CVE-2020-3259 e CVE-2023-20269, que afetam dispositivos de borda, e CVE-2024-40711, relacionada ao Veeam Backup & Replication, permitindo execução remota de código sem autenticação. A combinação entre acesso remoto comprometido e brechas em backup já havia sido observada em ataques de outros grupos, mas o SafePay potencializou essa estratégia ao resetar dispositivos de backup para configurações de fábrica, dificultando a recuperação dos dados.

Após o acesso, os operadores do SafePay utilizam ferramentas administrativas comuns, como PsExec, Windows Remote Management e Remote Desktop Protocol, para movimentação lateral e execução de comandos. O uso dessas ferramentas, essenciais para a rotina de TI, complica a detecção, já que sua presença isolada não é, por si só, indicativo de ataque. O grupo também emprega utilitários populares para exfiltração de dados, como 7-Zip, WinRAR, RClone, WinSCP e FileZilla, além de serviços de armazenamento em nuvem como OneDrive e Backblaze, agravando o risco de vazamento de informações sensíveis.

Diagrama ilustrando as etapas do ataque SafePay contra infraestrutura crítica, com vulnerabilidades e técnicas de invasão.
Diagrama didático detalhando as etapas e métodos usados pelo grupo SafePay, incluindo exploração de credenciais, vulnerabilidades em VPN e uso de infraestrutura Mullvad VPN.

Dupla extorsão e impacto operacional

O SafePay adota a tática de dupla extorsão: antes de criptografar os sistemas, rouba documentos confidenciais e ameaça publicar os dados caso o resgate não seja pago. Segundo a CISA, apenas vítimas que recusam o pagamento têm seus nomes divulgados no site de vazamentos do grupo, o que indica que o número real de empresas afetadas pode ser ainda maior do que o reportado. O impacto para as organizações vai além da indisponibilidade dos sistemas: há pressão psicológica e reputacional, agravada por contatos diretos do grupo com as vítimas, inclusive via telefone, conforme relatado por Reuters e veículos europeus.

Outro ponto crítico é a destruição deliberada de mecanismos de recuperação: o SafePay apaga cópias de sombra (shadow copies) e reconfigura dispositivos de armazenamento conectados à rede, tornando a restauração dos dados um desafio adicional. O processo de criptografia utiliza os algoritmos ChaCha20 e RSA, podendo afetar arquivos inteiros ou apenas partes, dependendo do tipo e tamanho do arquivo.

Respostas recomendadas e limites das defesas atuais

O alerta conjunto das agências de segurança enfatiza que pagar o resgate não garante a recuperação dos arquivos, uma constatação reforçada tanto por CISA quanto por Cybersecurity News. As recomendações incluem a aplicação imediata de patches em sistemas expostos, adoção de autenticação multifator (MFA), restrição de privilégios administrativos e isolamento de backups em ambientes offline ou protegidos contra alterações e exclusão. Testes regulares de restauração são apontados como essenciais para garantir a efetividade dos planos de contingência.

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Há consenso sobre a necessidade de revisar o uso de ferramentas de administração remota e monitorar atentamente a criação de contas, alterações de permissões e transferências de dados incomuns. O relatório da CISA destaca que, uma vez obtidas credenciais válidas, apenas 37% das ações maliciosas são efetivamente bloqueadas pelas defesas tradicionais, um dado extraído do Blue Report 2026. Isso evidencia que a prevenção baseada apenas em perímetro e credenciais é insuficiente diante de adversários que abusam de ferramentas legítimas e exploram falhas conhecidas, muitas vezes negligenciadas em rotinas de atualização.

O que está em disputa: riscos subestimados e debate sobre resiliência

Servidores e dispositivos de backup em data center corporativo, representando a vulnerabilidade explorada pelo ransomware SafePay.
Data center corporativo com equipamentos de backup, ilustrando a exploração das vulnerabilidades CVE-2024-40711 no Veeam Backup & Replication por parte dos atacantes SafePay.

Se, por um lado, há ampla concordância sobre o modus operandi e a escala dos ataques, o debate sobre a real eficácia das respostas corporativas permanece aberto. Enquanto as agências recomendam não pagar resgates e reforçar práticas de segurança, parte do setor privado argumenta que a pressão para retomar operações pode levar empresas a considerar o pagamento como último recurso, sobretudo quando backups e planos de recuperação falham. Não há, porém, relatos públicos de casos em que o pagamento tenha garantido integralmente a devolução dos dados, pelo contrário, as fontes oficiais alertam para o risco de novos ataques e para a possibilidade de não recuperação mesmo após o pagamento.

Outra incerteza relevante é o número real de vítimas: como apenas as empresas que se recusam a pagar têm seus nomes expostos, não há visibilidade completa sobre a extensão do impacto. A ausência de informações detalhadas sobre setores e países mais afetados dificulta a análise de tendências regionais, embora haja menção recorrente a ataques em serviços essenciais, como energia, saúde e transporte.

Implicações para empresas e gestores de TI: o que muda na prática

Para organizações brasileiras, em especial aquelas inseridas em polos industriais como Manaus, o caso SafePay serve de alerta sobre a urgência de revisar políticas de acesso remoto, segmentação de redes e proteção de backups. A dependência de VPNs e ferramentas de administração remota sem controles adicionais expõe empresas a riscos que vão além do simples comprometimento de sistemas: a perda de dados sensíveis e a interrupção prolongada de operações críticas podem gerar prejuízos financeiros, danos à reputação e até sanções regulatórias.

O cenário descrito pelas agências internacionais reforça que a resiliência operacional não pode se apoiar apenas em backups e firewalls. É preciso adotar uma abordagem integrada, que envolva autenticação multifator, monitoramento de atividades anômalas, atualização constante de sistemas e, principalmente, a separação física e lógica de ambientes críticos e de recuperação. Em regiões como Manaus, onde a conectividade e a disponibilidade de serviços são fatores estratégicos para a indústria, a escolha de parceiros de infraestrutura com expertise local e compromisso contratual de disponibilidade torna-se diferencial competitivo e de sobrevivência.

O avanço do SafePay expõe que a negligência em práticas básicas de segurança e a confiança excessiva em soluções tradicionais criam brechas exploráveis por grupos cada vez mais sofisticados. Para o gestor de TI, o desafio não é apenas tecnológico, mas estratégico: garantir que a operação sobreviva ao próximo ataque exige revisão constante de processos, atualização de ferramentas e, sobretudo, uma visão realista sobre os limites das defesas atuais.

Equipe de TI discutindo estratégias para responder a ataques de ransomware em reunião corporativa.
Equipe de TI brasileira planejando ações para mitigar impactos do ransomware SafePay, evidenciando a necessidade urgente de reforço nas políticas de segurança e resposta a incidentes.

O caso SafePay deixa claro que, diante de ameaças que combinam invasão, roubo e extorsão, a capacidade de isolar falhas e restaurar rapidamente sistemas críticos pode ser a diferença entre a continuidade do negócio e o colapso operacional. Para empresas que dependem de conectividade permanente e proteção de dados, repensar a infraestrutura de acesso e backup deixou de ser opção, tornou-se questão de sobrevivência.

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