Negócio Digital · análise
Redata destrava expansão de data centers: Odata projeta salto de 1 GW para 5 GW no Brasil em cinco anos
Novo programa federal de incentivos fiscais promete triplicar o ritmo de crescimento do setor de data centers, segundo a Odata. A demanda por IA eleva o patamar dos investimentos e pressiona infraestrutura e políticas públicas.

O mercado brasileiro de data centers está diante de uma inflexão inédita, contrariando a crença de que o país permaneceria como mero consumidor local de infraestrutura digital. Com a aprovação do Redata, programa federal que concede incentivos fiscais para a importação de equipamentos essenciais ao setor, o Brasil pode deixar para trás anos de crescimento limitado por custos tributários e insegurança jurídica. Segundo a Odata, um dos principais players do segmento, a expectativa é multiplicar por três o ritmo de expansão, saltando de 1 gigawatt (GW) para 5 GW de capacidade instalada em cinco anos.

Redata: o divisor de águas para a infraestrutura digital
O Redata, aprovado em setembro após dois anos e meio de negociações em Brasília, representa uma mudança estrutural para o setor de data centers no Brasil. De acordo com entrevista do CEO da Odata, Ricardo Alário, ao NeoFeed, a ausência de incentivos fiscais fazia com que o país tivesse “a GPU mais cara do mundo”, com custos de importação que podiam variar entre 40% e 80% acima do preço internacional. O executivo aponta que, até então, o custo dos equipamentos superava o da construção física dos data centers, inviabilizando projetos de maior escala e afastando clientes internacionais.
Com a nova lei, a expectativa da Odata é que o crescimento anual do setor, antes estimado em 20%, possa ser triplicado. O CEO afirma que “se íamos crescer 20% ao ano, com uma capacidade de 200, 300 megawatts, isso se multiplica por três com o Redata”. Ele projeta que o Brasil pode atingir 5 GW de capacidade instalada em cinco anos, partindo dos atuais 1 GW. Embora essa projeção venha de uma única fonte, ela ilustra o otimismo de quem está diretamente envolvido na operação e nos investimentos do setor.
Demanda por IA redefine o patamar dos investimentos
O avanço da inteligência artificial (IA) é apontado como o principal motor dessa nova onda de investimentos. Segundo Alário, a demanda por processamento de IA exige projetos mais robustos, com investimentos mínimos de US$ 1 bilhão por data center. Essa escala restringe o número de empresas capazes de competir, tornando o setor cada vez mais dependente de grandes fundos e parceiros estratégicos.
A entrada da AI Infrastructure Partnership (AIP) como controladora da Odata, com nomes como BlackRock, Nvidia, Microsoft e MGX entre os investidores, é vista como um diferencial competitivo. O CEO destaca que “ter nomes como BlackRock e MGX nos coloca numa posição muito favorável”, já que os projetos atuais partem de 100 a 200 megawatts, exigindo capital e capacidade de execução que poucos players conseguem reunir.

Infraestrutura energética: vantagem competitiva e novos desafios
O Brasil conta com um sistema elétrico interligado e uma matriz energética considerada limpa e relativamente barata, fatores que, segundo Alário, tornam o país atrativo para a instalação de grandes data centers. O executivo compara o potencial brasileiro ao de uma “Arábia Saudita de energia renovável”, ressaltando que, embora não seja possível exportar vento e sol, é viável atrair data centers para processar dados localmente e exportar valor agregado.
No entanto, o crescimento acelerado da geração distribuída de energia renovável criou desbalanços no grid, exigindo ajustes regulatórios e novos investimentos em infraestrutura. A Odata acredita que a regulação brasileira, com órgãos como Aneel e ONS, oferece segurança para ajustar o sistema, mas alerta para a necessidade de rever incentivos e fortalecer a rede elétrica para suportar a escalada de demanda.
Barreiras remanescentes: tributação estadual e segurança jurídica
Apesar do avanço representado pelo Redata, o setor ainda enfrenta desafios. A carga tributária estadual, especialmente o ICMS, permanece como um obstáculo relevante. Alário explica que, após a aprovação federal, a atenção se volta para negociações com o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) em busca de novas isenções. O executivo alerta que “qualquer isenção tributária é um cabo de guerra muito grande”, e que a insegurança jurídica ainda afasta investimentos de big techs, que temem mudanças frequentes nas regras do jogo.
O processo de aprovação do Redata ilustra essa dificuldade: segundo Alário, muitos atores institucionais desconheciam o setor e suas necessidades, o que exigiu esforço conjunto de empresas, associações e clientes para sensibilizar o governo. A demora na aprovação, que chegou a ser prometida em 45 dias e se estendeu por mais de dois anos, congelou o mercado e levou à perda de projetos e clientes internacionais, que preferiram aguardar ou migrar operações para países com ambiente regulatório mais previsível.
Contra-argumentos: otimismo exagerado ou oportunidade real?

O otimismo da Odata pode ser visto como excessivo diante das incertezas que ainda pairam sobre o setor. A regulamentação do Redata ainda está pendente, e a efetividade dos incentivos dependerá da implementação prática e da coordenação com os estados. Além disso, a concentração dos investimentos em regiões como Campinas, Hortolândia, Sumaré e São Paulo levanta questões sobre a descentralização da infraestrutura e o acesso a outras regiões do país.
Outro ponto de atenção é o ciclo longo dos projetos: contratos bilionários podem levar de sete a nove meses para serem fechados, o que significa que os efeitos do Redata não serão imediatos. O próprio CEO da Odata admite que, apesar do aumento do interesse, as conversas comerciais ainda não foram retomadas em ritmo acelerado. A incerteza regulatória e a necessidade de ajustes no grid elétrico também podem atrasar ou limitar a materialização das projeções mais ambiciosas.
O que muda para empresas e gestores públicos
Para organizações que dependem de infraestrutura digital confiável e escalável, o novo cenário representa tanto uma oportunidade quanto um alerta. A perspectiva de maior oferta de capacidade e de custos mais competitivos pode beneficiar empresas que operam com grandes volumes de dados, aplicações de IA, cloud computing e serviços críticos. No entanto, a concentração dos investimentos em polos específicos e a dependência de ajustes regulatórios e energéticos exigem atenção redobrada de quem planeja expansão ou migração de operações para o Brasil.
Empresas e órgãos públicos que atuam fora dos principais eixos de data centers devem considerar os riscos de latência, disponibilidade e conectividade, especialmente em regiões como o Norte, onde a infraestrutura ainda é limitada. A escalada dos investimentos pode criar novas oportunidades para fornecedores de fibra óptica, transmissão e serviços de conectividade, mas também pressiona por soluções locais e parcerias estratégicas para garantir acesso a serviços de alta disponibilidade.
O avanço do Redata e a entrada de investidores globais no setor de data centers sinalizam um novo patamar de competição e exigência técnica. Para quem decide em TI ou infraestrutura, o momento é de reavaliar estratégias, buscar parceiros com capacidade comprovada e acompanhar de perto a evolução regulatória e energética. O salto de 1 GW para 5 GW, se confirmado, não será apenas uma questão de escala, mas de transformação do papel do Brasil no mapa global da economia digital.

O desfecho do Redata mostra que, quando incentivos fiscais e segurança regulatória se alinham, o Brasil pode atrair investimentos de peso em infraestrutura digital. Mas a experiência recente também alerta: sem articulação entre governo federal, estados e setor privado, o risco de perder projetos estratégicos para outros países permanece alto. Para empresas que dependem de conectividade robusta, a escolha do parceiro de infraestrutura se torna decisiva diante de um mercado que exige escala, capital e capacidade de execução em níveis inéditos.
Conteúdo B2B sobre conectividade, infraestrutura digital e gestão de TI, direto na caixa de entrada, sem spam.
Data center só entrega se a fibra chegar junto. A expansão dos data centers exige conectividade empresarial de alta disponibilidade, especialmente fora dos grandes polos. O IP Premium Dedicado da Upnetix oferece link de fibra dedicada, SLA garantido em contrato e suporte humano local em Manaus. Avaliamos a viabilidade técnica no seu endereço antes de qualquer proposta. Nossa equipe entra em contato em até 1 dia útil com uma proposta sob medida.Fale com um especialista da Upnetix
O Atlas é o portal editorial da Upnetix. Conteúdo informativo, apurado em fontes públicas com apoio de inteligência artificial sob supervisão editorial; não constitui aconselhamento técnico, jurídico ou financeiro. Termos de uso e política editorial. Correções e direito de resposta: comercial@upnetix.com.br.
