Redata destrava expansão de data centers: Odata projeta salto de 1 GW para 5 GW no Brasil em cinco anos

Redata pode triplicar o crescimento dos data centers no Brasil, com projeção de salto de 1 GW para 5 GW em cinco anos, segundo a Odata.

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Redata destrava expansão de data centers: Odata projeta salto de 1 GW para 5 GW no Brasil em cinco anos

Novo programa federal de incentivos fiscais promete triplicar o ritmo de crescimento do setor de data centers, segundo a Odata. A demanda por IA eleva o patamar dos investimentos e pressiona infraestrutura e políticas públicas.

por Atlas Upnetix Review Team · 2 de outubro, 2026 · 8 min de leitura
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O mercado brasileiro de data centers está diante de uma inflexão inédita, contrariando a crença de que o país permaneceria como mero consumidor local de infraestrutura digital. Com a aprovação do Redata, programa federal que concede incentivos fiscais para a importação de equipamentos essenciais ao setor, o Brasil pode deixar para trás anos de crescimento limitado por custos tributários e insegurança jurídica. Segundo a Odata, um dos principais players do segmento, a expectativa é multiplicar por três o ritmo de expansão, saltando de 1 gigawatt (GW) para 5 GW de capacidade instalada em cinco anos.

Retrato realista de Ricardo Alário, CEO da Odata, em escritório moderno.
Ricardo Alário, CEO da Odata, principal player do segmento de data centers, destaca a influência do programa Redata na expansão do setor no Brasil.

Redata: o divisor de águas para a infraestrutura digital

O Redata, aprovado em setembro após dois anos e meio de negociações em Brasília, representa uma mudança estrutural para o setor de data centers no Brasil. De acordo com entrevista do CEO da Odata, Ricardo Alário, ao NeoFeed, a ausência de incentivos fiscais fazia com que o país tivesse “a GPU mais cara do mundo”, com custos de importação que podiam variar entre 40% e 80% acima do preço internacional. O executivo aponta que, até então, o custo dos equipamentos superava o da construção física dos data centers, inviabilizando projetos de maior escala e afastando clientes internacionais.

Com a nova lei, a expectativa da Odata é que o crescimento anual do setor, antes estimado em 20%, possa ser triplicado. O CEO afirma que “se íamos crescer 20% ao ano, com uma capacidade de 200, 300 megawatts, isso se multiplica por três com o Redata”. Ele projeta que o Brasil pode atingir 5 GW de capacidade instalada em cinco anos, partindo dos atuais 1 GW. Embora essa projeção venha de uma única fonte, ela ilustra o otimismo de quem está diretamente envolvido na operação e nos investimentos do setor.

Demanda por IA redefine o patamar dos investimentos

O avanço da inteligência artificial (IA) é apontado como o principal motor dessa nova onda de investimentos. Segundo Alário, a demanda por processamento de IA exige projetos mais robustos, com investimentos mínimos de US$ 1 bilhão por data center. Essa escala restringe o número de empresas capazes de competir, tornando o setor cada vez mais dependente de grandes fundos e parceiros estratégicos.

A entrada da AI Infrastructure Partnership (AIP) como controladora da Odata, com nomes como BlackRock, Nvidia, Microsoft e MGX entre os investidores, é vista como um diferencial competitivo. O CEO destaca que “ter nomes como BlackRock e MGX nos coloca numa posição muito favorável”, já que os projetos atuais partem de 100 a 200 megawatts, exigindo capital e capacidade de execução que poucos players conseguem reunir.

Interior realista de data center da Odata com servidores e equipamentos tecnológicos.
Data center da Odata, que projeta salto de capacidade instalada de 1 GW para 5 GW em cinco anos impulsionado pelo Redata.

Infraestrutura energética: vantagem competitiva e novos desafios

O Brasil conta com um sistema elétrico interligado e uma matriz energética considerada limpa e relativamente barata, fatores que, segundo Alário, tornam o país atrativo para a instalação de grandes data centers. O executivo compara o potencial brasileiro ao de uma “Arábia Saudita de energia renovável”, ressaltando que, embora não seja possível exportar vento e sol, é viável atrair data centers para processar dados localmente e exportar valor agregado.

No entanto, o crescimento acelerado da geração distribuída de energia renovável criou desbalanços no grid, exigindo ajustes regulatórios e novos investimentos em infraestrutura. A Odata acredita que a regulação brasileira, com órgãos como Aneel e ONS, oferece segurança para ajustar o sistema, mas alerta para a necessidade de rever incentivos e fortalecer a rede elétrica para suportar a escalada de demanda.

Barreiras remanescentes: tributação estadual e segurança jurídica

Apesar do avanço representado pelo Redata, o setor ainda enfrenta desafios. A carga tributária estadual, especialmente o ICMS, permanece como um obstáculo relevante. Alário explica que, após a aprovação federal, a atenção se volta para negociações com o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) em busca de novas isenções. O executivo alerta que “qualquer isenção tributária é um cabo de guerra muito grande”, e que a insegurança jurídica ainda afasta investimentos de big techs, que temem mudanças frequentes nas regras do jogo.

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O processo de aprovação do Redata ilustra essa dificuldade: segundo Alário, muitos atores institucionais desconheciam o setor e suas necessidades, o que exigiu esforço conjunto de empresas, associações e clientes para sensibilizar o governo. A demora na aprovação, que chegou a ser prometida em 45 dias e se estendeu por mais de dois anos, congelou o mercado e levou à perda de projetos e clientes internacionais, que preferiram aguardar ou migrar operações para países com ambiente regulatório mais previsível.

Contra-argumentos: otimismo exagerado ou oportunidade real?

Diagrama comparativo mostrando redução dos custos de importação com Redata.
Redata reduz custos de importação de equipamentos essenciais para data centers, que chegavam a ser 40% a 80% mais caros que o preço internacional.

O otimismo da Odata pode ser visto como excessivo diante das incertezas que ainda pairam sobre o setor. A regulamentação do Redata ainda está pendente, e a efetividade dos incentivos dependerá da implementação prática e da coordenação com os estados. Além disso, a concentração dos investimentos em regiões como Campinas, Hortolândia, Sumaré e São Paulo levanta questões sobre a descentralização da infraestrutura e o acesso a outras regiões do país.

Outro ponto de atenção é o ciclo longo dos projetos: contratos bilionários podem levar de sete a nove meses para serem fechados, o que significa que os efeitos do Redata não serão imediatos. O próprio CEO da Odata admite que, apesar do aumento do interesse, as conversas comerciais ainda não foram retomadas em ritmo acelerado. A incerteza regulatória e a necessidade de ajustes no grid elétrico também podem atrasar ou limitar a materialização das projeções mais ambiciosas.

O que muda para empresas e gestores públicos

Para organizações que dependem de infraestrutura digital confiável e escalável, o novo cenário representa tanto uma oportunidade quanto um alerta. A perspectiva de maior oferta de capacidade e de custos mais competitivos pode beneficiar empresas que operam com grandes volumes de dados, aplicações de IA, cloud computing e serviços críticos. No entanto, a concentração dos investimentos em polos específicos e a dependência de ajustes regulatórios e energéticos exigem atenção redobrada de quem planeja expansão ou migração de operações para o Brasil.

Empresas e órgãos públicos que atuam fora dos principais eixos de data centers devem considerar os riscos de latência, disponibilidade e conectividade, especialmente em regiões como o Norte, onde a infraestrutura ainda é limitada. A escalada dos investimentos pode criar novas oportunidades para fornecedores de fibra óptica, transmissão e serviços de conectividade, mas também pressiona por soluções locais e parcerias estratégicas para garantir acesso a serviços de alta disponibilidade.

O avanço do Redata e a entrada de investidores globais no setor de data centers sinalizam um novo patamar de competição e exigência técnica. Para quem decide em TI ou infraestrutura, o momento é de reavaliar estratégias, buscar parceiros com capacidade comprovada e acompanhar de perto a evolução regulatória e energética. O salto de 1 GW para 5 GW, se confirmado, não será apenas uma questão de escala, mas de transformação do papel do Brasil no mapa global da economia digital.

Usina de energia renovável brasileira com linhas de transmissão, representando infraestrutura energética.
Infraestrutura energética limpa e integrada do Brasil é fator competitivo para atração e expansão de data centers, segundo Odata.

O desfecho do Redata mostra que, quando incentivos fiscais e segurança regulatória se alinham, o Brasil pode atrair investimentos de peso em infraestrutura digital. Mas a experiência recente também alerta: sem articulação entre governo federal, estados e setor privado, o risco de perder projetos estratégicos para outros países permanece alto. Para empresas que dependem de conectividade robusta, a escolha do parceiro de infraestrutura se torna decisiva diante de um mercado que exige escala, capital e capacidade de execução em níveis inéditos.

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