PostgreSQL reduz custo de IA em até 76 vezes, aponta estudo

PostgreSQL reduz custo de IA em até 76 vezes, segundo estudo. Eficiência de tokens e latência impactam empresas e setor público.

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PostgreSQL reduz custo de IA em até 76 vezes, aponta estudo

Benchmark da McKnight Consulting Group revela que bancos de dados baseados em PostgreSQL entregam maior eficiência e menor latência em aplicações de IA, com impacto direto no orçamento de empresas e órgãos públicos. Diferenças de arquitetura podem multiplicar o custo operacional em até 76 vezes.

por Atlas Upnetix Review Team · 24 de setembro, 2026 · 7 min de leitura
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O avanço da inteligência artificial (IA) nas empresas tem sido acompanhado por uma crença confortável: a de que o custo operacional é determinado apenas pelo preço do banco de dados ou da infraestrutura de nuvem. Um estudo divulgado pela McKnight Consulting Group (MCG) e reportado pelo IT Forum desafia frontalmente essa noção, ao demonstrar que a escolha da arquitetura de dados pode multiplicar o custo de IA em até 76 vezes, mesmo quando o hardware é equivalente. Para quem decide em TI, o alerta é claro: a ineficiência na entrega de contexto aos grandes modelos de linguagem (LLMs) não é detalhe técnico, mas fator central do orçamento.

Sala de servidores moderna com equipamentos de TI em operação, ambiente corporativo.
Infraestrutura de TI usada para rodar grandes modelos de IA corporativa, ambiente semelhante ao dos testes de desempenho com 64 a 72 vCPUs e 512 GB de RAM do estudo da McKnight Consulting Group.

Como a arquitetura de dados impacta o custo da IA

O estudo da MCG comparou seis plataformas de banco de dados em ambientes com 64 a 72 vCPUs e 512 GB de RAM, simulando aplicações clínicas com até 50 milhões de registros. Entre as plataformas analisadas estavam Amazon Aurora PostgreSQL, Crunchy Bridge, Databricks, MongoDB Atlas, PostgreSQL open source e EDB Postgres AI. O objetivo era medir não apenas o desempenho bruto, mas a eficiência na busca vetorial e no sistema RAG (geração aumentada por recuperação), tecnologias essenciais para IA corporativa.

O desperdício de tokens, unidades de informação processadas pelos LLMs, foi o principal vilão identificado. Segundo o estudo, plataformas como Databricks e MongoDB Atlas desperdiçaram, respectivamente, 41,8% e 27% dos tokens em tarefas híbridas, enquanto o EDB Postgres AI ficou em 17%. Em buscas semânticas puras, a diferença foi ainda maior: 24,3% de desperdício no Databricks contra 8% no EDB Postgres AI. O resultado prático é que empresas que rodam milhares de loops de agentes de IA por dia podem estar pagando centenas de milhares de reais por tokens que não contribuem para a resposta, apenas para compensar a ineficiência da camada de dados.

Latência e custo efetivo: o que muda na operação

A latência, tempo de resposta do sistema, é outro fator crítico. Em cenários com 50 milhões de vetores, o EDB Postgres AI entregou latência mediana de 50 milissegundos. O MongoDB Atlas ficou em 1.083 ms, e o Databricks, em 4.023 ms, tornando este último impraticável para aplicações interativas, de acordo com a análise da MCG. A diferença de desempenho se traduziu em custos efetivos muito distintos: para entregar a mesma performance do EDB Postgres AI, o MongoDB Atlas teria um custo ajustado de US$ 577 por hora (34 vezes mais caro), enquanto o Databricks atingiria US$ 1.287 por hora, um multiplicador de 76 vezes.

Mesmo entre concorrentes próximos, há variações relevantes: Amazon Aurora PostgreSQL apresentou custo 28% maior e Crunchy Bridge, 23%, ambos ajustados pela performance real. O estudo destaca que a narrativa de que IA é cara por natureza não se sustenta diante dos dados: “IA é cara quando a camada de dados é ineficiente”, afirmou Ronaldo Oliveira, diretor de vendas e parcerias para a América Latina da EDB Postgres AI, ao IT Forum.

Executivo de TI analisando painel digital com porcentagens de desperdício de tokens em plataformas de banco de dados.
Comparativo do desperdício de tokens em tarefas híbridas entre plataformas, evidenciando o impacto da arquitetura de dados no custo de IA, segundo estudo da McKnight Consulting Group.

Setores mais impactados e crescimento do mercado

A pesquisa aponta que bancos, fintechs, hospitais, varejistas, seguradoras, órgãos públicos e operadoras de telecomunicações estão entre os setores mais afetados. O uso de IA para atendimento, análise de crédito, prevenção a fraudes, busca semântica de produtos, análise de sinistros e consulta de apólices depende diretamente da eficiência da camada de dados. No setor público, aplicações como portais de atendimento e busca em bases legais também sentem o impacto da escolha do banco de dados.

O mercado brasileiro de bancos de dados vetoriais cresce a uma taxa anual de 21,4%, segundo o estudo. Globalmente, o segmento de RAG deve saltar de US$ 2 bilhões em 2026 para US$ 11 bilhões em 2030, refletindo a rápida adoção de IA em operações críticas.

Contra-argumentos e limitações do estudo

É importante ressaltar que os dados apresentados têm como base um único estudo independente, conduzido pela McKnight Consulting Group e divulgado pelo IT Forum. Não há, até o momento, benchmarks públicos de outras consultorias que contradigam ou complementem esses resultados. Críticos podem argumentar que a configuração dos bancos de dados, o perfil das cargas de trabalho e a expertise dos times de implementação influenciam fortemente os resultados. Além disso, o estudo foca em aplicações clínicas e pode não refletir integralmente cenários de outros setores com padrões de acesso e atualização distintos.

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Outro ponto de atenção é que a liderança do EDB Postgres AI nos testes dependeu de configurações otimizadas de memória, autovacuum e WAL, o que pode não ser trivial para equipes sem experiência avançada em PostgreSQL. O estudo também não detalha o custo total de propriedade (TCO) considerando licenciamento, suporte e migração, fatores relevantes para decisões corporativas.

Equipe de TI analisando gráficos de latência de plataformas de banco de dados para IA em monitor grande.
Diferença de latência entre plataformas de banco de dados em ambiente com 50 milhões de vetores, fator crítico para aplicações interativas de IA, conforme o estudo da McKnight Consulting Group.

O que ainda não se sabe e riscos para a decisão de TI

Apesar dos números expressivos, há pontos em aberto. Não está claro como essas plataformas se comportam em workloads mistas, com alta concorrência de leitura e escrita, típicas de ambientes financeiros e de varejo. O impacto de integrações com sistemas legados, políticas de segurança e requisitos regulatórios também não foi abordado. Para empresas de médio porte e órgãos públicos, a capacidade de replicar as configurações de benchmark no mundo real pode ser limitada por restrições de orçamento e equipe.

Outro risco é a dependência de expertise específica para extrair o máximo das plataformas PostgreSQL, especialmente em regiões como Manaus, onde a oferta de profissionais especializados pode ser menor. A decisão de migrar ou otimizar a camada de dados precisa considerar não só o potencial de economia, mas o custo de transição e o suporte disponível localmente.

Implicações práticas para empresas e setor público

Para gestores de TI e responsáveis por orçamento, o estudo da MCG oferece uma provocação direta: a escolha do banco de dados pode ser o maior fator de custo ou de economia em projetos de IA, superando até mesmo o preço da nuvem ou do LLM. Em setores como saúde, finanças e governo, onde o volume de dados e a necessidade de resposta rápida são críticos, a ineficiência de tokens e a latência elevada podem inviabilizar aplicações interativas e aumentar o risco de sobrecarga na infraestrutura.

No contexto de Manaus e do Polo Industrial, onde a conectividade e o suporte técnico local são desafios adicionais, a adoção de bancos de dados eficientes e de fácil manutenção pode ser decisiva para a viabilidade de projetos de IA. Empresas que subestimam o impacto da arquitetura de dados tendem a enfrentar custos ocultos, atrasos e dificuldades de escala, especialmente em ambientes de missão crítica.

Profissional de TI em reunião virtual com mapa conceitual dos setores impactados pela escolha da arquitetura de dados na IA.
Setores mais afetados pela eficiência da camada de dados em IA empresarial, incluindo bancos, hospitais e órgãos públicos, segundo pesquisa reportada pelo IT Forum.

Em resumo, a narrativa de que IA é cara por definição perde força diante dos dados do benchmark. O verdadeiro diferencial está na eficiência da camada de dados e na capacidade de extrair valor dos tokens processados. Para quem opera em setores sensíveis e regiões com desafios de infraestrutura, a escolha do banco de dados deixa de ser detalhe técnico e passa a ser decisão estratégica, com impacto direto no caixa e na competitividade.

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