PL dos postes propõe teto nacional, desconto rural e terceirização condicional da gestão

PL dos postes propõe teto nacional, desconto rural e terceirização condicional, impactando custos e expansão de infraestrutura para empresas de telecom.

ATLAS.
tech & business · o portal da Upnetix
Internet para Eventos · análise

PL dos postes propõe teto nacional, desconto rural e terceirização condicional da gestão

Novo substitutivo do PL dos postes sugere valor máximo para contratos de compartilhamento, desconto para áreas rurais e terceirização da gestão dos postes apenas em caso de falha das distribuidoras. Proposta amplia o papel da Anatel e pode impactar custos e expansão de infraestrutura para provedores empresariais.

por Atlas Upnetix Review Team · 2 de novembro, 2026 · 8 min de leitura
Compartilhe este artigo: WhatsApp

O debate sobre o compartilhamento de postes entre distribuidoras de energia e empresas de telecomunicações ganhou novo capítulo com a apresentação do substitutivo do Projeto de Lei 3220/2019, conhecido como PL dos postes, na Câmara dos Deputados. O texto, relatado pelo deputado Juscelino Filho (PSDB/MA), traz mudanças relevantes para o setor, incluindo a definição de um teto nacional de preços, descontos para áreas rurais e regras para a terceirização da gestão dos postes. Todas essas medidas têm potencial de alterar significativamente o cenário de custos, expansão e regulação para operadoras e provedores de internet que atendem empresas e órgãos públicos.

Poste de energia com cabos de energia e fibra óptica em área urbana.
Poste com infraestrutura compartilhada entre distribuidora de energia e empresas de telecomunicações, tema central do PL dos postes discutido na Câmara dos Deputados.

Definição de teto nacional para o compartilhamento dos postes

Segundo apuração do portal TeleTime, o substitutivo apresentado na Câmara propõe que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em conjunto com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), estabeleça um “valor máximo estrutural” para o compartilhamento dos postes em contratos celebrados, prorrogados ou renovados após a aprovação da lei. Esse teto deverá ser definido em até 30 meses após a sanção, e, caso o prazo não seja cumprido, o Poder Executivo poderá intervir para fixar o valor.

Enquanto o valor máximo estrutural não for estabelecido, o texto prevê a aplicação de um “valor máximo conjuntural”, baseado no preço de referência da regulamentação vigente, corrigido pelo IPCA até o final de 2025. Essa regra transitória busca evitar aumentos abruptos ou indefinição nos contratos firmados no período de transição. O objetivo declarado é criar um ambiente de previsibilidade para os contratos e evitar disputas judiciais ou negociações desiguais entre operadoras e distribuidoras de energia.

Desconto para áreas rurais e incentivo à expansão

O substitutivo também propõe que o valor máximo conjuntural para áreas rurais seja fixado em metade do valor das áreas urbanas. De acordo com TeleTime, a justificativa para essa diferença é estimular a expansão dos serviços de telecomunicações em regiões menos atendidas e com maior desafio logístico. A medida pode beneficiar especialmente provedores que atuam em cidades do interior ou em polos industriais afastados dos grandes centros, reduzindo o custo de entrada e operação nessas localidades.

Esse ponto é importante para empresas que dependem de conectividade em áreas remotas ou que planejam expandir operações para regiões rurais, já que o custo do acesso à infraestrutura física é um dos principais entraves à oferta de serviços de banda larga empresarial fora dos grandes centros urbanos.

Terceirização da gestão dos postes: obrigatoriedade restrita

Reunião entre representantes da Aneel e Anatel discutindo regulamentação.
Representantes da Aneel e Anatel discutem a definição do teto nacional para o compartilhamento dos postes, conforme proposto no substitutivo do PL 3220/2019.

Um dos temas mais controversos do PL dos postes é a chamada terceirização da gestão dos postes, ou “posteiro”. O substitutivo apresentado por Juscelino Filho estabelece que a cessão da gestão para um terceiro só será obrigatória em caso de desempenho inadequado da distribuidora de energia. A Anatel passa a ter prerrogativa de propor essa medida à Aneel, que deverá decidir em até 90 dias, mas a decisão final cabe à agência de energia.

O texto também amplia as restrições para quem pode ser o “posteiro”. Além de proibir empresas do setor de telecomunicações, o substitutivo veda a cessão para empresas do mesmo grupo econômico da distribuidora de energia e impede a exploração direta pela elétrica caso haja empresa de telecomunicações no mesmo grupo. Essas restrições visam evitar conflitos de interesse e garantir isonomia no acesso à infraestrutura.

Segundo TeleTime, a Advocacia-Geral da União (AGU) havia entendido que, no regramento atual, a cessão para um terceiro deveria ser obrigatória. Com a aprovação do novo marco, a regra passaria a ser a obrigatoriedade apenas em caso de má prestação do serviço, encerrando a discussão regulatória entre Aneel e Anatel sobre o tema.

Regularização e fiscalização: novas definições e responsabilidades

O substitutivo altera a definição de “ocupação clandestina” nos postes, diferenciando entre ocupação sem contrato ou por agente não identificado (clandestina) e ocupação à revelia (em desacordo com contrato vigente). O texto também determina que a negativa de pedido de compartilhamento por parte das distribuidoras deve ser justificada apenas por razões técnicas, operacionais ou de segurança, tornando mais difícil a recusa sem fundamento objetivo.

Gostando do conteúdo? Compartilhe: WhatsApp

Além disso, o interessado em compartilhar a infraestrutura deverá arcar com eventuais custos de adaptação necessários. O projeto também prevê a possibilidade de convênios entre distribuidoras e municípios ou consórcios de municípios para apoio à fiscalização do compartilhamento, ampliando o papel dos entes locais na regulação e controle do uso dos postes.

Essas mudanças podem impactar diretamente a velocidade de regularização das redes, especialmente para provedores que atuam em múltiplas cidades ou regiões, ao criar um ambiente regulatório mais claro e previsível. Por outro lado, a exigência de custeio das adaptações pode representar um desafio financeiro adicional para pequenas e médias empresas do setor.

Poste de energia em área rural com instalação de internet local.
Poste em área rural beneficiado pelo desconto proposto no PL dos postes, que prevê valor máximo conjuntural reduzido para estimular a expansão da conectividade fora dos centros urbanos.

Impactos práticos para provedores empresariais e cenário regional

A proposta de teto nacional e desconto para áreas rurais pode alterar a estrutura de custos para provedores de internet que atendem o segmento empresarial, especialmente em regiões como Manaus e o Polo Industrial da Amazônia, onde o acesso à infraestrutura física é um dos principais gargalos para expansão de redes privadas, VPNs, links dedicados e outros serviços críticos para a operação de indústrias e órgãos públicos.

O ambiente de maior previsibilidade regulatória tende a facilitar o planejamento de investimentos e a negociação de contratos de longo prazo, reduzindo o risco de aumentos inesperados ou disputas judiciais relacionadas ao preço do compartilhamento. Para empresas que dependem de alta disponibilidade e SLA (Acordo de Nível de Serviço) rígido, a possibilidade de regularização mais ágil e fiscalização reforçada pode contribuir para a estabilidade da operação.

No entanto, a restrição da terceirização da gestão dos postes apenas a casos de desempenho inadequado das distribuidoras mantém o poder de decisão concentrado nas agências reguladoras, o que pode limitar a entrada de operadores neutros e a competição por eficiência na gestão da infraestrutura. Empresas que atuam em múltiplos estados ou que dependem de redes de terceiros precisarão acompanhar de perto a atuação da Aneel e da Anatel, já que a implementação das regras dependerá de regulamentação futura e de decisões administrativas caso a caso.

O que permanece incerto e próximos passos

Apesar dos avanços propostos pelo substitutivo, vários pontos ainda dependem de regulamentação posterior, como a definição do valor máximo estrutural, os critérios para avaliação de desempenho das distribuidoras e a operacionalização dos convênios de fiscalização com municípios. Além disso, como a proposta altera o texto já aprovado no Senado, o projeto precisará retornar à Casa Alta para nova análise, o que pode gerar ajustes adicionais ou atrasar a implementação das medidas.

Para empresas e gestores públicos que dependem de conectividade robusta, a principal recomendação é acompanhar de perto a tramitação do PL dos postes e iniciar o mapeamento dos contratos de compartilhamento vigentes, avaliando riscos e oportunidades de renegociação à luz das possíveis novas regras. O cenário regulatório tende a evoluir rapidamente, e a capacidade de adaptação pode ser diferencial competitivo para quem atua em ambientes de missão crítica.

Técnico vistoriando poste de energia para gestão terceirizada.
Técnico realizando a gestão do poste, ilustrando o tema da terceirização condicional da gestão dos postes prevista no substitutivo do PL 3220/2019.

O avanço do PL dos postes representa uma tentativa de equilibrar interesses de diferentes setores e promover a expansão da infraestrutura de telecomunicações em todo o país, mas sua efetividade dependerá da regulamentação e da atuação coordenada das agências e dos entes locais. Para empresas que atuam em regiões como Manaus, onde a logística e o acesso à infraestrutura são desafios históricos, a definição de regras claras e preços previsíveis pode ser o impulso necessário para ampliar a oferta de serviços de alta disponibilidade e suportar operações industriais e governamentais cada vez mais digitais.

Compartilhe com sua equipe: WhatsApp
Receba os próximos artigos no seu e-mail

Conteúdo B2B sobre conectividade, infraestrutura digital e gestão de TI, direto na caixa de entrada, sem spam.





Upnetix · Conectividade empresarial em Manaus

O preço do poste pode decidir sua expansão.

Com custos de compartilhamento mais previsíveis, empresas podem planejar redes privadas e links dedicados com mais segurança. O IP Premium Dedicado da Upnetix oferece banda garantida e IP fixo para operações críticas. Avaliamos a viabilidade técnica no seu endereço antes de qualquer proposta.

Fale com o comercial

Fale com um especialista da Upnetix

Nossa equipe entra em contato em até 1 dia útil com uma proposta sob medida.

Qual serviço você precisa?*

Pode marcar mais de um. Em dúvida? Selecione "Ainda não sei / Outro" e a gente orienta.