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Odata investe US$ 630 milhões em refrigeração líquida para data centers no Brasil e México
Odata implementa tecnologia DeltaFlow, desenvolvida em parceria com a Munters, para operar data centers de alta densidade térmica sem consumo de água. Iniciativa visa sustentabilidade e expansão regional, com fabricação local no Paraná.

O setor de data centers na América Latina passa por um momento de transformação, impulsionado pela crescente demanda por infraestrutura digital e pela necessidade de soluções mais eficientes e sustentáveis. Um dos movimentos mais relevantes recentes é o investimento de US$ 630 milhões anunciado pela Odata, empresa da Aligned Data Centers, para a implementação da tecnologia de refrigeração líquida DeltaFlow em seus campi SP04 (Brasil) e QR03 (México). A notícia, divulgada pelo IT Forum, destaca a adoção de uma solução proprietária desenvolvida pela Aligned em colaboração com a Munters, com fabricação local no Paraná.

DeltaFlow: tecnologia para alta densidade térmica e sustentabilidade
Segundo o IT Forum, a tecnologia DeltaFlow foi concebida para ambientes de alta densidade térmica, onde os sistemas tradicionais de refrigeração a ar já não são suficientes para garantir a eficiência operacional dos data centers. O sistema opera em circuito fechado, recirculando continuamente água pura e deionizada, sem consumo de água nas operações de refrigeração. Esse ponto é enfatizado pela Odata como um compromisso com a conservação de recursos hídricos, aspecto cada vez mais estratégico diante da pressão por sustentabilidade no setor de tecnologia.
O DeltaFlow foi projetado para funcionar de maneira integrada ao sistema de refrigeração a ar Delta Cube (Delta³), já em operação pela Odata na América Latina desde outubro de 2024. A combinação das duas tecnologias permite a criação de arquiteturas híbridas, reunindo resfriamento a ar e líquido no mesmo ambiente de TI, o que amplia a flexibilidade para suportar diferentes cargas térmicas e demandas operacionais.
Ricardo Alário, CEO da Odata, declarou ao IT Forum que a introdução do DeltaFlow na América Latina reflete o compromisso da empresa em antecipar as necessidades do mercado e estabelecer a solução como referência em refrigeração líquida. Segundo ele, a iniciativa fortalece a liderança da Odata em inovação e prepara a região para a próxima geração de aplicações digitais.
Fabricação local e fortalecimento da cadeia regional
Outro aspecto relevante do movimento da Odata é a fabricação local do DeltaFlow na unidade da Munters em Araucária, no Paraná. De acordo com o IT Forum, a produção no Brasil complementa a já existente nos Estados Unidos e atende tanto as operações brasileiras quanto mexicanas da Odata, com perspectiva de expansão para projetos futuros no Chile e na Colômbia.

Para Keith Dunnavant, vice-presidente de estratégia de ofertas e gestão de portfólio da Munters, a ampliação da manufatura local permite apoiar as implantações da Odata com tecnologias de refrigeração de última geração e acelera a expansão da infraestrutura digital na América Latina. O investimento na cadeia produtiva regional é apontado pela Odata como um fator que fortalece a resiliência logística e permite maior velocidade de crescimento.
Esse movimento de internalização da produção tecnológica acompanha uma tendência global de busca por maior autonomia e redução de riscos associados a cadeias de suprimentos internacionais, especialmente em setores críticos como o de data centers. Para empresas que dependem de disponibilidade contínua de serviços digitais, a proximidade da produção de equipamentos essenciais pode significar menor exposição a atrasos e gargalos logísticos.
Desafios técnicos e operacionais das novas arquiteturas
A adoção de sistemas híbridos de refrigeração, como o DeltaFlow combinado ao Delta³, representa uma resposta direta ao desafio de operar data centers de alta densidade térmica. Em ambientes onde a concentração de equipamentos de processamento cresce rapidamente, a dissipação eficiente de calor é fundamental para evitar falhas, manter a performance e reduzir custos com energia.
O uso de água deionizada em circuito fechado elimina o consumo de água nas operações de refrigeração, o que pode ser um diferencial competitivo em regiões sujeitas a restrições hídricas ou pressões ambientais. Entretanto, a adoção de tecnologias proprietárias e de alta complexidade técnica traz também desafios de manutenção, necessidade de qualificação de equipes locais e dependência de fornecedores específicos para peças e suporte técnico.
Empresas que avaliam a contratação de serviços de data center precisam considerar não apenas a eficiência energética e hídrica das instalações, mas também a robustez dos contratos de manutenção, a disponibilidade de suporte local e a capacidade de resposta a incidentes. A fabricação local dos sistemas pode mitigar parte desses riscos, mas a integração de novas tecnologias exige monitoramento constante e atualização de práticas operacionais.
Impactos para o mercado corporativo e de governo

Para organizações que dependem de infraestrutura digital de alta disponibilidade, como empresas do setor financeiro, indústria, varejo e órgãos públicos, a evolução das tecnologias de refrigeração em data centers tem implicações diretas sobre custos operacionais, sustentabilidade e riscos de interrupção.
O investimento da Odata em soluções híbridas e sustentáveis sinaliza uma tendência de elevação do padrão de exigência para fornecedores de serviços de colocation e hospedagem de dados. Para clientes corporativos, a escolha de parceiros que adotam tecnologias de refrigeração mais eficientes pode resultar em maior estabilidade operacional, menor risco de downtime e alinhamento com políticas de ESG (ambiental, social e governança).
No contexto de Manaus e do Polo Industrial da Zona Franca, onde o clima quente e úmido impõe desafios adicionais à operação de data centers, a adoção de sistemas avançados de refrigeração pode ser decisiva para garantir a continuidade de operações críticas. A fabricação local de equipamentos no Paraná, ainda que distante da Amazônia, representa um avanço em termos de logística regional, mas a adaptação das tecnologias às condições climáticas específicas da região Norte segue como ponto de atenção para gestores de TI e infraestrutura.
O que muda na decisão de infraestrutura digital
O movimento da Odata ilustra como a modernização de data centers vai além da simples ampliação de capacidade. A escolha de tecnologias de refrigeração impacta diretamente o custo total de propriedade, a previsibilidade de despesas operacionais e o atendimento a requisitos regulatórios e ambientais. Para empresas que avaliam migrar sistemas para a nuvem, contratar colocation ou expandir operações digitais, a análise da infraestrutura térmica e hídrica dos provedores se torna tão relevante quanto critérios tradicionais como conectividade, SLA (acordo de nível de serviço) e segurança física.
Além disso, a presença de fabricação local e a integração de soluções de refrigeração inovadoras podem ser diferenciais competitivos na hora de negociar contratos de longo prazo, especialmente em setores sujeitos a auditorias ambientais ou metas de redução de consumo de recursos naturais. Gestores públicos e privados precisam ponderar não apenas o preço, mas a resiliência, a sustentabilidade e a capacidade de adaptação tecnológica dos parceiros de infraestrutura digital.

O investimento de US$ 630 milhões da Odata, conforme divulgado pelo IT Forum, marca um novo patamar de exigência no mercado latino-americano de data centers. Para organizações que operam em regiões de clima desafiador ou com pressões por sustentabilidade, acompanhar a evolução das tecnologias de refrigeração e a capacidade de resposta dos fornecedores pode ser o fator que define a continuidade dos negócios diante do crescimento exponencial da demanda digital.
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