Odata investe US$ 630 milhões em refrigeração líquida para data centers no Brasil e México

Odata investe US$ 630 milhões em refrigeração líquida para data centers no Brasil e México, apostando em sustentabilidade e alta eficiência térmica.

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Odata investe US$ 630 milhões em refrigeração líquida para data centers no Brasil e México

Odata implementa tecnologia DeltaFlow, desenvolvida em parceria com a Munters, para operar data centers de alta densidade térmica sem consumo de água. Iniciativa visa sustentabilidade e expansão regional, com fabricação local no Paraná.

por Atlas Upnetix Review Team · 25 de setembro, 2026 · 7 min de leitura
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O setor de data centers na América Latina passa por um momento de transformação, impulsionado pela crescente demanda por infraestrutura digital e pela necessidade de soluções mais eficientes e sustentáveis. Um dos movimentos mais relevantes recentes é o investimento de US$ 630 milhões anunciado pela Odata, empresa da Aligned Data Centers, para a implementação da tecnologia de refrigeração líquida DeltaFlow em seus campi SP04 (Brasil) e QR03 (México). A notícia, divulgada pelo IT Forum, destaca a adoção de uma solução proprietária desenvolvida pela Aligned em colaboração com a Munters, com fabricação local no Paraná.

Interior realista de data center da Odata em São Paulo com racks e iluminação azulada.
Data center SP04 da Odata em São Paulo, onde a tecnologia de refrigeração líquida DeltaFlow será implementada para suportar alta densidade térmica.

DeltaFlow: tecnologia para alta densidade térmica e sustentabilidade

Segundo o IT Forum, a tecnologia DeltaFlow foi concebida para ambientes de alta densidade térmica, onde os sistemas tradicionais de refrigeração a ar já não são suficientes para garantir a eficiência operacional dos data centers. O sistema opera em circuito fechado, recirculando continuamente água pura e deionizada, sem consumo de água nas operações de refrigeração. Esse ponto é enfatizado pela Odata como um compromisso com a conservação de recursos hídricos, aspecto cada vez mais estratégico diante da pressão por sustentabilidade no setor de tecnologia.

O DeltaFlow foi projetado para funcionar de maneira integrada ao sistema de refrigeração a ar Delta Cube (Delta³), já em operação pela Odata na América Latina desde outubro de 2024. A combinação das duas tecnologias permite a criação de arquiteturas híbridas, reunindo resfriamento a ar e líquido no mesmo ambiente de TI, o que amplia a flexibilidade para suportar diferentes cargas térmicas e demandas operacionais.

Ricardo Alário, CEO da Odata, declarou ao IT Forum que a introdução do DeltaFlow na América Latina reflete o compromisso da empresa em antecipar as necessidades do mercado e estabelecer a solução como referência em refrigeração líquida. Segundo ele, a iniciativa fortalece a liderança da Odata em inovação e prepara a região para a próxima geração de aplicações digitais.

Fabricação local e fortalecimento da cadeia regional

Outro aspecto relevante do movimento da Odata é a fabricação local do DeltaFlow na unidade da Munters em Araucária, no Paraná. De acordo com o IT Forum, a produção no Brasil complementa a já existente nos Estados Unidos e atende tanto as operações brasileiras quanto mexicanas da Odata, com perspectiva de expansão para projetos futuros no Chile e na Colômbia.

Linha de produção da Munters em Araucária fabricando equipamentos de refrigeração líquida DeltaFlow.
Fabricação local no Paraná dos sistemas DeltaFlow, fortalecendo a cadeia produtiva regional para data centers da Odata no Brasil e México.

Para Keith Dunnavant, vice-presidente de estratégia de ofertas e gestão de portfólio da Munters, a ampliação da manufatura local permite apoiar as implantações da Odata com tecnologias de refrigeração de última geração e acelera a expansão da infraestrutura digital na América Latina. O investimento na cadeia produtiva regional é apontado pela Odata como um fator que fortalece a resiliência logística e permite maior velocidade de crescimento.

Esse movimento de internalização da produção tecnológica acompanha uma tendência global de busca por maior autonomia e redução de riscos associados a cadeias de suprimentos internacionais, especialmente em setores críticos como o de data centers. Para empresas que dependem de disponibilidade contínua de serviços digitais, a proximidade da produção de equipamentos essenciais pode significar menor exposição a atrasos e gargalos logísticos.

Desafios técnicos e operacionais das novas arquiteturas

A adoção de sistemas híbridos de refrigeração, como o DeltaFlow combinado ao Delta³, representa uma resposta direta ao desafio de operar data centers de alta densidade térmica. Em ambientes onde a concentração de equipamentos de processamento cresce rapidamente, a dissipação eficiente de calor é fundamental para evitar falhas, manter a performance e reduzir custos com energia.

O uso de água deionizada em circuito fechado elimina o consumo de água nas operações de refrigeração, o que pode ser um diferencial competitivo em regiões sujeitas a restrições hídricas ou pressões ambientais. Entretanto, a adoção de tecnologias proprietárias e de alta complexidade técnica traz também desafios de manutenção, necessidade de qualificação de equipes locais e dependência de fornecedores específicos para peças e suporte técnico.

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Empresas que avaliam a contratação de serviços de data center precisam considerar não apenas a eficiência energética e hídrica das instalações, mas também a robustez dos contratos de manutenção, a disponibilidade de suporte local e a capacidade de resposta a incidentes. A fabricação local dos sistemas pode mitigar parte desses riscos, mas a integração de novas tecnologias exige monitoramento constante e atualização de práticas operacionais.

Impactos para o mercado corporativo e de governo

Diagrama técnico do sistema híbrido de refrigeração líquido e ar DeltaFlow + Delta Cube em data centers.
Funcionamento integrado dos sistemas DeltaFlow (líquido) e Delta Cube (ar), oferecendo flexibilidade térmica para data centers de alta densidade da Odata.

Para organizações que dependem de infraestrutura digital de alta disponibilidade, como empresas do setor financeiro, indústria, varejo e órgãos públicos, a evolução das tecnologias de refrigeração em data centers tem implicações diretas sobre custos operacionais, sustentabilidade e riscos de interrupção.

O investimento da Odata em soluções híbridas e sustentáveis sinaliza uma tendência de elevação do padrão de exigência para fornecedores de serviços de colocation e hospedagem de dados. Para clientes corporativos, a escolha de parceiros que adotam tecnologias de refrigeração mais eficientes pode resultar em maior estabilidade operacional, menor risco de downtime e alinhamento com políticas de ESG (ambiental, social e governança).

No contexto de Manaus e do Polo Industrial da Zona Franca, onde o clima quente e úmido impõe desafios adicionais à operação de data centers, a adoção de sistemas avançados de refrigeração pode ser decisiva para garantir a continuidade de operações críticas. A fabricação local de equipamentos no Paraná, ainda que distante da Amazônia, representa um avanço em termos de logística regional, mas a adaptação das tecnologias às condições climáticas específicas da região Norte segue como ponto de atenção para gestores de TI e infraestrutura.

O que muda na decisão de infraestrutura digital

O movimento da Odata ilustra como a modernização de data centers vai além da simples ampliação de capacidade. A escolha de tecnologias de refrigeração impacta diretamente o custo total de propriedade, a previsibilidade de despesas operacionais e o atendimento a requisitos regulatórios e ambientais. Para empresas que avaliam migrar sistemas para a nuvem, contratar colocation ou expandir operações digitais, a análise da infraestrutura térmica e hídrica dos provedores se torna tão relevante quanto critérios tradicionais como conectividade, SLA (acordo de nível de serviço) e segurança física.

Além disso, a presença de fabricação local e a integração de soluções de refrigeração inovadoras podem ser diferenciais competitivos na hora de negociar contratos de longo prazo, especialmente em setores sujeitos a auditorias ambientais ou metas de redução de consumo de recursos naturais. Gestores públicos e privados precisam ponderar não apenas o preço, mas a resiliência, a sustentabilidade e a capacidade de adaptação tecnológica dos parceiros de infraestrutura digital.

Retrato editorial realista de Ricardo Alário, CEO da Odata.
Ricardo Alário, CEO da Odata, destacando o investimento de US$ 630 milhões em refrigeração líquida para preparar a América Latina à próxima geração digital.

O investimento de US$ 630 milhões da Odata, conforme divulgado pelo IT Forum, marca um novo patamar de exigência no mercado latino-americano de data centers. Para organizações que operam em regiões de clima desafiador ou com pressões por sustentabilidade, acompanhar a evolução das tecnologias de refrigeração e a capacidade de resposta dos fornecedores pode ser o fator que define a continuidade dos negócios diante do crescimento exponencial da demanda digital.

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