# Nova regulamentação de bloqueio de chamadas desafia equilíbrio entre segurança e continuidade dos serviços empresariais

> Nova regulamentação de bloqueio de chamadas traz desafios para empresas, que temem interrupções e custos. Entenda os impactos para operações B2B.

Publicado em 03/11/2026 · Atualizado em 03/11/2026 · Informativo
ATLAS · Tech & Business Review, portal editorial da Upnetix · https://atlas.upnetix.com.br/nova-regulamentacao-de-bloqueio-de-chamadas-desafia-equilibrio-entre/

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O avanço da Medida Provisória nº 1.396/2026, que propõe novas regras para autenticação, identificação e bloqueio de chamadas telefônicas e mensagens, coloca em xeque uma crença comum no mercado empresarial: a de que medidas de combate a fraudes sempre favorecem a operação das empresas. O texto, que recebeu 49 emendas no Congresso Nacional, escancara uma tensão real entre a necessidade de proteger consumidores e a garantia de continuidade operacional para negócios que dependem de comunicações ativas. A discussão, liderada por entidades como a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), evidencia que a busca por segurança pode, se mal calibrada, impor custos inesperados e até paralisar atividades essenciais.

![Executivos brasileiros em reunião discutindo regulamentação de telecomunicações em ambiente corporativo moderno.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/11/post47208-img1-intro.webp)

Reunião corporativa analisando os impactos da Medida Provisória nº 1.396/2026 na operação das empresas brasileiras.

## O que muda com a nova Medida Provisória

Segundo análise publicada pelo Mobile Time, a Medida Provisória 1.396/2026 traz uma série de exigências para autenticação e bloqueio de chamadas, visando coibir fraudes e o uso abusivo de canais telefônicos. Entre as medidas propostas estão a centralização de informações de numeração, mecanismos de identificação de chamadas e critérios para bloqueio de números considerados suspeitos.

O texto original da MP, no entanto, foi alvo de críticas de setores empresariais, especialmente de empresas de software, contact centers, plataformas de CRM e provedores de comunicação em nuvem. O principal temor é que a regulamentação, ao endurecer o combate a fraudes, acabe atingindo operações legítimas, bloqueando canais essenciais para atendimento ao cliente, cobranças e suporte técnico.

De acordo com a ABES, o risco não é apenas teórico. Um bloqueio indevido de 15 dias, por exemplo, pode resultar em perda de receita, descumprimento de contratos e danos à reputação de empresas que dependem de comunicação ativa com clientes e parceiros. O impacto pode ser ainda mais severo para pequenas e médias empresas, que possuem menos recursos para adaptação tecnológica e contingência.

## Emendas tentam equilibrar segurança e continuidade operacional

Para mitigar esses riscos, entidades do setor encaminharam sugestões ao Congresso. Segundo o Mobile Time, das nove propostas apresentadas pela ABES, duas foram incorporadas pela deputada Bia Kicis (PL-DF) nas Emendas 48 e 49. A Emenda 48 propõe salvaguardas contra bloqueios indevidos, como notificação prévia, apresentação dos dados que justificam o bloqueio, prazo mínimo de 24 horas para manifestação da empresa e revisão da decisão em até 48 horas. O bloqueio imediato ficaria restrito a casos com indícios concretos de fraude.

Já a Emenda 49 reforça a proteção de dados na base centralizada de numeração, exigindo conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), proibindo o uso publicitário das informações e determinando a verificação da titularidade da marca antes da exibição de logotipos. O objetivo é evitar o uso indevido da identidade das empresas e proteger consumidores contra fraudes de identidade.

Outras emendas sugeridas buscam criar exceções para comunicações de segurança, prever tratamento diferenciado para chamadas autenticadas e estabelecer prazos adequados para adaptação tecnológica. Segundo a ABES, esses ajustes são essenciais para evitar que a regulamentação acabe penalizando atividades regulares e essenciais à economia digital.

![Operadores de call center trabalhando em cabines individuais com equipamentos de telecomunicações modernos.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/11/post47208-img2-meio-1.webp)

Call center brasileiro que pode ser afetado pelo bloqueio indevido de chamadas previsto na nova regulamentação.

## Custos operacionais e riscos para empresas

O impacto financeiro das novas regras é uma das principais preocupações do setor. A necessidade de adequação de sistemas, processos e contratos pode elevar significativamente os custos operacionais, especialmente para empresas menores. A ABES alerta que exigências sem um período de transição adequado podem comprometer a viabilidade de negócios que dependem de comunicação ativa, como plataformas de CRM e contact centers.

Além disso, há questionamentos sobre a delimitação das competências da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em relação a empresas que não prestam serviços de telecomunicações, mas utilizam canais de comunicação em suas operações. O custeio da base centralizada de numeração e a participação das empresas originadoras na sua governança também são pontos de debate ainda sem consenso.

O Mobile Time destaca que a preocupação com bloqueios indevidos não é exclusiva de grandes empresas. Pequenas e médias organizações, que muitas vezes não dispõem de equipes jurídicas ou técnicas robustas, podem ser especialmente vulneráveis a decisões automáticas ou pouco transparentes de bloqueio.

## O contra-argumento: proteção do consumidor e combate à fraude

Por outro lado, defensores da regulamentação mais rígida argumentam que o aumento das fraudes e das chamadas abusivas exige respostas firmes do poder público. O objetivo central da MP é proteger consumidores de práticas como o uso indevido de números, tentativas de golpe e invasão de privacidade. Para esses atores, flexibilizar demais as regras pode abrir brechas para que atividades fraudulentas continuem ocorrendo sob o disfarce de operações legítimas.

O próprio texto da MP e as discussões no Congresso refletem esse dilema: como garantir que medidas de segurança não se tornem obstáculos à atividade econômica, mas também não deixem de proteger o consumidor. A busca por equilíbrio é o ponto central do debate.

Marcelo Almeida, diretor de relações governamentais da ABES, resume a posição do setor empresarial: “O desafio não é escolher entre segurança e atividade econômica, mas construir regras que garantam ambas”. A frase, publicada no Mobile Time, sintetiza o impasse vivido por empresas e reguladores.

## O que ainda não se sabe e as incertezas para o setor

![Diagrama mostrando o processo de autenticação e bloqueio de chamadas conforme a nova regulamentação brasileira.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/11/post47208-img3-meio-2.webp)

Fluxo de autenticação e bloqueio de chamadas conforme as emendas 48 e 49 para evitar bloqueios indevidos e proteger dados empresariais. Apesar do avanço das discussões e da incorporação de algumas emendas, há pontos críticos ainda sem definição clara. Não está estabelecido, por exemplo, como será feita a governança da base centralizada de numeração, quem arcará com os custos de sua manutenção e qual será o papel das empresas originadoras de chamadas nesse processo.

Outra incerteza relevante diz respeito à implementação tecnológica das novas regras. A velocidade com que as empresas precisarão adaptar seus sistemas, a transparência dos critérios de bloqueio e os mecanismos de revisão de decisões ainda dependem de regulamentação posterior da Anatel e de ajustes no texto legal.

Também não há consenso sobre o impacto real das medidas sobre a redução de fraudes e chamadas abusivas. Embora o objetivo seja claro, a eficácia das ferramentas propostas dependerá da capacidade de distinguir com precisão entre operações legítimas e atividades fraudulentas, algo que, na prática, pode ser mais complexo do que o previsto.

## Implicações práticas para empresas e o contexto de Manaus

Para empresas que operam em regiões como Manaus, onde a infraestrutura de comunicação enfrenta desafios logísticos e de disponibilidade, o risco de bloqueios indevidos pode ser ainda mais crítico. Organizações que dependem de canais telefônicos para atendimento, vendas ou suporte técnico podem sofrer prejuízos significativos caso tenham seus números bloqueados sem aviso ou justificativa adequada.

Além disso, a necessidade de conformidade com novas regras de autenticação e proteção de dados pode exigir investimentos em tecnologia e processos, pressionando especialmente empresas de menor porte. A adaptação a prazos curtos e a eventuais custos adicionais de governança da base centralizada de numeração podem impactar a competitividade de negócios locais e regionais.

Em um cenário de crescente digitalização e dependência de canais remotos, garantir a continuidade operacional passa a ser tão importante quanto proteger o consumidor de fraudes. O debate sobre a MP 1.396/2026 evidencia que decisões regulatórias podem ter efeitos diretos sobre a capacidade das empresas de manter seus serviços ativos, cumprir contratos e preservar sua reputação no mercado.

O desfecho da tramitação da Medida Provisória e a regulamentação posterior definirão o grau de segurança jurídica e operacional para empresas que atuam em setores críticos da economia digital. Para gestores e decisores, acompanhar de perto essas mudanças e avaliar os riscos de bloqueio e interrupção de serviços será fundamental para garantir a resiliência das operações em um ambiente regulatório em transformação.

![Pequeno empresário brasileiro preocupado ao telefone analisando dados financeiros no laptop.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/11/post47208-img4-fechamento.webp)

Pequenas e médias empresas enfrentam riscos de perda de receita e impacto operacional devido ao bloqueio indevido de chamadas previsto na nova MP 1.396/2026. O debate em torno da MP 1.396/2026 deixa claro que, para empresas que dependem de comunicação ativa, a infraestrutura de conectividade e a capacidade de resposta a bloqueios indevidos se tornam fatores estratégicos. Em regiões como Manaus, onde a disponibilidade de canais alternativos pode ser limitada, antecipar adaptações e investir em soluções resilientes pode ser a diferença entre manter a operação e enfrentar prejuízos irreparáveis diante de um bloqueio inesperado.

Fonte: https://atlas.upnetix.com.br/nova-regulamentacao-de-bloqueio-de-chamadas-desafia-equilibrio-entre/ · ATLAS, portal editorial da Upnetix (Manaus, Brasil) · uso com citação obrigatória.
