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Investimento em infraestrutura brasileira bate recorde, mas segue distante dos padrões globais
Brasil alcança R$ 280,4 bilhões em investimentos em infraestrutura em 2025, segundo a EY-Parthenon e Abdib, mas taxa em relação ao PIB segue bem abaixo de países como China e Vietnã. Desafios macroeconômicos e dependência do setor privado limitam avanço necessário para competitividade.

O investimento em infraestrutura no Brasil atingiu a marca de R$ 280,4 bilhões em 2025, estabelecendo um novo recorde na série histórica iniciada em 2010. Os dados são do Barômetro da Infraestrutura, elaborado pela EY-Parthenon em conjunto com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), e divulgados pelo TI Inside. Apesar do crescimento real de 3,2% em relação ao ano anterior, o volume investido ainda representa uma fração modesta quando comparado ao cenário internacional.

Taxa de investimento: avanço tímido frente ao PIB
O principal indicador de intensidade do investimento em infraestrutura, a relação entre a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e o Produto Interno Bruto (PIB), encerrou 2025 em 16,8%. Esse percentual representa uma leve queda em relação aos 16,9% de 2024 e está ainda mais distante dos 17,8% registrados no primeiro trimestre do ano anterior. No recorte global, o Brasil apresenta uma defasagem significativa: países como China e Vietnã destinam, respectivamente, 45% e 30% de seu PIB a investimentos em infraestrutura, de acordo com o mesmo levantamento.
O contraste evidencia o desafio brasileiro em ampliar sua capacidade de investimento para patamares compatíveis com economias que priorizam a modernização de suas bases produtivas. A diferença percentual não apenas ilustra uma distância estatística, mas reflete diretamente na competitividade e na eficiência operacional das empresas que dependem de infraestrutura robusta para suas atividades diárias.
Setores críticos e o papel do investimento privado
Segundo o relatório da EY-Parthenon e Abdib, a maior lacuna de investimento está concentrada nos segmentos de transporte, logística e saneamento básico. O sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura, Gustavo Gusmão, destaca que o país precisaria investir anualmente, ao longo de dez anos, cerca de R$ 225 bilhões a mais do que atualmente para suprir o déficit acumulado. Ele aponta que “o setor privado não será capaz de suprir sozinho essa necessidade adicional de recursos”.
O levantamento mostra que, em 2025, o setor privado respondeu por 80% do total investido. Esse protagonismo privado, embora positivo para a continuidade dos projetos, evidencia a limitação do modelo atual diante da magnitude das demandas nacionais. O volume de recursos já contratado e os projetos em estruturação indicam que a iniciativa privada continuará liderando o esforço, mas sem a participação mais ativa do setor público, a expansão necessária dificilmente será atingida.
Gusmão sugere que o aumento dos investimentos públicos, seja por aplicação direta, concessões ou Parcerias Público-Privadas (PPPs), é indispensável para destravar gargalos históricos. O executivo ressalta que “esse é um dos grandes desafios para a expansão dos investimentos em infraestrutura”.

Ambiente macroeconômico e entraves ao crescimento
O cenário econômico global, marcado por desaceleração, pressões inflacionárias e instabilidade geopolítica, tem imposto desafios adicionais ao setor de infraestrutura brasileiro. O primeiro semestre de 2026 foi caracterizado por volatilidade nos preços de commodities, tensões comerciais e impactos de conflitos internacionais, segundo análise da EY-Parthenon.
No plano doméstico, o PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, e 1,8% frente ao mesmo período de 2025. Os setores de agropecuária, indústrias extrativas, construção civil e consumo das famílias puxaram o resultado, mas o ritmo ainda é considerado moderado. O ambiente de juros elevados, incertezas externas e maior cautela nas decisões de investimento continuam freando uma retomada mais vigorosa. Gusmão observa que “o resultado indica resiliência relativa da atividade no início do ano, mas ainda dentro de um quadro de crescimento moderado”.
O setor de infraestrutura é especialmente sensível às taxas de juros, pois projetos de grande porte demandam financiamentos de longo prazo. O ciclo restritivo da política monetária, com a taxa Selic em patamares elevados, dificulta a viabilização financeira de novos empreendimentos. Para que haja espaço para cortes de juros, o mercado aguarda maior disciplina fiscal e controle do endividamento público, que cresce ano após ano.
Comparativo internacional: onde o Brasil fica para trás
O distanciamento do Brasil em relação a outros mercados emergentes e desenvolvidos não se restringe ao volume absoluto de investimentos, mas à sua proporção em relação ao PIB. Enquanto a China mantém uma política agressiva de investimentos, alocando 45% do PIB em infraestrutura, o Vietnã segue com 30%. Esses países têm conseguido transformar investimento em ganhos de produtividade, integração logística e atração de novos negócios.
No Brasil, a estagnação da taxa FBCF/PIB em torno de 16% limita a capacidade do país de acompanhar tendências globais de digitalização, automação e integração de cadeias produtivas. O relatório da EY-Parthenon e Abdib sugere que, sem um salto qualitativo e quantitativo nos investimentos, o país corre o risco de ampliar sua defasagem em relação a concorrentes internacionais, com impacto direto na competitividade das empresas instaladas no território nacional.
O baixo investimento em infraestrutura impacta diretamente a eficiência operacional das empresas, aumentando custos logísticos, reduzindo a previsibilidade e limitando o acesso a serviços essenciais como conectividade de alta velocidade, energia confiável e saneamento adequado. Para organizações que operam em regiões estratégicas, como o Polo Industrial de Manaus, a carência de infraestrutura pode representar um gargalo crítico para expansão e inovação.

O que muda para empresas e gestores: riscos e oportunidades
Para empresas e gestores públicos, o cenário traçado pelo Barômetro da Infraestrutura indica a necessidade de maior cautela e planejamento estratégico ao considerar investimentos ou expansão de operações. A dependência do setor privado para suprir a maior parte do investimento significa que projetos de infraestrutura podem enfrentar atrasos, custos elevados e incertezas quanto à entrega de serviços essenciais.
Ao mesmo tempo, a pressão por modernização e digitalização dos processos empresariais aumenta a demanda por conectividade estável, redes de dados seguras e soluções de infraestrutura digital. Em regiões como Manaus, onde o acesso pode ser mais restrito e os desafios logísticos são acentuados, a escolha de parceiros que ofereçam soluções robustas, com SLA garantido e suporte local, torna-se um diferencial competitivo.
O ambiente macroeconômico instável e a limitação de recursos públicos impõem que as empresas avaliem cuidadosamente o risco de indisponibilidade ou degradação de serviços críticos. Projetos que dependem de infraestrutura de telecomunicações, energia ou logística precisam ser estruturados considerando redundância, flexibilidade e capacidade de adaptação a cenários adversos.
Perspectivas e próximos passos para a infraestrutura empresarial
O avanço do investimento em infraestrutura no Brasil, embora significativo em termos absolutos, ainda não é suficiente para aproximar o país dos padrões internacionais. A análise do Barômetro da Infraestrutura, divulgada pelo TI Inside, reforça que o salto necessário depende de maior participação do setor público e de um ambiente macroeconômico mais favorável.
Para empresas que operam em setores críticos ou em regiões com desafios logísticos, como o Polo Industrial de Manaus, a atenção à qualidade e à disponibilidade da infraestrutura deve ser redobrada. A escolha de fornecedores capazes de garantir estabilidade, suporte local e soluções sob medida pode ser o fator decisivo para mitigar riscos e sustentar o crescimento em um ambiente de incertezas.

Em um contexto em que o investimento público avança lentamente e o setor privado assume a linha de frente, a capacidade de antecipar gargalos e investir em infraestrutura digital resiliente é o que diferencia organizações preparadas para a próxima década de quem ficará à margem da transformação produtiva.
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