IA já responde por 28% dos incidentes internos em empresas e expõe falhas de visibilidade, aponta pesquisa global

IA é responsável por 28% dos incidentes internos em empresas, segundo pesquisa da Trellix. Falhas de visibilidade e resposta lenta elevam riscos e custos.

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IA já responde por 28% dos incidentes internos em empresas e expõe falhas de visibilidade, aponta pesquisa global

Levantamento da Trellix mostra que quase todas as organizações já sofreram incidentes ligados à inteligência artificial, com custos médios de US$ 2,4 milhões por caso. Falta de visibilidade e resposta lenta ampliam o risco para empresas.

por Atlas Upnetix Review Team · 19 de outubro, 2026 · 7 min de leitura
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O avanço da inteligência artificial (IA) nas operações corporativas desafia uma crença confortável do mercado: a de que a automação, por si só, aumenta a segurança e a eficiência dos processos internos. Dados recentes sugerem que, ao contrário, a adoção acelerada de IA tem ampliado a superfície de risco, especialmente quando o monitoramento e a visibilidade sobre o uso dessas ferramentas não acompanham o ritmo da inovação.

Grupo de CISOs brasileiros analisando relatórios de segurança em sala de reuniões corporativa moderna.
Pesquisa global revelou que 95% dos CISOs enfrentaram incidentes de segurança relacionados a IA nos últimos 12 meses, destacando a crescente preocupação no mercado brasileiro.

Incidentes ligados à IA já são maioria e impactam o bolso

Segundo pesquisa global conduzida pela Trellix e publicada pelo CISO Advisor, 95% dos 600 CISOs ouvidos relataram ao menos um incidente de segurança relacionado a sistemas de IA ou autônomos nos últimos 12 meses. O estudo, realizado pela Vanson Bourne, incluiu 40 profissionais do Brasil, reforçando que o fenômeno não se restringe a mercados mais maduros.

Em média, as ocorrências ligadas à IA representaram 28% dos episódios de risco interno reportados. O custo médio por incidente provocado por agentes internos chegou a US$ 2,4 milhões, segundo o relatório Mind of the CISO: The New Insider. Entre as consequências mais frequentes, 56% das organizações relataram perda de dados, 49% enfrentaram interrupções operacionais e 48% sofreram violações regulatórias ou legais.

Esses números desafiam a ideia de que o maior perigo ainda vem de ameaças externas: a IA, ao ser incorporada ao cotidiano corporativo, se tornou vetor relevante de incidentes internos, seja por erro, má configuração ou uso malicioso.

Visibilidade limitada: o ponto cego da segurança moderna

O levantamento da Trellix revela um consenso incômodo entre os líderes de segurança: 63% afirmam não ter visibilidade suficiente sobre como funcionários utilizam ferramentas de IA. Essa falta de clareza dificulta a identificação de ações indevidas ou de brechas que podem ser exploradas por insiders ou agentes externos com acesso privilegiado.

Além disso, 99% dos entrevistados reconhecem a necessidade de ampliar o monitoramento de usuários, dispositivos e ambientes associados a riscos internos. O relatório destaca que 78% dos CISOs já incluem agentes de IA, sistemas autônomos e identidades de máquinas na definição de risco interno, sinalizando uma ampliação do escopo tradicional de segurança.

O tempo médio para detectar um episódio de risco interno é de sete horas, e a resposta demanda outras oito. Como resume David Soto, CISO da Trellix, “um intervalo de 15 horas entre a detecção e a resposta não é apenas uma lacuna; é um convite aberto”.

Gráfico de pizza mostrando que 28% dos incidentes internos são causados por IA, em dashboard corporativo.
Incidentes ligados à IA representam 28% dos episódios de risco interno reportados pelas empresas, segundo pesquisa global da Trellix.

Automação e IA: parte do problema e da solução

Apesar de a IA ser apontada como vetor de risco, o próprio relatório da Trellix indica que 99% dos CISOs consideram IA e automação necessárias para gerenciar riscos internos nos próximos 12 a 24 meses. Isso sugere uma ambiguidade: a tecnologia que amplia o risco também é vista como essencial para mitigá-lo, desde que implementada com controles adequados.

Dentro dessa lógica, a Trellix lançou o Trellix Wise for Private Cloud, uma solução de núcleo de IA local para Centros de Operações de Segurança (SOC) baseada em agentes. O objetivo é investigar todos os alertas, emitir conclusões auditáveis e orientar respostas rápidas, inclusive em ambientes híbridos ou fisicamente isolados. O diferencial, segundo a empresa, está na capacidade de conectar telemetria de agentes de IA e fontes tradicionais, acessando dados onde estão armazenados, sem exigir a criação de novos data lakes.

Rodrigo Buosi, country manager da Trellix no Brasil, resume o desafio: “As organizações precisam aproveitar a velocidade da inteligência artificial sem perder a visibilidade sobre o que acontece em seus próprios ambientes”.

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O contra-argumento: IA não é vilã, mas exige maturidade

Entre especialistas e fornecedores, há quem argumente que o problema não está na IA em si, mas na falta de maturidade dos processos de governança e segurança das empresas. O relatório da Trellix, embora não traga contrapontos explícitos, sugere que a maioria das organizações ainda está ajustando políticas, controles e ferramentas para lidar com o novo cenário.

Críticos desse diagnóstico alertam que a ênfase em incidentes ligados à IA pode mascarar falhas mais amplas de gestão de risco e cultura organizacional. Para eles, a tecnologia apenas expõe, em velocidade maior, vulnerabilidades já existentes, como permissões excessivas, falta de segmentação de acesso e monitoramento insuficiente.

Analista de segurança cibernética monitora alertas de IA em Centro de Operações de Segurança.
Falta de visibilidade sobre o uso de IA em ambientes corporativos é apontada por 63% dos líderes de segurança, dificultando a identificação de riscos internos.

Por outro lado, a pesquisa evidencia que a maioria dos CISOs já reconhece a necessidade de investir em detecção e resposta específicas para riscos associados à IA, com 41% planejando priorizar esse tipo de investimento nos próximos dois anos. Isso indica um movimento de amadurecimento, ainda que reativo.

O que ainda não se sabe: zonas cinzentas e desafios para empresas brasileiras

Apesar do consenso sobre o aumento dos riscos internos, o estudo da Trellix não detalha quais tipos de incidentes ligados à IA são mais frequentes, nem diferencia entre falhas acidentais, uso indevido ou ataques intencionais. Também não há dados públicos sobre a distribuição desses incidentes por setor ou porte de empresa, especialmente no contexto brasileiro.

Outro ponto em aberto é o impacto regulatório: embora 48% das empresas tenham relatado violações legais, o relatório não especifica quais legislações foram afetadas, nem como as autoridades estão reagindo a incidentes envolvendo IA. No Brasil, a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em casos de vazamento ou uso indevido de IA ainda é tema de debate entre advogados e gestores de TI.

Para as empresas do Polo Industrial de Manaus e de outros polos industriais, que operam em ambientes altamente regulados e com exigências rigorosas de compliance, essas incertezas elevam o risco de exposição financeira e reputacional. A falta de visibilidade e a resposta lenta podem resultar não apenas em multas, mas em paralisações críticas da operação.

Implicações práticas: o que muda na decisão de infraestrutura e conectividade

O cenário descrito pelo estudo da Trellix deixa claro que confiar apenas em controles tradicionais já não é suficiente para proteger operações que incorporam IA em larga escala. Para empresas que dependem de disponibilidade contínua, baixa latência e monitoramento em tempo real, como indústrias, operadores logísticos e órgãos públicos –, a infraestrutura de rede precisa ser capaz de suportar soluções de detecção e resposta automatizadas, além de garantir visibilidade ponta a ponta.

No contexto de Manaus, onde a conectividade pode ser afetada por desafios geográficos e logísticos, a escolha de parceiros que ofereçam fibra dedicada, SLA garantido e suporte local se torna ainda mais estratégica. A adoção de IA nas operações só será sustentável se acompanhada de investimentos em redes robustas, capazes de integrar telemetria de múltiplas fontes e suportar o tráfego intenso gerado por sistemas de monitoramento avançados.

Servidor local em data center corporativo com solução de IA Trellix Wise for Private Cloud.
Solução Trellix Wise for Private Cloud integra agentes de IA e telemetria para monitoramento eficiente e resposta rápida a incidentes em ambientes híbridos e isolados.

Em última análise, a pesquisa da Trellix serve de alerta: a velocidade da IA não perdoa atrasos na resposta, e a falta de visibilidade pode transformar um incidente isolado em crise sistêmica. Para quem lidera operações críticas, o próximo passo é garantir que a infraestrutura de conectividade não seja o elo fraco na cadeia de defesa digital.

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