# Fragmentação regulatória eleva custo de cibersegurança em infraestrutura crítica, aponta GSMA

> Fragmentação regulatória em cibersegurança eleva custos para operadoras globais. GSMA estima até US$ 42 bi anuais até 2030. Saiba o impacto para empresas.

Publicado em 25/08/2026 · Atualizado em 25/08/2026 · IA
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O setor de infraestrutura crítica, incluindo cabos submarinos, data centers e redes de telecomunicações, enfrenta um desafio crescente: a multiplicidade de regimes regulatórios de cibersegurança, cada qual com exigências, definições e processos próprios. O resultado é um cenário em que operadores globais precisam manter estruturas de conformidade redundantes, com custos que já ultrapassam dezenas de bilhões de dólares anuais, segundo estudo da GSMA com a Frontier Economics publicado em novembro de 2025.

![Profissionais de cibersegurança trabalhando em centro de operações de telecomunicações.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/08/post18530-img1-intro.webp)

Centro de operações de cibersegurança em operadora móvel brasileira, enfrentando múltiplas demandas regulatórias conforme estudo da GSMA. Essa realidade contraria uma crença confortável do mercado: a de que mais regulação, mesmo que fragmentada, resulta automaticamente em mais segurança. Na prática, a duplicidade de exigências desvia recursos humanos e financeiros da mitigação efetiva de ameaças para o atendimento de obrigações formais, sem ganho proporcional de proteção. O problema, ainda restrito a círculos técnicos e regulatórios, ganha urgência à medida que a infraestrutura digital se torna cada vez mais crítica para operações corporativas e serviços públicos.

## Custos de conformidade superam investimentos em proteção

De acordo com o estudo citado pela GSMA, operadoras móveis já destinam entre US$ 15 e 19 bilhões por ano a atividades essenciais de cibersegurança, com projeção de crescimento para até US$ 40 a 42 bilhões anuais até 2030. O dado, apresentado por Edson Holanda, conselheiro diretor da Anatel, em artigo publicado no Telesíntese, ilustra o peso financeiro da conformidade regulatória: “uma operadora relatou que até 80% do tempo de sua equipe de operações é consumido por auditorias e conformidade, e não por detecção e resposta”.

O impacto não se limita ao setor de telecomunicações. Holanda observa que os mesmos entraves se repetem em data centers, energia, transportes e aviação, à medida que cada setor constrói seu próprio marco regulatório de cibersegurança, sem coordenação internacional. A consequência é a replicação de custos e esforços, sem ganho equivalente de segurança operacional.

## Regimes divergentes: o caso dos cabos submarinos

O exemplo dos cabos submarinos, como o EllaLink, que conecta a Europa ao Brasil, evidencia o problema. Segundo o artigo do Telesíntese, um operador com pontos de presença em diferentes países precisa atender simultaneamente a pelo menos cinco camadas normativas: no Brasil, o R-Ciber (Resolução Anatel nº 740/2020, ampliada pela nº 767/2024); na Europa, o Decreto-Lei n.º 125/2025, que transpõe a Diretiva NIS2; além de normas ISO/IEC, exigências contratuais de clientes globais e, nos Estados Unidos, as novas regras da FCC, vigentes desde novembro de 2025.

Cada regime define incidentes, prazos de notificação, requisitos de evidência e autoridades responsáveis de maneira própria. Quando um incidente envolve dados pessoais, por exemplo, soma-se a obrigação de comunicar à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) no Brasil, conforme previsto na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Na ponta europeia, as penalidades podem chegar a 10 milhões de euros ou 2% do faturamento global anual, segundo a legislação portuguesa.

O International Advisory Body for Submarine Cable Resilience (IAB), fórum internacional lançado em 2024 pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) e pelo International Cable Protection Committee (ICPC), limitou-se à resiliência física dos cabos, sem abordar a camada cibernética. O motivo, segundo o artigo, é a sensibilidade política: Estados tratam informações de incidentes cibernéticos como matéria de inteligência nacional, dificultando a harmonização.

![Embarcação realizando manutenção em cabos submarinos EllaLink no oceano.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/08/post18530-img2-meio-1.webp)

Cabos submarinos EllaLink conectam Brasil e Europa, sujeitos a pelo menos cinco camadas normativas distintas de cibersegurança.

## Padronização técnica: lições do setor móvel

Apesar do cenário fragmentado, há precedentes de harmonização técnica bem-sucedida. O setor de telefonia móvel superou divergências regulatórias por meio do 3GPP (3rd Generation Partnership Project), fórum em que a indústria desenvolve especificações técnicas reconhecidas globalmente pela UIT. A separação funcional, indústria define padrões, UIT chancela, permitiu interoperabilidade sem que países abrissem mão de sua soberania regulatória.

Esse modelo já foi parcialmente estendido à cibersegurança de equipamentos: as especificações de garantia de segurança do 3GPP (SCAS) serviram de base para o NESAS, programa da GSMA, e para o marco europeu de certificação 5G, adotado pela Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA). O fabricante atende a um piso técnico comum, válido como ponto de partida em múltiplos mercados, reduzindo a necessidade de múltiplos processos de certificação.

O desafio maior está na padronização da resposta a incidentes: taxonomia, estrutura de notificação, métricas de severidade e prazos. Nos Estados Unidos, o Cyber Incident Reporting Council identificou 52 obrigações federais distintas de notificação, mapeando divergências em definições e procedimentos. Na União Europeia, o pacote Digital Omnibus propõe um Single-Entry Point, interface única de notificação para múltiplos regimes (NIS2, GDPR, DORA), mas sem atravessar fronteiras de soberania.

## Proposta para infraestrutura crítica: piso técnico comum

A proposta debatida por Edson Holanda é a criação de um piso técnico comum para cada setor de infraestrutura crítica, desenvolvido pela indústria sob governança aberta e adotado por referência pelos reguladores nacionais. O objetivo não é o reconhecimento mútuo de notificações, mas a convergência dos requisitos que disciplinam o processo: taxonomia de incidentes, estrutura mínima do dossiê, métricas de severidade e requisitos de garantia para equipamentos setoriais.

Na prática, o operador continuaria notificando cada autoridade nacional, mas poderia preparar um único aparato de conformidade, adaptável a diferentes mercados. Isso reduziria o custo operacional e liberaria equipes de segurança para atividades de detecção e resposta, em vez de preenchimento de formulários e auditorias redundantes.

O setor de cabos submarinos é apontado como ponto de partida natural, por reunir poucos atores, alta criticidade e regulação já consolidada em algumas jurisdições. A convergência inicial poderia unir o regime brasileiro (R-Ciber) ao europeu (NIS2), sob coordenação da UIT, replicando o modelo do 3GPP para outros setores como data centers, energia e transportes.

![Gráfico de barras mostrando aumento projetado nos custos anuais de cibersegurança para operadoras móveis.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/08/post18530-img3-meio-2.webp)

Custos anuais com cibersegurança nas operadoras móveis globais crescerão de US$ 15-19 bilhões para até US$ 40-42 bilhões até 2030, segundo estudo GSMA.

## Contra-argumentos e limites da harmonização

O principal obstáculo à padronização internacional é a soberania dos Estados sobre informações de incidentes cibernéticos. Segundo o artigo do Telesíntese, a confiança, ou seja, a decisão de admitir fornecedores de determinadas jurisdições em infraestrutura crítica, permanece prerrogativa exclusiva de cada país. Padronização técnica atesta conformidade, mas não substitui o juízo político sobre riscos estratégicos.

Outro ponto de resistência é a preocupação de que a coordenação técnica entre concorrentes possa se converter em coordenação concorrencial, restringindo a competição. O modelo proposto prevê governança formal, participação aberta e consenso auditável para mitigar esse risco.

Por fim, há incertezas sobre a adesão de países com regimes regulatórios muito distintos ou com interesses geopolíticos conflitantes. O artigo reconhece que a convergência não será universal de imediato, mas plurilateral, crescendo por adesão voluntária.

## Implicações para empresas e o contexto brasileiro

Para empresas que operam internacionalmente ou dependem de infraestrutura crítica transfronteiriça, o atual ambiente regulatório implica custos elevados, riscos de não conformidade e dispersão de esforços de segurança. A proposta de padronização técnica, se avançar, pode representar uma redução significativa de custos e maior eficiência operacional, especialmente para organizações que precisam atender múltiplos mercados.

No contexto brasileiro, a posição estratégica do país nas rotas digitais do Atlântico Sul tende a aumentar a relevância do tema. Segundo Edson Holanda, o interesse do Brasil é participar ativamente do desenho desse piso comum, aproveitando o momento de indefinição sobre a arquitetura regulatória internacional após o encerramento do mandato do IAB. Para empresas sediadas em Manaus e no Polo Industrial, a atenção à evolução dessas discussões é fundamental: a capacidade de adaptação regulatória pode se tornar diferencial competitivo em cadeias globais de valor.

Em resumo, a fragmentação regulatória em cibersegurança não é apenas um desafio técnico ou jurídico, mas um fator de custo e risco operacional para empresas de todos os portes. A busca por convergência técnica, inspirada no modelo do 3GPP, aponta um caminho para liberar recursos hoje consumidos por compliance redundante e direcioná-los à proteção efetiva das operações.

![Reunião de especialistas internacionais discutindo regulamentação de cibersegurança para infraestrutura crítica.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/08/post18530-img4-fechamento.webp)

Especialistas internacionais discutem a fragmentação regulatória e desafios para a cibersegurança em infraestrutura crítica, conforme estudo da GSMA. O momento de indefinição regulatória internacional é uma janela rara para que empresas e governos brasileiros influenciem padrões que afetarão seus custos e sua competitividade por anos. Para quem depende de infraestrutura crítica, a capacidade de responder rápido às mudanças regulatórias e integrar requisitos técnicos globais pode ser o divisor entre liderar cadeias digitais ou ficar preso a custos de conformidade que só crescem.

Fonte: https://atlas.upnetix.com.br/fragmentacao-regulatoria-eleva-custo-de-ciberseguranca-em-infraestrutura-critica/ · ATLAS, portal editorial da Upnetix (Manaus, Brasil) · uso com citação obrigatória.
