# Empresas brasileiras investem menos em cibersegurança do que padrão global, aponta Brasscom

> Empresas brasileiras investem 6,4% do orçamento de TI em cibersegurança, abaixo do padrão global, segundo Brasscom. Saiba o que isso significa para o setor B2B.

Publicado em 29/10/2026 · Atualizado em 29/10/2026 · IA
ATLAS · Tech & Business Review, portal editorial da Upnetix · https://atlas.upnetix.com.br/empresas-brasileiras-investem-menos-em-ciberseguranca-do-que-padrao/

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O cenário de cibersegurança nas empresas brasileiras está mudando rapidamente, mas ainda desafia crenças consolidadas sobre a suficiência dos investimentos e o ritmo de amadurecimento do setor. Embora projeções da Brasscom apontem para um volume recorde de R$ 127 bilhões investidos em cibersegurança entre 2026 e 2029, o percentual do orçamento de tecnologia da informação (TI) destinado à proteção digital segue aquém do padrão internacional. Essa distância entre expectativa e prática expõe riscos e pressiona gestores a reavaliar prioridades, especialmente diante da crescente sofisticação das ameaças e da interdependência das infraestruturas críticas.

![Executivo brasileiro analisando dados de cibersegurança em escritório moderno](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post47048-img1-intro.webp)

Affonso Nina, presidente executivo da Brasscom, destaca o desafio do investimento insuficiente em cibersegurança no Brasil, que destina em média 6,4% do orçamento de TI para proteção digital, abaixo do padrão internacional.

## Investimento cresce, mas Brasil ainda destina menos que o recomendado

Segundo o Relatório de Cibersegurança 2026, apresentado pela Brasscom em webinar apoiado pela ABRASECI e pela RNP, os investimentos anuais em cibersegurança no Brasil devem saltar de R$ 25,6 bilhões para R$ 38,2 bilhões entre 2026 e 2029, um crescimento de 49%. O estudo ainda mostra que, entre 2023 e 2025, o aumento já foi de 66%, passando de R$ 13,4 bilhões para R$ 22,2 bilhões. Apesar desse avanço, o país destina, em média, 6,4% dos orçamentos de TI à segurança digital, enquanto o parâmetro internacional citado no levantamento varia entre 8% e 12%.

Esse descompasso, destacado por Affonso Nina, presidente executivo da Brasscom, sugere que o ritmo de investimento precisa acelerar para acompanhar a evolução das ameaças. Nina defende uma abordagem combinando tecnologia, governança e formação de profissionais, diante da crescente organização do cibercrime e da necessidade de resposta rápida a incidentes.

## Maturidade setorial: telecomunicações à frente, governo e educação atrás

A maturidade em cibersegurança varia significativamente entre setores econômicos. Dados do levantamento da VULTUS, baseados no NIST Cybersecurity Framework, apontam que a nota média brasileira é de 1,61 em uma escala de zero a cinco. O setor de telecomunicações lidera com 2,23 pontos, superando tecnologia (1,71), governo (1,05) e educação (0,99). A meta sugerida para o mercado brasileiro é de 3,45 pontos, evidenciando o longo caminho a percorrer.

No contexto internacional, o Brasil melhorou sua pontuação no National Cyber Security Index (NCSI) em 41% entre 2023 e 2025, mas caiu da 54ª para a 55ª posição global. O indicador avalia capacidades nacionais de prevenção, detecção e resposta a incidentes, além de políticas de segurança e gestão de crises. A Brasscom enfatiza que a análise setorial isolada é insuficiente, defendendo uma abordagem integrada para proteger infraestruturas críticas, como telecomunicações e sistemas financeiros, que são interdependentes.

![Gráfico realista mostrando crescimento dos investimentos em cibersegurança no Brasil de 2023 a 2029](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post47048-img2-meio-1.webp)

Investimentos em cibersegurança no Brasil crescerão 49% entre 2026 e 2029, passando de R$ 25,6 bilhões para R$ 38,2 bilhões, segundo relatório da Brasscom.

## Incidentes sobem, mas subnotificação e Shadow AI preocupam

O aumento das notificações de incidentes reforça a dimensão do desafio. Dados do CERT.br apresentados no relatório mostram que notificações relacionadas a aplicações web cresceram de 7.937 em 2024 para 19.965 em 2025, enquanto invasões subiram de 3.100 para 3.729. Esses números, porém, refletem apenas notificações voluntárias e podem estar sujeitos à subnotificação, tornando o quadro potencialmente mais grave.

Outro ponto crítico é a governança de inteligência artificial (IA). Segundo a Brasscom, 87% das empresas brasileiras não possuem políticas formais para uso de IA, o que abre brechas para riscos como Shadow AI (uso de ferramentas não autorizadas), exposição de credenciais e acesso não supervisionado a informações estratégicas. Carmina Hissa, presidente da ABRASECI, alerta que agentes de IA atuam como “colaboradores internos” e precisam ser submetidos a controles de acesso e políticas de segurança. Entre as empresas que já possuem governança de IA, apenas 16% monitoram especificamente o uso de ferramentas não autorizadas.

Apesar dos riscos, o uso de IA e automação em cibersegurança está associado à redução de prejuízos. Dados da IBM citados no levantamento mostram que empresas brasileiras que utilizam amplamente IA e automação têm custo médio de violação de dados 26% menor: R$ 6,5 milhões por ocorrência, contra R$ 8,8 milhões nas que não usam essas tecnologias.

## Formação de profissionais: avanço, mas ainda insuficiente

A qualificação profissional é outro gargalo. O relatório da Brasscom aponta crescimento médio anual de 18,6% no emprego em cibersegurança entre 2019 e 2025, chegando a 8.944 trabalhadores em funções específicas como gerente de segurança de TI e administrador em segurança da informação. No entanto, esse número não inclui analistas de sistemas e engenheiros da computação que atuam na área, sugerindo que a força de trabalho dedicada pode ser maior, mas ainda insuficiente para a demanda.

Michelle Wangham, diretora adjunta de P&D da RNP, destaca que o desafio não é apenas formar mais profissionais, mas desenvolver competências alinhadas à evolução das ameaças. O programa Hackers do Bem, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com a RNP e o Senai-SP, já emitiu mais de 50 mil certificados, mas a necessidade de laboratórios, pós-graduação e experiências práticas persiste. A articulação entre infraestrutura, desenvolvimento tecnológico e qualificação é considerada central para que o país avance em proteção digital.

![Profissionais dos setores de telecomunicações, governo e educação discutindo cibersegurança em reunião](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post47048-img3-meio-2.webp)

O setor de telecomunicações lidera a maturidade em cibersegurança com nota 2,23, seguido por tecnologia, governo e educação, que ainda estão abaixo da meta brasileira de 3,45 pontos.

## Contra-argumentos: investimento suficiente ou risco subestimado?

Há quem argumente que o crescimento dos investimentos e a melhoria nos índices internacionais já colocam o Brasil em trajetória positiva. O aumento de 66% nos aportes entre 2023 e 2025 e o salto de 41% no NCSI são frequentemente citados como sinais de amadurecimento. No entanto, a Brasscom e especialistas do setor alertam que a velocidade das ameaças supera o ritmo dos avanços. O fato de o percentual do orçamento de TI dedicado à segurança ainda estar abaixo do padrão global e a meta de maturidade setorial estar distante reforçam que o risco de exposição permanece elevado, especialmente para empresas que operam infraestruturas críticas ou lidam com grandes volumes de dados.

Outra incerteza relevante é a subnotificação de incidentes, que dificulta a real dimensão do problema e pode levar a uma falsa sensação de segurança. Além disso, a rápida adoção de IA sem governança formalizada amplia a superfície de ataque, tornando o ambiente corporativo mais vulnerável a ameaças emergentes.

## O que está em jogo para empresas e gestores de TI

Para quem decide em empresas ou no setor público, os números do relatório da Brasscom servem de alerta: investir menos que o recomendado internacionalmente em cibersegurança pode custar caro em caso de incidentes, seja em prejuízo financeiro, seja em danos à reputação e à continuidade dos serviços. Setores como telecomunicações mostram que é possível avançar mais rápido, mas a maturidade média do país ainda está distante do ideal. A ausência de políticas de governança de IA e a carência de profissionais especializados ampliam o risco, especialmente em ambientes de missão crítica.

Em regiões como Manaus, onde a infraestrutura digital sustenta operações industriais e logísticas de grande porte, a dependência de conectividade estável e segura é ainda mais sensível. A integração entre políticas de segurança, adoção de tecnologias de proteção e capacitação de equipes técnicas passa a ser não apenas recomendação, mas condição para operar com resiliência diante de ameaças cada vez mais sofisticadas e interdependentes.

![Painel digital de monitoramento de incidentes de cibersegurança com notificações crescentes](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post47048-img4-fechamento.webp)

Notificações de incidentes de cibersegurança no Brasil aumentaram significativamente, com 19.965 casos relacionados a aplicações web em 2025, conforme dados do CERT.br. O avanço dos investimentos em cibersegurança no Brasil é inegável, mas o descompasso em relação ao padrão global e a persistência de lacunas em governança e formação de profissionais impõem um desafio concreto para empresas e gestores públicos. O risco de subnotificação de incidentes e a rápida adoção de IA sem controles claros ampliam a exposição, especialmente em setores críticos e regiões estratégicas como Manaus. Para quem lidera operações que não podem parar, a próxima decisão passa por avaliar se a infraestrutura e as políticas atuais realmente acompanham o ritmo das ameaças.

Fonte: https://atlas.upnetix.com.br/empresas-brasileiras-investem-menos-em-ciberseguranca-do-que-padrao/ · ATLAS, portal editorial da Upnetix (Manaus, Brasil) · uso com citação obrigatória.
