# Empresas brasileiras avançam na IA, mas ROI e governança travam escala

> Adoção de IA nas empresas brasileiras cresce, mas falta de governança e dificuldade em medir ROI limitam benefícios e escala da tecnologia.

Publicado em 11/09/2026 · Atualizado em 11/09/2026 · IA
ATLAS · Tech & Business Review, portal editorial da Upnetix · https://atlas.upnetix.com.br/empresas-brasileiras-avancam-na-ia-mas-roi-e-governanca/

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O avanço da inteligência artificial (IA) nas empresas brasileiras desafia uma crença confortável do mercado: a de que basta investir em tecnologia para colher resultados concretos. Apesar do ritmo acelerado de adoção e dos investimentos bilionários, a maioria das organizações ainda não consegue comprovar, de forma estruturada, se a IA está realmente agregando valor financeiro ao negócio. A disparidade entre otimismo, prática e maturidade operacional coloca em xeque a sustentabilidade da transformação digital no Brasil.

![Executivos brasileiros debatem dados de inteligência artificial em sala de reunião corporativa moderna.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/09/post38738-img1-intro.webp)

Metade das empresas brasileiras já integra IA em grande parte dos processos, mas ainda há desafios para comprovar o ROI.

## Metade das empresas já integra IA, mas ROI permanece nebuloso

Segundo levantamento da IDC apresentado no SAS Innovate on Tour, metade das empresas brasileiras já atingiu o estágio de integração da IA em grande parte dos processos. O mercado nacional deve movimentar US$ 4,2 bilhões em 2026, somando infraestrutura, software e serviços relacionados. No entanto, esse volume de recursos contrasta com o desafio de mensurar resultados: a pesquisa da Zappts, citada pelo Inforchannel, revela que 55,1% das empresas não possuem qualquer mapeamento estruturado de retorno sobre investimento (ROI) em IA, quase o dobro do registrado no ano anterior.

Apenas 19,8% das organizações conseguem medir o retorno de forma clara e recorrente. Esse dado, exclusivo do estudo da Zappts, indica que a maioria administra agentes de IA sem o mesmo rigor financeiro aplicado à força de trabalho humana. Pablo Augusto, CEO da Zappts, alerta: “Não dá para escalar um modelo híbrido de trabalho sem saber quanto cada agente custa, quanto valor gera e qual é o seu ROI”.

## ROI percebido é alto, mas depende de governança e integração

O cenário não é de todo pessimista. Pesquisa da KPMG citada pelo Startups.com.br aponta que 88% dos executivos brasileiros já percebem retorno sobre os investimentos em IA, especialmente no setor financeiro, e 67% relatam melhoria na qualidade da tomada de decisão. No entanto, o mesmo estudo destaca que as empresas com boa governança, supervisão humana e controles robustos apresentam desempenho de três a seis vezes superior ao das que operam sem estruturas formais.

Esse consenso entre fontes reforça que o próximo desafio não está apenas na adoção da tecnologia, mas na capacidade de orquestrar pessoas, processos, sistemas e dados em torno da IA. O risco, segundo a análise do Startups.com.br, é avançar mais rápido na implantação tecnológica do que na transformação operacional que sustenta resultados duradouros.

## Dados, integração e segurança: os novos gargalos

Se antes a escassez de talentos era o principal entrave, agora segurança da informação e integração com sistemas legados lideram as preocupações. O estudo da Zappts mostra que 13,7% das empresas apontam segurança como maior barreira, seguidas por integração com legados (10,5%). A falta de profissionais caiu drasticamente para 3,2%, mas surge um novo gargalo: especialistas em orquestração de agentes e grandes modelos de linguagem (LLMs) são agora os mais demandados.

![Dashboard digital com métricas em português sobre retorno de investimento em IA nas empresas brasileiras.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/09/post38738-img2-meio-1.webp)

Apenas 19,8% das empresas conseguem medir claramente o ROI da IA, enquanto 55,1% não possuem mapeamento estruturado. Outro ponto crítico é a qualidade dos dados. Manisha Khanna, líder global de marketing de produtos de IA da SAS, destacou ao IT Forum que existe uma diferença entre ter dados e ter dados prontos para IA. Muitas empresas investiram em infraestrutura de dados sem definir claramente casos de uso, o que limita a aplicação prática e o retorno dos projetos.

Além disso, a ausência de políticas de governança é alarmante: 41,9% das empresas admitem não possuir nenhum framework ou regra de segurança e ética para uso de agentes de IA, segundo a Zappts. O fenômeno do Shadow AI, uso de ferramentas fora do controle da TI, cresce à medida que a maioria dos usuários de IA já não pertence à área de tecnologia.

## Escala emperra: da prova de conceito à operação generalizada

Apesar da ampla adoção, poucas empresas conseguem levar a IA para toda a operação. O levantamento da Zappts indica que quase metade do mercado está presa em projetos-piloto ou implementações restritas a áreas específicas. Apenas 13,8% chegaram ao uso generalizado em toda a empresa, patamar praticamente estagnado em relação ao ano anterior.

A autonomia plena dos agentes de IA ainda é exceção: só 3,6% das empresas permitem que agentes executem processos críticos de ponta a ponta sem supervisão humana. Em contrapartida, 36,5% exigem aprovação humana para todas as ações. Esse dado reforça que a transformação dos processos depende não só de tecnologia, mas também de mudanças na organização do trabalho e na definição de responsabilidades.

O impacto sobre o quadro de funcionários é significativo. Segundo a Zappts, 77,3% das empresas preveem ajustes em função da IA nos próximos três anos, incluindo realocação, requalificação e até redução direta de postos de trabalho. Apenas 13,8% esperam aumentar o headcount.

## Contra-argumento: ROI é perceptível, mas a maturidade é o divisor de águas

É importante reconhecer que parte do mercado já percebe ganhos concretos. O estudo da KPMG, citado pelo Startups.com.br, mostra que 91% das empresas usam IA em planejamento financeiro e a maioria relata ROI positivo. No entanto, essa percepção não elimina o problema de fundo: sem inteligência operacional, integração de processos, dados e sistemas, o retorno tende a ser pontual e difícil de sustentar em escala.

![Profissionais de TI brasileiros monitoram integração de sistemas legados e segurança em ambiente corporativo moderno.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/09/post38738-img3-meio-2.webp)

Segurança da informação (13,7%) e integração com sistemas legados (10,5%) são os principais gargalos na adoção da IA. O exemplo da Sicoob Credicitrus, também citado pelo Startups.com.br, ilustra o potencial de ganhos: após seis meses de automação de processos, a cooperativa reduziu em 60% o tempo de resposta aos associados e eliminou milhares de e-mails. Porém, o valor mais estratégico está na capacidade de enxergar e medir todo o fluxo operacional, condição essencial para extrair valor consistente da IA.

## O que ainda não se sabe: métricas, accountability e riscos emergentes

Apesar do avanço, há incertezas relevantes. As fontes divergem sobre o percentual de empresas que realmente conseguem medir o ROI da IA: enquanto a KPMG aponta 88% percebendo retorno, a Zappts revela que só 19,8% medem de forma recorrente. Essa diferença pode estar ligada à definição de ROI, ao setor analisado ou à maturidade dos controles internos.

Outro ponto em aberto é a accountability dos agentes de IA. A supervisão humana continua sendo a regra, mas a tendência é que gestores passem a administrar “frotas de agentes” com autonomia crescente. Isso exige novos mecanismos de rastreabilidade, auditoria e governança, ainda pouco difundidos.

Por fim, o risco do Shadow AI e a falta de gateways de controle expõem as empresas a vazamentos de dados e custos inesperados, especialmente com modelos fundacionais cujo consumo de tokens pode ser imprevisível, como alertou Manisha Khanna ao IT Forum.

## Implicações para empresas: infraestrutura e decisão de negócio

Para organizações que operam em mercados competitivos, como o polo industrial de Manaus, a mensagem é clara: investir em IA sem garantir governança, integração e métricas sólidas é receita para desperdício e risco operacional. A escalada dos agentes digitais exige infraestrutura de dados confiável, conectividade robusta e políticas de segurança que acompanhem a autonomia dos sistemas.

Empresas que conseguirem orquestrar pessoas, processos e tecnologia, com supervisão e accountability, terão vantagem competitiva não apenas pelo uso da IA, mas pela capacidade de medir, ajustar e escalar resultados reais. O desafio está menos em “colocar IA em tudo” e mais em responder: quais processos realmente geram valor, como medir o impacto e quem é responsável por cada decisão automatizada?

![Diagrama realista mostrando a integração de governança, supervisão humana e controles éticos para IA nas empresas brasileiras.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/09/post38738-img4-fechamento.webp)

Empresas com governança e supervisão robustas apresentam desempenho 3 a 6 vezes superior na implementação da IA. O avanço da IA no Brasil mostra que tecnologia sem governança é só custo, e que a próxima fronteira de valor está na infraestrutura capaz de dar visibilidade, controle e escala ao trabalho dos agentes digitais. Para quem lidera operações críticas, a diferença entre resultado e risco pode estar na qualidade do dado, na integração dos sistemas e na capacidade de medir cada passo da transformação.

Fonte: https://atlas.upnetix.com.br/empresas-brasileiras-avancam-na-ia-mas-roi-e-governanca/ · ATLAS, portal editorial da Upnetix (Manaus, Brasil) · uso com citação obrigatória.
