# Conexis propõe licenciamento federal unificado para cabos submarinos no Brasil

> Conexis sugere licenciamento federal unificado para cabos submarinos, visando agilidade e expansão de data centers. Entenda o impacto para empresas.

Publicado em 08/10/2026 · Atualizado em 08/10/2026 · Redes Privadas & Multi-site
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O debate sobre infraestrutura digital no Brasil ganhou um novo capítulo com a proposta da Conexis de unificar, em âmbito federal, o licenciamento para cabos submarinos. A medida, apresentada durante o Data Center World na Futurecom 2026, desafia a crença de que a multiplicidade de instâncias e etapas burocráticas é inevitável para garantir segurança e controle sobre ativos estratégicos de conectividade. Segundo a entidade, a fragmentação atual não só encarece e retarda projetos como pode comprometer a competitividade do país no cenário internacional de processamento e armazenamento de dados.

![Diogo Della Torres falando durante painel no Futurecom 2026](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post46314-img1-intro.webp)

Diogo Della Torres apresenta a proposta da Conexis para unificação do licenciamento federal de cabos submarinos no Brasil, destacando a complexidade burocrática atual.

## O gargalo burocrático dos cabos submarinos

De acordo com Diogo Della Torres, coordenador de Infraestrutura da Conexis, a implantação de cabos submarinos no Brasil enfrenta uma série de exigências administrativas que atravessam diferentes esferas de governo. O processo envolve desde o licenciamento ambiental até autorizações municipais, estaduais e federais, além de procedimentos específicos para entrada de equipamentos e atuação de equipes em águas sob jurisdição nacional. Essa multiplicidade, segundo Della Torres, não se limita à instalação: até mesmo reparos em cabos já existentes, que não alteram sua rota, podem exigir uma nova rodada de autorizações.

A proposta da Conexis, apresentada em consulta pública do Ministério das Comunicações, é clara: centralizar e uniformizar o licenciamento, reduzindo etapas e prazos. Para a entidade, que representa grandes operadoras de telecomunicações, a medida é fundamental para destravar investimentos em infraestrutura e acompanhar o ritmo de expansão dos data centers no país.

## Impacto direto na expansão de data centers

A relação entre cabos submarinos e data centers foi destacada no mesmo painel por Rodrigo Radaieski, CTO da Ascenty. Segundo ele, a conectividade precisa ser planejada antes mesmo do início das obras de um novo data center, e depender de uma única rota é um risco operacional inaceitável para grandes projetos. Radaieski defende que a implantação de redes deve prever múltiplas rotas para garantir redundância e resiliência, o que, na prática, significa que o licenciamento de cabos submarinos pode começar um ou dois anos antes da construção de um data center.

Esse alinhamento entre infraestrutura de telecomunicações e projetos de processamento de dados é visto como estratégico para o país. A concentração de pontos de chegada de cabos internacionais em cidades como Fortaleza aumenta a resiliência da rede nacional, permitindo o redirecionamento do tráfego em caso de falhas. No entanto, a burocracia pode se tornar um limitador, atrasando ou até inviabilizando projetos que dependem de agilidade para acompanhar demandas globais de armazenamento e processamento, especialmente com a descentralização de data centers e o avanço da inteligência artificial.

![Instalação de cabo submarino com equipe técnica e embarcação especializada](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post46314-img2-meio-1.webp)

Instalação de cabos submarinos no Brasil envolve múltiplas etapas técnicas e licenças ambientais, conforme descrito pela Conexis.

## O que está em jogo para empresas e setor público

Para organizações que dependem de alta disponibilidade e baixa latência, como bancos, empresas de tecnologia e órgãos governamentais, a lentidão no licenciamento de cabos submarinos representa um risco operacional e financeiro. A necessidade de múltiplas rotas para garantir continuidade de serviços críticos esbarra em processos que podem se arrastar por anos, elevando custos e incertezas. A Conexis argumenta que a simplificação dos trâmites não significa abrir mão de rigor, mas sim alinhar o país às melhores práticas internacionais, onde a agilidade regulatória é vista como fator de competitividade.

O tema também toca diretamente a agenda de políticas públicas. O Ministério das Comunicações já abriu discussões sobre a criação de uma política nacional para cabos submarinos, reconhecendo a importância estratégica desses ativos para a soberania digital e para a integração do Brasil às rotas globais de dados. A proposta da Conexis, portanto, se insere em um contexto mais amplo de revisão regulatória, onde o desafio é equilibrar segurança, transparência e eficiência.

## O contra-argumento: riscos e cautelas

Se por um lado a centralização do licenciamento promete agilidade, por outro, há quem veja riscos em concentrar decisões em uma única instância federal. Críticos argumentam que a diversidade de exigências ambientais e regionais pode ser negligenciada em um processo unificado, comprometendo a proteção de ecossistemas sensíveis e interesses locais. Além disso, a simplificação pode abrir brechas para pressões econômicas prevalecerem sobre critérios técnicos e ambientais.

O próprio histórico regulatório brasileiro mostra que mudanças abruptas podem gerar insegurança jurídica, especialmente em setores estratégicos como o de telecomunicações. A ausência de consenso sobre o modelo ideal de licenciamento indica que a discussão está longe de ser encerrada. A Conexis, no entanto, sustenta que a proposta não elimina controles, mas os racionaliza, tornando o processo mais previsível para investidores e operadores.

![Interior de data center da Ascenty com técnicos e servidores](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post46314-img3-meio-2.webp)

Rodrigo Radaieski, CTO da Ascenty, ressalta a importância da conectividade via cabos submarinos para a expansão e resiliência dos data centers brasileiros.

## O que ainda não se sabe e os próximos passos

Apesar do avanço do debate, ainda não há detalhes sobre como seria estruturado esse licenciamento federal unificado. Não está claro quais órgãos centralizariam as decisões, como seriam tratados os interesses regionais e ambientais, nem quais salvaguardas seriam implementadas para evitar riscos de centralização excessiva. O Ministério das Comunicações segue em consulta pública, mas até o momento não há cronograma definido para a implementação de novas regras.

Outro ponto em aberto é o impacto real da medida sobre os prazos e custos de implantação de cabos submarinos. Embora a Conexis defenda ganhos de eficiência, não há estimativas oficiais sobre quanto tempo ou dinheiro seria economizado com a unificação. A experiência internacional sugere que processos mais ágeis tendem a atrair investimentos, mas o contexto brasileiro, com sua complexidade ambiental e federativa, pode exigir soluções sob medida.

## Implicações para empresas de Manaus e o Polo Industrial

Para empresas instaladas em Manaus e no Polo Industrial, a discussão sobre cabos submarinos pode parecer distante à primeira vista, mas tem implicações diretas sobre a qualidade e a resiliência da conectividade local. A dependência de rotas terrestres longas e vulneráveis aumenta o risco de interrupções e limita o acesso a serviços avançados de nuvem e processamento de dados. A expansão de rotas submarinas e a simplificação do licenciamento podem facilitar a chegada de novas redes e pontos de interconexão, reduzindo latências e ampliando a oferta de soluções digitais para o setor produtivo e o poder público regional.

Em um cenário de transformação digital acelerada, a capacidade de antecipar e mitigar riscos de conectividade se torna diferencial competitivo. Empresas que operam em setores críticos ou que dependem de integração entre unidades remotas precisam avaliar não apenas a disponibilidade, mas também a previsibilidade dos projetos de infraestrutura. A incerteza regulatória, nesse contexto, é um custo oculto que pode comprometer estratégias de expansão, inovação e atendimento a clientes em mercados cada vez mais exigentes.

![Mapa do Brasil destacando Fortaleza como hub de cabos submarinos com múltiplas rotas](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post46314-img4-fechamento.webp)

Concentração dos cabos submarinos em Fortaleza favorece a resiliência da rede nacional, mas a burocracia atual pode limitar a expansão da infraestrutura. O debate sobre o licenciamento federal unificado para cabos submarinos deixa claro que a infraestrutura de conectividade não é apenas um tema técnico, mas estratégico para a competitividade do Brasil e para a segurança operacional de empresas e órgãos públicos. Para quem está em Manaus ou em qualquer região distante dos grandes centros, a agilidade e a previsibilidade na expansão das redes podem ser o fator decisivo para viabilizar projetos de transformação digital e garantir acesso a serviços críticos com qualidade e resiliência.

Fonte: https://atlas.upnetix.com.br/conexis-propoe-licenciamento-federal-unificado-para-cabos-submarinos-no/ · ATLAS, portal editorial da Upnetix (Manaus, Brasil) · uso com citação obrigatória.
