Ciena defende política para expansão de backbone de fibra óptica e diversificação de cabos submarinos no Brasil

Ciena defende expansão do backbone de fibra óptica e diversificação de cabos submarinos para atender à demanda de IA no Brasil.

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Ciena defende política para expansão de backbone de fibra óptica e diversificação de cabos submarinos no Brasil

A Ciena aponta que a infraestrutura de fibra óptica brasileira precisa ser modernizada e diversificada para suportar o aumento do tráfego de dados impulsionado pela inteligência artificial, destacando riscos de concentração e gargalos para empresas.

por Atlas Upnetix Review Team · 30 de setembro, 2026 · 8 min de leitura
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O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) e a explosão do tráfego de dados desafiam uma crença confortável do setor corporativo: a de que a infraestrutura de fibra óptica instalada no Brasil é suficiente para suportar o crescimento previsto nos próximos anos. A posição defendida pela Ciena, fornecedora de soluções ópticas de alta capacidade, aponta para um cenário em que confiar apenas na malha existente pode custar caro para empresas e para a economia nacional, especialmente diante da concentração de cabos submarinos e da ausência de políticas públicas específicas para modernização do backbone.

Retrato realista de Fernando Capella em ambiente corporativo durante entrevista.
Fernando Capella, diretor regional da Ciena, destaca a necessidade urgente de modernização da infraestrutura de fibra óptica para suportar o crescimento do tráfego de dados impulsionado pela IA no Brasil.

Demanda por dados impulsionada pela IA pressiona infraestrutura

Segundo entrevista concedida ao TeleTime por Fernando Capella, diretor regional da Ciena no Brasil e no Cone Sul da América Latina, o tráfego de dados gerado por aplicações de IA está prestes a superar o volume de dados tradicionalmente associado ao treinamento de modelos. O executivo destaca que a inferência de IA, ou seja, a execução de tarefas baseadas em modelos já treinados, tende a se tornar o principal vetor de crescimento do tráfego de dados em curto prazo. Isso impacta diretamente redes metropolitanas, de acesso e os provedores de banda larga, exigindo capacidade de transmissão muito superior à disponível atualmente.

Capella ressalta que, embora o Brasil já conte com uma malha extensa de redes ópticas, tanto terrestres quanto submarinas, a escala da demanda prevista para os próximos anos é inédita. O executivo afirma que a infraestrutura atual não está preparada para entregar capacidades na ordem de petabytes por segundo, patamar considerado necessário para suportar data centers de treinamento e inferência de IA em larga escala. “Se estamos falando em instalar data centers de treinamento, estamos falando de uma quantidade de fibra que não temos disponível. Existe uma necessidade de modernização da rede”, afirmou Capella ao TeleTime.

Backbone e cabos submarinos: gargalos e riscos de concentração

A análise da Ciena vai além da necessidade de expansão do backbone terrestre. A empresa defende também a diversificação dos pontos de ancoragem de cabos submarinos ao longo da costa brasileira. Atualmente, a maior parte desses cabos está concentrada em poucos pontos, o que, segundo Capella, representa um risco significativo para a resiliência das comunicações nacionais. O executivo cita como exemplo o recente rompimento de cabos no Oriente Médio, que causou prejuízos econômicos relevantes para os países afetados. “Acredito que certamente há espaço para diversificar, e toda diversificação é benéfica para a resiliência do serviço”, concluiu Capella.

A preocupação com a concentração não é isolada. Diversos especialistas do setor já alertaram para o risco de falhas simultâneas em pontos críticos da infraestrutura, capazes de interromper operações de empresas, órgãos públicos e serviços essenciais. O caso citado pela Ciena, embora específico, ilustra um problema estrutural: a dependência de poucas rotas internacionais pode transformar incidentes localizados em crises sistêmicas, com impactos diretos sobre negócios que dependem de conectividade constante, como bancos, indústrias e plataformas digitais.

Data center moderno com equipamentos ópticos e cabos de fibra em operação.
Infraestrutura de data centers para treinamento e inferência de IA exige capacidades de transmissão muito superiores às disponíveis atualmente na malha óptica brasileira.

Políticas públicas em debate: Redata e Refibra

O debate sobre políticas públicas para infraestrutura de conectividade ganhou novo fôlego com a aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). Para a Ciena, entretanto, o incentivo fiscal aos data centers precisa ser acompanhado de uma política específica para a expansão e modernização do backbone óptico. Capella sugere que o Refibra, proposta de regime especial para investimentos em backbone atualmente em elaboração, pode ser o caminho para viabilizar os investimentos necessários na rede de transporte de dados.

O argumento central é que data centers, por mais modernos que sejam, não conseguem operar em sua plenitude sem uma infraestrutura robusta de conectividade. Ou seja, a política de incentivo à computação de alto desempenho deve ser integrada a medidas que garantam a disponibilidade, a capacidade e a resiliência da rede óptica nacional. A ausência de uma abordagem coordenada pode resultar em gargalos que limitam o potencial de crescimento de setores estratégicos, especialmente aqueles que dependem de processamento massivo de dados, como finanças, logística, indústria e governo.

Contra-argumentos e o que ainda não se sabe

Apesar da defesa enfática por parte da Ciena, há quem argumente que o Brasil já avançou consideravelmente na expansão de sua infraestrutura óptica, tanto em backbone quanto em cabos submarinos. De fato, o país conta com uma das maiores malhas de fibra óptica da América Latina e tem recebido investimentos constantes em novos cabos internacionais. No entanto, o ponto de divergência está na suficiência dessa infraestrutura diante da escalada do tráfego impulsionada por IA e aplicações em nuvem.

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Pontos de ancoragem concentrados de cabos submarinos na costa do Brasil.
Concentração da maioria dos cabos submarinos em poucos pontos da costa brasileira representa risco para a resiliência das comunicações nacionais, segundo a Ciena.

Outro aspecto relevante é a incerteza sobre o ritmo de adoção de IA pelas empresas brasileiras. Embora a demanda por dados esteja crescendo, não há consenso sobre quando, e em que intensidade, a infraestrutura atual se tornará insuficiente. A própria Ciena reconhece que a previsão de crescimento é baseada em tendências globais e projeções de uso, o que deixa margem para variações conforme o contexto local. Além disso, o impacto de políticas como Redata e Refibra ainda depende de sua regulamentação e da efetiva adesão do setor privado aos novos incentivos.

Implicações práticas para empresas: custo, risco e decisão de compra

Para empresas que dependem de conectividade de alta disponibilidade, a análise da Ciena serve como alerta: confiar apenas na infraestrutura existente pode expor operações críticas a riscos de interrupção, latência elevada e gargalos de banda. O custo de uma eventual indisponibilidade, seja por falha em cabos submarinos, seja por saturação do backbone, pode ser muito superior ao investimento preventivo em soluções de conectividade dedicadas, redundância de rotas e contratação de links com SLA garantido.

No contexto de Manaus e do Polo Industrial da região, a dependência de rotas longas e de poucos pontos de entrada e saída de dados torna ainda mais relevante a discussão sobre diversificação e modernização da infraestrutura. Empresas instaladas em regiões afastadas dos grandes centros urbanos enfrentam desafios adicionais de latência e disponibilidade, o que reforça a necessidade de avaliar criteriosamente a qualidade e a resiliência dos serviços contratados.

Além disso, a tendência de distribuição de operações de IA e processamento em múltiplos data centers exige que as organizações repensem sua arquitetura de rede, priorizando soluções que permitam escalabilidade, flexibilidade e integração entre diferentes pontos de presença. A decisão de compra de conectividade deixa de ser apenas uma questão de custo por megabit e passa a incorporar critérios como redundância, latência, suporte local e capacidade de adaptação a cenários de crescimento acelerado.

Em síntese, a defesa da Ciena por políticas de incentivo à expansão do backbone óptico e à diversificação de cabos submarinos evidencia que o debate sobre infraestrutura de conectividade está longe de ser apenas técnico. Trata-se de uma questão estratégica para a competitividade das empresas brasileiras em um cenário de transformação digital acelerada, no qual a resiliência e a capacidade de adaptação da rede podem determinar quem sobrevive e quem fica pelo caminho.

Diagrama realista do fluxo de dados entre infraestrutura terrestre e submarina influenciado pela IA.
Fluxo crescente de dados gerado pela inteligência artificial pressiona a expansão do backbone de fibra óptica e a diversificação dos cabos submarinos no Brasil, conforme defendido pela Ciena.

O alerta lançado pela Ciena deixa claro que, para empresas que operam com IA, nuvem e aplicações críticas, a infraestrutura de backbone e a diversificação de rotas internacionais não são apenas temas de planejamento de longo prazo. São fatores que, se negligenciados, podem transformar um incidente pontual em prejuízos milionários e perda de competitividade. Nesse contexto, avaliar a arquitetura de conectividade, a resiliência dos links e a proximidade com pontos de interconexão torna-se um passo obrigatório para quem não pode correr riscos em um ambiente de tráfego crescente e imprevisível.

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