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CEO da Brisanet alerta para risco de blackout de Internet nas zonas rurais até 2030
José Roberto Nogueira, CEO da Brisanet, prevê que o Brasil pode enfrentar um apagão de Internet fixa e móvel em áreas rurais e estradas, caso não haja investimentos em atualização de redes. O alerta foi feito durante painel na Futurecom 2026 e acende sinal amarelo para empresas e gestores públicos que dependem de conectividade no interior.

O futuro da conectividade nas zonas rurais brasileiras entrou em pauta após o alerta de José Roberto Nogueira, CEO da Brisanet, durante painel na Futurecom 2026. Segundo ele, o país pode enfrentar um blackout de Internet fixa e móvel nessas regiões até 2030, caso não haja investimentos robustos em atualização e ampliação das redes. A advertência, publicada pelo Mobile Time, coloca em evidência um problema que afeta diretamente empresas, órgãos públicos e operações industriais que dependem de conectividade estável fora dos grandes centros urbanos.

Expansão acelerada e o gargalo da infraestrutura
Na última década, o Brasil testemunhou uma rápida expansão das redes de Internet fixa e móvel pelo interior, impulsionada principalmente por provedores regionais de pequeno porte. Essa movimentação foi fundamental para levar banda larga a cidades pequenas, áreas rurais e estradas, reduzindo a exclusão digital e abrindo novas oportunidades de negócio e desenvolvimento social. No entanto, conforme destacou Nogueira, essa expansão ocorreu em um ambiente de forte competição e margens de lucro apertadas, especialmente em localidades com baixo poder aquisitivo.
Segundo o executivo, o cenário atual é de excesso de competição entre provedores, o que pressiona preços e dificulta a obtenção de recursos para reinvestimento. “Hoje estamos no auge, com excesso de competição. Mas haverá um blackout da banda larga fixa em áreas rurais e na móvel em distritos, estradas e áreas rurais, se não houver investimento”, afirmou Nogueira na Futurecom, conforme relatado pelo Mobile Time.
O crescimento da demanda por tráfego de dados, impulsionado por aplicações digitais cada vez mais intensivas, como inteligência artificial e serviços em nuvem, tornou o desafio ainda mais complexo. O perfil do consumidor também mudou: se antes era aceitável ficar horas sem Internet, hoje a expectativa é de disponibilidade contínua, inclusive para aplicações críticas em negócios e serviços públicos.
O risco do blackout: causas e consequências
O termo blackout de Internet, utilizado por Nogueira, refere-se à possibilidade de interrupção generalizada ou degradação severa dos serviços de conectividade em áreas menos atendidas. Segundo o CEO da Brisanet, sem atualização tecnológica e investimentos em capacidade, as redes atuais não conseguirão suportar o volume de dados previsto para os próximos anos, especialmente com a chegada de novas aplicações que exigem baixa latência e alta disponibilidade.
Para empresas que operam no agronegócio, logística, indústria ou serviços públicos em regiões rurais, esse risco representa um potencial gargalo operacional. Sistemas de monitoramento remoto, automação, telemetria, gestão de frotas e atendimento ao cidadão dependem cada vez mais de conectividade estável. Uma falha prolongada pode significar prejuízos financeiros, paralisação de operações e até riscos à segurança.

Além disso, o alerta do executivo chama atenção para a sustentabilidade do modelo atual de negócios dos pequenos provedores. Com margens comprimidas e necessidade crescente de investimento, muitos podem não conseguir acompanhar a evolução tecnológica exigida pelo mercado, levando a uma possível consolidação do setor ou até mesmo à saída de empresas do mercado.
Investimento, consolidação e atualização tecnológica: caminhos apontados
De acordo com Nogueira, a solução para evitar o blackout de Internet nas zonas rurais passa por três frentes principais: acesso a investimentos com taxas subsidiadas e de longo prazo, atualização tecnológica das redes, incluindo a adoção do 5G nos compromissos de cobertura, e uma reestruturação do setor, com consolidação dos pequenos provedores para garantir escala e viabilidade financeira.
O executivo argumenta que, sem essas medidas, o ritmo de atualização das infraestruturas será insuficiente para acompanhar a evolução da demanda. Ele destaca que “daqui a três anos o serviço precisará ser muito superior ao de hoje. É um investimento contínuo. Quem não fizer isso estará fora do mercado. E o consumidor fará essa seleção natural”.
O Mobile Time não traz dados de outras fontes sobre a extensão do problema ou iniciativas já em curso, mas o alerta de Nogueira ecoa preocupações já manifestadas por entidades do setor em outros fóruns. A necessidade de políticas públicas que estimulem o investimento em infraestrutura de telecomunicações, especialmente em áreas de menor retorno imediato, é tema recorrente em debates sobre inclusão digital e desenvolvimento regional.
O impacto direto para empresas e gestores públicos
Para empresas que atuam fora dos grandes centros, o risco de blackout de Internet não é apenas uma questão técnica, mas um fator estratégico que pode impactar custos, produtividade e até a capacidade de competir. Operações agrícolas, industriais e logísticas cada vez mais dependem de conectividade para automação, rastreamento, análise de dados e integração de sistemas. Gestores públicos, por sua vez, enfrentam o desafio de garantir acesso a serviços digitais, educação à distância, saúde conectada e segurança pública em regiões remotas.
O alerta do CEO da Brisanet sugere que a escolha do provedor de Internet e do modelo de contratação deve considerar não apenas preço, mas principalmente a capacidade de investimento, atualização tecnológica e compromisso com a continuidade do serviço. Empresas que dependem de disponibilidade 24/7, baixa latência e suporte técnico local precisam avaliar com rigor a infraestrutura oferecida, especialmente em localidades onde a competição entre provedores pode mascarar fragilidades estruturais.

Além disso, a perspectiva de consolidação do setor pode alterar o mapa de fornecedores disponíveis em cada região, exigindo atenção redobrada a contratos de longo prazo, cláusulas de SLA (Acordo de Nível de Serviço) e planos de contingência para eventuais falhas de conectividade.
Contexto de Manaus e do Polo Industrial: desafios e oportunidades
No contexto de Manaus e do Polo Industrial, o risco de blackout em zonas rurais e estradas ganha contornos ainda mais críticos. A região, que concentra grande parte da produção industrial da Amazônia, depende de logística eficiente e comunicação integrada entre fábricas, centros de distribuição e fornecedores. A conectividade de qualidade é essencial para o funcionamento de sistemas de gestão, automação industrial, monitoramento ambiental e atendimento a requisitos regulatórios.
Além disso, a infraestrutura de telecomunicações no Amazonas enfrenta desafios logísticos e ambientais únicos, como distâncias elevadas, rios de difícil travessia e clima adverso. Isso torna o investimento em redes de fibra óptica, links dedicados e redundância de acesso ainda mais estratégico para garantir a continuidade das operações.
Empresas que atuam no Polo Industrial ou prestam serviços ao setor público local precisam considerar não apenas a oferta disponível, mas a resiliência das redes e a capacidade do provedor de responder rapidamente a falhas ou demandas de expansão. O alerta de Nogueira reforça a importância de parcerias com fornecedores que tenham presença local, engenharia própria e compromisso com atualização tecnológica contínua.
O que está em jogo e próximos passos para empresas
O alerta sobre o risco de blackout de Internet nas zonas rurais brasileiras até 2030, feito pelo CEO da Brisanet e divulgado pelo Mobile Time, coloca em perspectiva a necessidade de decisões estratégicas por parte de empresas e gestores públicos. O cenário de competição acirrada, margens reduzidas e demanda crescente por dados exige uma revisão dos critérios de escolha de fornecedores e investimentos em infraestrutura.

Para evitar surpresas desagradáveis nos próximos anos, organizações que dependem de conectividade fora dos grandes centros devem priorizar contratos que garantam SLA, suporte técnico local e capacidade de atualização tecnológica. O contexto de Manaus e do Polo Industrial, com seus desafios logísticos e operacionais, reforça a urgência de uma abordagem proativa na gestão da infraestrutura de telecomunicações. O risco de blackout não é apenas uma hipótese distante, mas uma variável concreta que pode definir o sucesso ou o fracasso de operações críticas no interior do país.
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