Brasil pode quintuplicar capacidade de data centers até 2031, aponta executivo da Tecto

Capacidade de data centers no Brasil pode crescer cinco vezes até 2031, segundo a Tecto. Saiba o que muda para empresas com a expansão e os desafios do setor.

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Brasil pode quintuplicar capacidade de data centers até 2031, aponta executivo da Tecto

Projeção da Tecto indica que o país pode multiplicar por cinco a capacidade instalada de data centers em cinco anos, impulsionado por demanda reprimida, IA e incentivos fiscais. O movimento traz desafios técnicos, regulatórios e de sustentabilidade para empresas e gestores.

por Atlas Upnetix Review Team · 25 de setembro, 2026 · 8 min de leitura
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O consenso confortável de que o Brasil é apenas um consumidor periférico de infraestrutura digital está sob ataque. Uma projeção recente, apresentada por Tito Costa, CRO da Tecto Data Centers, durante o Gartner CIO & IT Executive Conference e publicada exclusivamente pela TI Inside, sugere que a capacidade instalada de data centers no país pode ser multiplicada por cinco até 2031. O dado não é consenso de mercado, mas a análise do executivo, baseada em tendências regulatórias, tecnológicas e de demanda, expõe um cenário em que a dependência de data centers estrangeiros e a lentidão na digitalização local podem se tornar rapidamente obsoletas para empresas e gestores públicos.

Executivo Tito Costa falando em conferência de tecnologia para público de profissionais de TI
Tito Costa, CRO da Tecto Data Centers, durante apresentação no Gartner CIO & IT Executive Conference, onde anunciou a projeção de quintuplicar a capacidade de data centers no Brasil até 2031.

Demanda reprimida e salto na capacidade: o que está por trás da projeção

Segundo Tito Costa, o Brasil opera atualmente com uma capacidade estimada entre 700 MW e 900 MW em data centers, sendo cerca de 90% desse total concentrado no estado de São Paulo. A expectativa do executivo é que esse número possa ser quintuplicado em cinco anos, chegando a até 4,5 GW. O motivo central não é apenas a corrida pela inteligência artificial (IA), mas uma demanda reprimida por infraestrutura digital, a necessidade de processamento local e a digitalização acelerada de empresas e órgãos públicos.

O executivo da Tecto destaca que, apesar do avanço da IA ser um catalisador, a pressão por processamento nacional já era sentida antes. Um dado relevante: estima-se que 40% dos dados brasileiros sejam processados em nuvens localizadas nos Estados Unidos. Isso representa, para empresas e governos, riscos de latência, custos de transferência internacional e exposição a legislações estrangeiras, além de desafios de compliance com normas nacionais de proteção de dados.

O crescimento projetado, portanto, não é apenas uma resposta à moda da IA, mas uma correção estrutural de gargalos históricos de infraestrutura. A análise de Costa é que a IA funciona como “gasolina na fogueira”, acelerando um movimento que já estava em curso. Não há, até o momento, projeções divergentes publicadas por outras consultorias ou órgãos reguladores, o que reforça o caráter de aposta da estimativa.

Redata e incentivos: oportunidades e incertezas para novos projetos

Um dos motores da expansão é o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), aprovado recentemente e ainda em fase de regulamentação. O regime prevê incentivos tributários para equipamentos e infraestrutura, o que pode destravar investimentos represados. A Tecto, assim como outras empresas do setor, acompanha de perto a definição dos códigos de Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que terão direito aos benefícios. O ponto de tensão está no risco de a regulamentação ficar rapidamente obsoleta, dada a velocidade com que novas arquiteturas e componentes, como GPUs para IA, chegam ao mercado.

Sala operacional de data center com servidores e técnicos trabalhando
Data centers no estado de São Paulo concentram cerca de 90% da capacidade estimada de 700 MW a 900 MW no Brasil, base da projeção de expansão para até 4,5 GW.

Costa alerta para o risco de uma regulamentação excessivamente restritiva, que pode limitar o acesso aos incentivos apenas a equipamentos já superados tecnologicamente. A discussão, segundo ele, é “muito quente” e envolve associações do setor e órgãos do governo. Para empresas que planejam investir em infraestrutura própria ou migrar workloads para parceiros nacionais, a incerteza regulatória é um fator de risco a ser monitorado nos próximos meses.

Sustentabilidade e energia: o novo dilema dos grandes consumidores

O salto de capacidade previsto traz consigo um aumento proporcional do debate sobre sustentabilidade. Dois pontos se destacam: o consumo de água, especialmente em sistemas de refrigeração, e a disponibilidade de energia elétrica renovável. A Tecto relata que utiliza circuitos fechados de refrigeração que permitem reaproveitar 98% da água, mas reconhece que sistemas mais eficientes podem ter custos iniciais mais altos. O executivo citou um data center de 20 MW em Fortaleza com consumo de água inferior ao de uma residência comum, ilustrando as diferenças entre tecnologias de resfriamento.

No campo energético, a disponibilidade de fontes renováveis é vista como estratégica. Costa revelou que a Tecto já possui pareceres de acesso para 400 MW no Piauí e outros 400 MW em Uberaba (MG), o que demonstra a busca por diversificação geográfica e fontes limpas. A adoção de certificados internacionais de energia renovável (I-RECs) é apresentada como diferencial, mas o executivo reconhece que a expansão só será sustentável se acompanhada de soluções para armazenamento e transmissão, especialmente diante da intermitência de fontes como a solar.

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Pressão por produtividade e maturidade corporativa: o desafio da adoção real de IA

Apesar do entusiasmo com a IA, Costa faz um alerta relevante para CIOs e gestores: a adoção corporativa ainda é limitada por processos internos pouco maduros, equipes despreparadas e iniciativas dispersas. “Não é só contratar uma ferramenta de IA e jogar na sua empresa. Se você não tem processo, se você não tem gente, não vai funcionar”, afirmou o executivo. O risco, segundo ele, é multiplicar projetos experimentais sem estrutura para sustentá-los, o que pode gerar desperdício de recursos e frustração com resultados.

Empresas que pretendem aproveitar a nova onda de infraestrutura precisarão, portanto, investir não apenas em tecnologia, mas também em integração entre áreas, capacitação e governança de dados. O amadurecimento da adoção de IA, na visão da Tecto, ocorrerá em paralelo à expansão física dos data centers, criando uma janela de oportunidade para quem conseguir alinhar estratégia, processos e infraestrutura.

Diagrama mostrando dados brasileiros processados em nuvens estrangeiras e seus riscos
Estimativa de que 40% dos dados brasileiros estão em nuvens nos EUA, gerando riscos de latência, custos e compliance, motivando expansão da infraestrutura local.

Tendências técnicas: refrigeração líquida, alta densidade e desafios operacionais

O aumento da densidade de processamento, impulsionado por workloads de IA, está tornando obsoletos os sistemas tradicionais de refrigeração a ar. Segundo Costa, já há demanda para racks de 150 kVA a 200 kVA, patamar impensável até poucos anos atrás. A solução passa pela refrigeração líquida, que exige novos investimentos em laboratórios, unidades de distribuição de líquido refrigerante (CDUs) e sistemas de alimentação ininterrupta (UPS).

Essa mudança traz desafios operacionais: desde a adaptação de layouts até a capacitação de equipes de manutenção. Para empresas que dependem de alta disponibilidade e baixa latência, a escolha da arquitetura de data center passa a ser uma decisão estratégica, não apenas de custo. O movimento também pressiona fornecedores e integradores a acompanharem a evolução do hardware, sob risco de ficarem defasados diante das novas demandas corporativas.

O que muda para empresas e gestores: riscos, custos e oportunidades na expansão dos data centers

Para organizações que dependem de processamento intensivo, dados sensíveis ou aplicações críticas, a expansão da infraestrutura nacional de data centers pode representar uma inflexão estratégica. A redução da dependência de nuvens estrangeiras diminui riscos regulatórios e de latência, ao mesmo tempo em que pode abrir espaço para negociações mais competitivas com fornecedores locais. No entanto, o cenário é de incerteza: a regulamentação do Redata ainda não está fechada, a maturidade da adoção de IA nas empresas é desigual e os custos de sustentabilidade podem pressionar orçamentos de TI.

No contexto de Manaus e do Polo Industrial, onde a logística e a disponibilidade de energia são desafios históricos, a possibilidade de novos projetos em regiões como Piauí e Minas Gerais pode alterar a geografia da infraestrutura digital no país. Empresas da região que dependem de conectividade robusta para integrar operações industriais, acessar nuvem ou garantir continuidade de negócios devem acompanhar de perto os desdobramentos do Redata, as tendências de refrigeração e a oferta de energia renovável. O momento é de transição: quem subestimar a velocidade da mudança pode enfrentar gargalos críticos de capacidade e competitividade.

Painel tecnológico com GPUs para IA em data center moderno
Novas arquiteturas com GPUs para IA desafiam a regulamentação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), impactando investimentos futuros.

O cenário desenhado pela Tecto, embora não consolidado por múltiplas fontes, serve de alerta para quem toma decisões de infraestrutura: a janela para planejar, negociar e migrar workloads para ambientes mais próximos, eficientes e sustentáveis está se abrindo rapidamente. O próximo ciclo de investimentos em data centers será marcado por escolhas técnicas, regulatórias e ambientais que vão separar empresas resilientes de organizações vulneráveis à obsolescência e à dependência externa.

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