# Biogás e biometano ganham escala no agronegócio, mas infraestrutura e dados ainda travam circularidade

> Biogás e biometano no agronegócio: oportunidades e desafios para empresas, com foco em infraestrutura, logística e integração de dados.

Publicado em 10/09/2026 · Atualizado em 10/09/2026 · IA
ATLAS · Tech & Business Review, portal editorial da Upnetix · https://atlas.upnetix.com.br/biogas-e-biometano-ganham-escala-no-agronegocio-mas-infraestrutura/

---

O crescimento do biogás e do biometano no agronegócio brasileiro desafia uma crença ainda confortável no setor: a de que ganhos de produção e eficiência dependem apenas de investir em tecnologia agrícola ou ampliar áreas cultivadas. O avanço da circularidade energética mostra que o campo pode ser fonte de energia limpa e insumo para novos negócios, mas também escancara o quanto a falta de infraestrutura integrada, logística eficiente e dados confiáveis trava a transformação de resíduos em valor real para produtores e agroindústrias.

![Fazenda brasileira com silos e resíduos agrícolas para biogás, ambiente rural moderno em luz natural.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/09/post38694-img1-intro.webp)

Fazenda moderna no Brasil com grande produção de grãos (350,2 milhões de toneladas em 2024/25) e acumulação de resíduos agrícolas, matéria-prima para geração de biogás no agronegócio.

## O potencial do biogás no agro: números e limites

Segundo levantamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), divulgado em setembro de 2025, existe um potencial técnico e econômico significativo para geração elétrica por micro e minigeração distribuída a partir de resíduos agropecuários. O estudo diferencia claramente potencial técnico de viabilidade econômica, ressaltando que nem todo resíduo disponível pode ser aproveitado de forma competitiva. Essa distinção é central: o Brasil, com uma safra recorde de 350,2 milhões de toneladas de grãos em 2024/25 e exportações do agro que somaram US$ 169,2 bilhões em 2025 (dados da Conab e do Ministério da Agricultura, via MIT Technology Review Brasil), gera volumes massivos de resíduos, mas transformar esse passivo ambiental em receita depende de condições ainda raras na maioria das regiões produtoras.

O setor sucroenergético é citado como referência de circularidade: resíduos da produção de açúcar e etanol já são usados para geração de energia, produção de biogás, biometano e biofertilizantes. No entanto, a replicação desse modelo para outros segmentos do agro esbarra em barreiras tecnológicas, financeiras e logísticas. O próprio estudo da EPE destaca que a existência de matéria-prima não garante, por si só, negócios viáveis em larga escala.

## Infraestrutura, logística e dados: o tripé do agro conectado

O desafio de transformar resíduos em energia e insumos circulares vai além da adoção de tecnologias isoladas. O artigo da MIT Technology Review Brasil enfatiza que é preciso combinar soluções energéticas, conhecimento técnico, infraestrutura física e capacidade de coordenar produção, logística e consumo. A integração desses elementos depende, cada vez mais, de dados confiáveis e sistemas digitais capazes de monitorar, prever e sincronizar fluxos entre propriedades, agroindústrias e mercados consumidores.

Segundo Fábio Bertollo, diretor-presidente dos Negócios de Gás do Grupo Energisa, a circularidade no campo começa pela transformação de resíduos em novos insumos, mas só se viabiliza com gestão digital: “Temos um alto nível de automação e instrumentação, com controle operacional em tempo real. Essas informações fazem parte da gestão da unidade e também das cadeias logísticas associadas às entradas e saídas da produção.” A fala de Bertollo, registrada pela MIT Technology Review Brasil, revela que a camada digital já é realidade em operações de maior porte, mas ainda está distante da rotina de pequenos e médios produtores, que enfrentam dificuldades para acessar financiamento, conhecimento técnico e infraestrutura adequada.

O papel dos dados vai além do monitoramento interno. Para que cadeias de biometano e biogás funcionem, é preciso conectar produção, distribuição e consumo de forma sincronizada, prevendo demandas e coordenando abastecimento. A ausência dessa integração limita a escala dos projetos e dificulta a criação de mercados regionais capazes de sustentar investimentos.

![Usina sucroenergética brasileira com equipamentos para biogás e biometano, técnicos em operação digital.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/09/post38694-img2-meio-1.webp)

Usina sucroenergética referência na circularidade energética, utilizando resíduos da produção de açúcar e etanol para gerar biogás, biometano e biofertilizantes.

## Oportunidade econômica e entraves de mercado

A EPE, em seu documento “Resíduos Rurais e o Consumo de Combustíveis”, estima que cerca de um terço do consumo nacional de gasolina e diesel poderia ser economicamente substituído por biometano proveniente de resíduos agropecuários, considerando as premissas do Simulador SIEnergia. Embora o número seja expressivo, a própria EPE e especialistas ouvidos pela MIT Technology Review Brasil reforçam que esse potencial não é imediatamente disponível ao mercado. O desafio está em transformar resíduos dispersos em cadeias econômicas viáveis, especialmente no interior, onde a distância dos grandes centros consumidores e a ausência de redes de gasodutos dificultam a logística.

Empresas com histórico em infraestrutura energética, como o Grupo Energisa, já investem em projetos de produção e comercialização de biometano, como a unidade em Campos Novos (SC) e outra em construção em Carambeí (PR), prevista para 2028. Segundo Bertollo, o sucesso desses projetos depende de demanda consolidada, acesso a financiamento e know-how operacional: “Fazer essas operações […] requer muito conhecimento técnico, muito know-how interno. Ele parece fácil no conceito, mas ele não é.”

O consenso entre as fontes é que, sem escala e integração entre agentes locais, o potencial do biometano continuará restrito a iniciativas pontuais. A replicabilidade de modelos de sucesso depende tanto da maturidade tecnológica quanto da capacidade de articular produção, logística e consumo em mercados regionais.

## Quem perde com a fragmentação: custos ocultos e riscos para empresas

O maior risco para produtores, cooperativas e agroindústrias está em subestimar o impacto da fragmentação de infraestrutura e dados sobre o negócio. A falta de energia de qualidade e de conectividade confiável limita a instalação de unidades de processamento próximas à produção, obrigando o deslocamento de commodities para centros distantes e reduzindo o valor agregado local. Pequenos produtores, em especial, têm menos acesso a linhas de crédito e conhecimento técnico para investir em soluções de circularidade, ficando mais expostos a variações de preço e custos logísticos elevados.

![Painel digital com gráficos em português mostrando gestão integrada de produção, logística e consumo de biogás no agronegócio.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/09/post38694-img3-meio-2.webp)

Sistema digital de gestão integrada para sincronizar fluxos de biogás entre propriedades, agroindústrias e mercados, essencial para expandir a circularidade no campo, segundo Fábio Bertollo, Grupo Energisa. Além disso, a ausência de integração digital dificulta o monitoramento em tempo real e a tomada de decisão baseada em dados, aumentando o risco de desperdício de insumos, falhas operacionais e perda de oportunidades de mercado. Empresas que não investem em infraestrutura digital e energética adequada tendem a operar com margens menores e maior exposição a riscos regulatórios e ambientais.

## O contra-argumento: circularidade é viável para todos?

Há quem argumente que a circularidade energética e a integração digital são realidades distantes para a maioria dos produtores rurais, especialmente os de menor porte. O próprio estudo da EPE reconhece que a viabilidade econômica depende de escala e de condições de mercado ainda incipientes em grande parte do país. No entanto, especialistas e empresas do setor apontam que a tendência é de aceleração da adoção à medida que a pressão por sustentabilidade, eficiência e agregação de valor aumenta, tanto por exigência de mercados internacionais quanto por necessidade de reduzir custos e riscos operacionais.

Outro ponto de debate é o papel do poder público e das políticas de incentivo. Sem linhas de financiamento específicas, capacitação técnica e investimentos em infraestrutura de conectividade e energia, a adoção de modelos circulares tende a se concentrar em grandes grupos e regiões já privilegiadas. A democratização dessas soluções exige articulação entre governo, setor privado e cooperativas para viabilizar projetos regionais e compartilhar conhecimento.

## O que ainda não se sabe: incertezas e próximos passos

Apesar do otimismo com o potencial do biogás e do biometano, há incertezas relevantes: a velocidade de expansão das cadeias regionais, o impacto de novas regulações sobre resíduos e energia, e a capacidade de pequenos produtores acessarem tecnologia e financiamento permanecem pontos em aberto. Não há consenso sobre quando, e se, o biometano substituirá uma fração relevante dos combustíveis fósseis no agro, nem sobre o ritmo de digitalização das operações no interior.

O que está claro é que a integração de energia, dados e logística será decisiva para que o agronegócio brasileiro amplie sua competitividade e valor agregado. Empresas que anteciparem esses movimentos, investindo em infraestrutura digital e energética robusta, estarão melhor posicionadas para capturar oportunidades e mitigar riscos em um cenário de exigências crescentes por circularidade e eficiência.

![Pequeno produtor rural brasileiro usando tablet para monitorar dados de biogás na propriedade agrícola.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/09/post38694-img4-fechamento.webp)

Pequenos e médios produtores enfrentam desafios para acessar gestão digital e infraestrutura necessária para viabilizar projetos de biogás em suas propriedades. O avanço do biogás e do biometano no campo brasileiro mostra que a próxima fronteira de produtividade não está apenas no aumento da produção agrícola, mas na capacidade de conectar resíduos, energia e dados em cadeias integradas. Quem não investir em infraestrutura digital e energética adequada corre o risco de ficar à margem de mercados mais exigentes e de perder valor em cada etapa da cadeia. Para as empresas do agro, o desafio é transformar potencial técnico em vantagem competitiva real, e isso começa por garantir conectividade e dados confiáveis em cada elo do negócio.

Fonte: https://atlas.upnetix.com.br/biogas-e-biometano-ganham-escala-no-agronegocio-mas-infraestrutura/ · ATLAS, portal editorial da Upnetix (Manaus, Brasil) · uso com citação obrigatória.
