Bancos integram segurança, prevenção a fraudes e IA após aumento de ataques sofisticados

Bancos reforçam integração de segurança, prevenção a fraudes e IA diante de ameaças sofisticadas. Saiba o impacto para empresas e decisões de TI.

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Bancos integram segurança, prevenção a fraudes e IA após aumento de ataques sofisticados

Setor financeiro brasileiro une times e tecnologias para enfrentar ameaças cibernéticas cada vez mais personalizadas. Executivos apontam riscos humanos, desafios de integração e papel ambíguo da IA.

por Atlas Upnetix Review Team · 26 de outubro, 2026 · 8 min de leitura
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O setor financeiro brasileiro enfrenta uma transformação forçada: a crença de que investimentos robustos em tecnologia bastam para barrar fraudes digitais está sendo desafiada por uma nova geração de ataques hiperpersonalizados. No Seg Summit, executivos de segurança de grandes bancos detalharam como a integração entre times de prevenção a fraudes, segurança física, cibersegurança e inteligência tornou-se indispensável para mitigar riscos que vão além das máquinas, e recaem, cada vez mais, sobre o fator humano.

Equipe multidisciplinar de segurança em sala de controle de banco monitorando dados e alertas em múltiplas telas.
Equipe integrada de segurança do setor financeiro brasileiro monitora dados em tempo real para mitigar ataques hiperpersonalizados, conforme detalhado no Seg Summit.

Ataques hiperpersonalizados e o novo papel da IA no crime digital

Segundo Lia Pilatti, Gerente Executiva de Segurança Institucional do Banco do Brasil, o cenário de ameaças evoluiu de golpes genéricos para ataques construídos sob medida para cada vítima, potencializados pela inteligência artificial (IA) e pelo uso de dados públicos e privados. Pilatti observa que o alvo preferencial dos criminosos é o elo mais frágil da cadeia: as emoções e decisões humanas. “As ameaças são construídas com todo o apoio de uma IA e informações que nós mesmos compartilhamos em redes sociais”, afirmou durante o evento, segundo o portal TI Inside.

Essa personalização, viabilizada por IA capaz de criar mensagens de phishing sem erros, clonar vozes ou gerar deepfakes de executivos, aumenta o potencial de dano e dificulta a detecção. Rodrigo de Lerbo, Gerente de Prevenção à Fraudes do Itaú Unibanco, destacou que a IA, ao mesmo tempo em que amplia o alcance do crime, é essencial para monitorar padrões de transação, identificar anomalias e acelerar investigações. O setor, portanto, lida com uma tecnologia de dupla face: ferramenta de ataque e de defesa.

Riscos humanos e falhas de processo superam vulnerabilidades técnicas

Contrariando a expectativa de que as maiores perdas financeiras decorrem de falhas técnicas ou quebras de criptografia, Leonardo Muroya, CISO do Banco BMG, apontou que prejuízos milionários e vazamentos graves são, na maioria das vezes, consequência do uso inadequado de credenciais e de comportamentos atípicos de profissionais com acesso privilegiado. O monitoramento de acessos, especialmente fora do escopo ou do horário habitual, e a vigilância sobre colaboradores em processo de desligamento, foram destacados como pontos críticos.

Para Muroya, a imprevisibilidade humana exige sistemas de monitoramento preventivo capazes de cruzar dados e identificar desvios de padrão. O executivo também defende canais anônimos de denúncia e a extensão das exigências de governança e segurança a parceiros e terceirizados, reconhecendo que a cadeia de risco não termina nas fronteiras da empresa.

Já Roberto Troncon, Senior Head de Segurança Corporativa e Inteligência do Banco Santander, ressaltou que a separação entre ambiente físico e digital foi eliminada. Uma simples conexão física não autorizada pode comprometer todo o ambiente lógico, permitindo exfiltração de dados e invasões em larga escala. Troncon defende a integração total entre as equipes de segurança física, cibersegurança, inteligência e prevenção a fraudes, com compartilhamento instantâneo de alertas, tanto internamente quanto com parceiros, órgãos públicos e o Banco Central.

Executiva apresentando exemplos de ataques cibernéticos personalizados com uso de IA, como phishing e deepfake.
Lia Pilatti, do Banco do Brasil, destaca no Seg Summit o uso de IA para criar ataques hiperpersonalizados que exploram emoções e informações públicas.

Integração de equipes e processos: consenso e desafios práticos

Há consenso entre os executivos de que a integração entre áreas tradicionalmente isoladas é hoje um imperativo. Troncon foi enfático ao afirmar que “os silos organizacionais devem acabar”, defendendo uma estrutura de monitoramento conjunto. Lerbo complementou que a eficácia das defesas depende de um alinhamento equilibrado entre tecnologia, processos e pessoas: grandes investimentos perdem efeito se a governança falhar em preceitos básicos como segregação de funções e controle contínuo de acessos.

Pilatti, do Banco do Brasil, reforçou a necessidade de controles adicionais rigorosos, com destaque para a autenticação multifator generalizada. Lerbo também enfatizou a importância de treinamentos contínuos, aplicação firme de sanções internas e responsabilização criminal para criar uma cultura de segurança robusta. O consenso é que a tecnologia, isoladamente, não resolve: sem processos claros e pessoas treinadas, o risco persiste.

O contra-argumento: integração total é viável?

Apesar do discurso de integração, há desafios práticos relevantes. A unificação de times com culturas, ferramentas e objetivos distintos pode gerar conflitos e lentidão na resposta a incidentes. A dependência de colaboração externa, com parceiros, órgãos públicos e o sistema de Justiça, esbarra em diferentes níveis de maturidade tecnológica e em questões de confidencialidade.

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Além disso, a aplicação de controles rigorosos, como monitoramento contínuo de acessos e sanções internas, pode encontrar resistência de áreas de negócios preocupadas com privacidade e clima organizacional. A necessidade de equilibrar segurança e agilidade operacional é um ponto de tensão constante, especialmente em instituições que operam em múltiplos mercados ou com estruturas complexas.

Outro aspecto pouco discutido é o custo da integração: sistemas de monitoramento avançados, treinamentos recorrentes e processos de auditoria exigem investimentos contínuos e podem pressionar margens, especialmente em bancos médios e pequenos. O risco é que, sem apoio da alta gestão e sem uma visão clara de retorno, iniciativas de integração fiquem restritas a grandes instituições.

Especialista em segurança analisando padrões de acesso e comportamento para prevenir fraudes internas.
Leonardo Muroya, CISO do Banco BMG, enfatiza o monitoramento de acessos e comportamentos atípicos para evitar prejuízos causados por falhas humanas.

O que ainda não se sabe: limites da IA e impacto para outros setores

Embora o setor bancário seja referência em cibersegurança, ainda não há clareza sobre os limites da IA tanto para ataque quanto para defesa. Não se sabe, por exemplo, até que ponto sistemas automatizados conseguirão distinguir anomalias legítimas de falsos positivos em ambientes de alta complexidade operacional. Também permanece incerta a capacidade de adaptação dos processos de governança frente a ameaças que evoluem em tempo real.

Outro ponto em aberto é o impacto desse movimento de integração para setores fora do financeiro. Empresas de outros segmentos, especialmente aquelas que lidam com dados sensíveis ou operam em ambientes regulados, podem enfrentar desafios ainda maiores para replicar o modelo bancário, seja por falta de recursos, seja por ausência de cultura de segurança consolidada.

Implicações para empresas e gestores: o que muda na prática

Para organizações que dependem de conectividade robusta e operações ininterruptas, como indústrias do Polo Industrial de Manaus, a lição do setor bancário é clara: confiar apenas em tecnologia não basta. A integração entre segurança física e digital, o monitoramento contínuo de acessos e a capacitação de equipes são estratégias que reduzem riscos, mas exigem infraestrutura de rede confiável, capaz de suportar sistemas de detecção em tempo real e colaboração entre múltiplos departamentos e parceiros externos.

Empresas que subestimam o fator humano ou mantêm áreas de segurança isoladas tendem a ser mais vulneráveis a ataques sofisticados, especialmente aqueles que exploram engenharia social e credenciais privilegiadas. O custo de não agir pode ser alto: além de perdas financeiras, há riscos de vazamento de dados sensíveis, sanções regulatórias e danos à reputação.

Em um cenário onde a fronteira entre físico e digital desapareceu, e onde a IA tanto potencializa quanto combate ameaças, a decisão de investir em integração, processos claros e infraestrutura de conectividade deixa de ser opcional, passa a ser questão de sobrevivência operacional.

Reunião integrada de equipes multidisciplinares de segurança discutindo estratégias de prevenção a fraudes e ataques.
Roberto Troncon, do Banco Santander, defende a integração total entre equipes de segurança física, cibernética e inteligência para enfrentar ameaças sofisticadas.

O movimento dos bancos brasileiros ao integrar times, processos e tecnologias de segurança mostra que o risco não está só nos sistemas, mas nas pessoas, nos acessos e nas conexões entre departamentos e parceiros. Para empresas que operam em ambientes críticos, especialmente em regiões como Manaus, a capacidade de monitorar, reagir e compartilhar alertas em tempo real depende de uma rede confiável e de uma cultura de colaboração que vá além dos firewalls. O próximo passo é garantir que a infraestrutura de conectividade acompanhe a complexidade dos desafios, permitindo que a integração entre segurança, prevenção a fraudes e IA seja, de fato, efetiva, e não apenas um discurso.

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