Angola Cables expande capacidade dos cabos submarinos MONET e SACS com tecnologia de 800G da Ciena

Angola Cables amplia capacidade dos cabos submarinos MONET e SACS para 800 Gbps com Ciena, beneficiando empresas e data centers no Brasil.

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Angola Cables expande capacidade dos cabos submarinos MONET e SACS com tecnologia de 800G da Ciena

Atualização dos cabos entre Brasil, EUA e África eleva capacidade para 800 Gbps, impulsionada por demanda de nuvem, IA e hyperscalers. Mudança traz impacto direto à conectividade corporativa e ao ecossistema digital brasileiro.

por Atlas Upnetix Review Team · 29 de setembro, 2026 · 8 min de leitura
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A Angola Cables anunciou, em setembro de 2026, a ampliação da capacidade de seus cabos submarinos MONET e South Atlantic Cable System (SACS) por meio da adoção de soluções ópticas de última geração da Ciena. O movimento, noticiado de forma convergente por veículos como Tele.Síntese, TeleTime, DPL News e DatacenterDynamics, representa um salto tecnológico relevante para a infraestrutura de conectividade internacional do Brasil, com repercussões diretas para empresas, data centers e provedores de serviços digitais que dependem de rotas de alta capacidade e baixa latência para operações críticas.

Técnico de rede da Angola Cables monitorando equipamentos ópticos de cabos submarinos em centro de operações moderno e iluminado.
Técnico da Angola Cables operando equipamentos ópticos avançados na infraestrutura de cabos submarinos MONET e SACS, que conectam Brasil, Angola e Estados Unidos.

O que muda na infraestrutura: 800G, flexibilidade e rotas diversificadas

A principal novidade da atualização é a introdução de interfaces de cliente de 800 Gbps no cabo MONET, que conecta o Brasil aos Estados Unidos em uma extensão de 10.556 quilômetros. O SACS, por sua vez, liga o Brasil a Angola em 6.165 quilômetros. Segundo as fontes, a combinação desses dois sistemas cria uma ponte digital direta entre Angola e os Estados Unidos, com latência de ida e volta (RTD) de aproximadamente 130 milissegundos.

A atualização utiliza o Waveserver da Ciena, equipado com a tecnologia óptica coerente WaveLogic 6 Extreme (WL6e), além da plataforma 6500 Packet-Optical e do Navigator Network Control Suite para controle e gerenciamento avançados. Isso permite à Angola Cables oferecer diferentes configurações de serviços, desde circuitos individuais de 100 Gbps até o uso de um par completo de fibras, incluindo modelos de espectro e Managed Optical Fiber Networks (MOFN), conforme detalhado por Tele.Síntese, DPL News e DatacenterDynamics.

De acordo com Fernando Capella, diretor regional da Ciena para o Brasil e Cone Sul, a nova infraestrutura permite extrair mais capacidade da fibra já instalada, sem necessidade de substituir cabos submarinos, um ponto enfatizado também por DatacenterDynamics. O executivo destacou: “Há um pipeline de lançamento de cabos para os próximos anos, como uma fila, e os cabos não ficam prontos de um dia para o outro. Então, existe sempre essa demanda de conseguir extrair o máximo de capacidade e fazer melhor uso do espectro da fibra”.

Demanda corporativa: nuvem, IA e hyperscalers puxam a fila

O consenso entre as publicações é que o investimento responde ao crescimento acelerado do tráfego de dados impulsionado por aplicações de inteligência artificial (IA), serviços em nuvem e operações de hyperscalers, grandes empresas de tecnologia que operam infraestruturas globais de data center. Segundo Adriano Caldevilla, CTO da Angola Cables, citado por Tele.Síntese, TeleTime e DatacenterDynamics, a atualização busca “aprimorar a escala, a flexibilidade e a inteligência da infraestrutura submarina para ajudar os clientes a construir e expandir redes preparadas para IA, maximizando ao mesmo tempo o desempenho dos ativos de fibra existentes”.

Empresas de conteúdo, operadoras de atacado e o mercado corporativo em geral também são citados como beneficiários diretos da ampliação, que viabiliza rotas mais flexíveis e resilientes para o tráfego internacional de dados. A DPL News destaca que a atualização permitirá à Angola Cables atender ao aumento da demanda sem substituir a infraestrutura física, o que é estratégico para manter a competitividade e a sustentabilidade do negócio.

Mapa realista mostrando rotas dos cabos submarinos MONET e SACS entre Brasil, Angola e Estados Unidos com distâncias e latência indicadas.
Rotas dos cabos submarinos MONET (10.556 km) e SACS (6.165 km) que conectam Brasil, Angola e Estados Unidos, com latência de ida e volta de 130 ms.

O impacto é ampliado pelo fato de que, segundo Capella, “mais de 95% do tráfego da Internet circula por cabos submarinos”. Portanto, qualquer reforço nessas rotas tem efeito cascata sobre a experiência e a resiliência das operações digitais em terra, incluindo as do Brasil.

Eficiência operacional e prolongamento da vida útil dos cabos

Além do ganho bruto de capacidade, a atualização traz ganhos de eficiência operacional. O WaveLogic 6 Extreme, conforme explicado por Capella à DatacenterDynamics, permite transmitir mais dados no mesmo espectro óptico, reduzindo o custo por bit transportado e o consumo de energia. A tecnologia também simplifica a operação ao permitir controle e gerenciamento baseados em software, o que reduz a necessidade de intervenções físicas e agiliza a resposta a demandas de reconfiguração de rede.

Outro ponto relevante, apontado por DatacenterDynamics, é o prolongamento da vida útil dos cabos submarinos. Como a receita gerada pelo tráfego de dados nem sempre acompanha o crescimento do volume transportado, operadoras buscam maximizar a capacidade dos ativos existentes antes de investir em novos cabos, um processo que pode levar anos desde o anúncio até a ativação de uma nova rota. O WaveLogic 6 Extreme, ao dobrar a capacidade de serviço em relação à geração anterior, permite que sistemas mais antigos continuem relevantes e rentáveis por mais tempo.

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Capella observa ainda que a vida útil dos cabos submarinos, estimada em cerca de 25 anos, é determinada mais por fatores econômicos do que técnicos. Quando a capacidade utilizável cai a ponto de não cobrir os custos de manutenção, o cabo é aposentado, mesmo que tecnicamente ainda funcione. Tecnologias como a adotada pela Angola Cables ajudam a postergar esse ponto de inflexão.

Brasil no centro das rotas digitais globais

Equipamentos ópticos Waveserver e plataforma 6500 Packet-Optical da Ciena instalados em sala de servidores corporativa.
Equipamentos Waveserver com tecnologia WaveLogic 6 Extreme e plataforma 6500 Packet-Optical da Ciena, usados na ampliação da capacidade dos cabos MONET e SACS.

A atualização dos cabos MONET e SACS ocorre em um momento em que a conectividade submarina ganha centralidade nas discussões sobre infraestrutura digital no Brasil e na América do Sul. Segundo DatacenterDynamics, a Angola Cables opera uma rede própria de 33 mil quilômetros de cabos submarinos, estendendo seu alcance para mais de 50 mil quilômetros por meio de parcerias, conectando mais de 30 pontos de presença (PoPs), mil data centers e 500 on-ramps de nuvem globalmente.

O Brasil, como ponto de conexão entre América do Norte, África e Europa, se beneficia diretamente da ampliação de capacidade e da redução de latência nessas rotas. A possibilidade de oferecer circuitos de 800 Gbps e, em alguns casos, até 1,6 Tbps (segundo TeleTime e DatacenterDynamics), posiciona o país como hub estratégico para operações globais de nuvem, IA e serviços digitais, atraindo investimentos em data centers, plataformas de conteúdo e operações de missão crítica.

Para empresas brasileiras, especialmente aquelas com operações internacionais ou dependentes de aplicações em nuvem, a atualização representa maior segurança de disponibilidade, rotas alternativas em caso de falhas e potencial redução de custos operacionais ao longo do tempo, por conta da eficiência energética e do melhor aproveitamento do espectro óptico.

Implicações para empresas e o contexto de Manaus

O reforço nos cabos submarinos MONET e SACS tem efeitos práticos para organizações que dependem de conectividade internacional robusta, seja para acesso a plataformas globais de nuvem, integração de filiais, tráfego de grandes volumes de dados ou operações sensíveis à latência. Para o Polo Industrial de Manaus e empresas da região Norte, que historicamente enfrentam desafios de conectividade devido à distância dos principais hubs de telecomunicações, a ampliação da capacidade internacional pode resultar em rotas mais eficientes e resilientes, beneficiando cadeias produtivas, exportadores e operações logísticas que demandam alta disponibilidade e estabilidade de rede.

Além disso, a possibilidade de contratar circuitos de alta capacidade, com flexibilidade de configuração e opções de espectro dedicado, pode acelerar projetos de transformação digital, adoção de IA e integração com plataformas globais de dados. Empresas que operam data centers ou oferecem serviços digitais no Brasil passam a contar com uma infraestrutura internacional mais preparada para absorver picos de demanda e suportar crescimento exponencial de tráfego, sem depender exclusivamente da implantação de novos cabos, processo caro e demorado.

Para gestores de TI, compradores corporativos e responsáveis por infraestrutura, a atualização dos cabos MONET e SACS reforça a importância de revisar contratos, avaliar rotas de redundância e considerar a conectividade internacional como fator estratégico na escolha de fornecedores e parceiros de telecomunicações. O movimento da Angola Cables, ao extrair mais valor da fibra já instalada, mostra que a evolução tecnológica pode ser aliada para enfrentar gargalos de capacidade sem onerar o orçamento com investimentos em infraestrutura física de longo prazo.

Executivo Fernando Capella em ambiente corporativo moderno, analisando gráficos em monitor digital.
Fernando Capella, diretor regional da Ciena, destaca a importância da tecnologia para extrair mais capacidade dos cabos submarinos já instalados sem precisar substituir a infraestrutura física.

O avanço promovido pela Angola Cables, ao elevar a capacidade dos cabos MONET e SACS para 800 Gbps com tecnologia da Ciena, insere o Brasil em um novo patamar de conectividade internacional. Para empresas que dependem de rotas globais de dados, a atualização não só amplia a banda disponível, mas também oferece flexibilidade, resiliência e eficiência operacional. Em mercados como Manaus, onde cada milissegundo de latência e cada megabit de banda contam para a competitividade, a evolução da infraestrutura submarina pode ser o diferencial entre liderar ou ficar para trás na economia digital.

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