# ABSOLAR propõe data centers como solução para desperdício de energia renovável no Brasil

> ABSOLAR sugere data centers para reduzir curtailment de energia solar e eólica, destacando desafios de infraestrutura e oportunidades para empresas.

Publicado em 27/10/2026 · Atualizado em 27/10/2026 · Engenharia Local em Manaus
ATLAS · Tech & Business Review, portal editorial da Upnetix · https://atlas.upnetix.com.br/absolar-propoe-data-centers-como-solucao-para-desperdicio-de/

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O mercado brasileiro de energia renovável enfrenta uma contradição incômoda: enquanto o país ostenta um dos maiores potenciais de geração solar e eólica do mundo, quase um quinto dessa capacidade foi desperdiçada apenas no primeiro trimestre de 2026. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), 17,2% da energia renovável gerada foi cortada, fenômeno conhecido como curtailment, devido à ausência de demanda suficiente e limitações na infraestrutura de transmissão e armazenamento. Esse dado, divulgado pela ABSOLAR e reportado pelo portal Telesíntese, desafia a crença confortável de que investir em renováveis é, por si só, suficiente para garantir competitividade energética e atrair grandes operações digitais para o Brasil.

![Usina solar fotovoltaica brasileira em operação sob céu claro.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post46992-img1-intro.webp)

Usina solar fotovoltaica no Brasil, representando o potencial de geração de energia renovável que enfrenta desperdício de 17,2% no primeiro trimestre de 2026.

## O desperdício de energia renovável e o papel dos data centers

De acordo com a ABSOLAR, o corte de geração afeta especialmente usinas solares e eólicas, que dependem de demanda constante e de redes elétricas robustas para escoar sua produção. O curtailment não apenas representa perda de receita para os geradores, mas também evidencia um gargalo estrutural: a energia limpa está disponível, mas falta quem a consuma ou meios para armazená-la. Nesse contexto, a associação propõe a instalação de data centers como uma das soluções para absorver parte desse excedente energético. A lógica é simples: grandes centros de processamento de dados demandam volumes crescentes de eletricidade, especialmente se operarem com compromissos de sustentabilidade e consumo de energia de baixa emissão.

O CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, afirmou que “o Brasil reúne condições privilegiadas para transformar sua matriz renovável em vantagem competitiva, inclusive na atração de data centers, indústrias eletrointensivas, fábricas de hidrogênio verde e eletromobilidade”. Para a entidade, a chegada de data centers pode criar uma nova demanda capaz de reduzir o desperdício e, ao mesmo tempo, impulsionar a digitalização da economia.

## Regulação, infraestrutura e incentivos: os entraves para avançar

Apesar do potencial, a ABSOLAR destaca que a atração de data centers e outros grandes consumidores de energia depende de avanços regulatórios e de investimentos em infraestrutura. A entidade cobra do governo federal a regulamentação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), que prevê incentivos fiscais vinculados ao uso de energia renovável ou de baixa emissão. O Redata, porém, ainda aguarda regulamentação do Executivo para produzir efeitos práticos.

Outro ponto crítico apontado pela associação é a necessidade de planejamento energético integrado e expansão das redes de transmissão e distribuição. Grandes consumidores, segundo a ABSOLAR, relatam dificuldades para investir no Brasil devido à limitação da infraestrutura elétrica, que dificulta tanto o escoamento da energia gerada quanto a conexão de novas cargas intensivas, como data centers. A entidade relaciona a superação desses gargalos à viabilização de até 18 gigawatts (GW) em novas usinas solares até 2030, dentro do programa “Energia que Emprega”, que também inclui propostas para a indústria eletrointensiva, hidrogênio verde e eletromobilidade.

## Armazenamento e leilões de baterias: o debate sobre flexibilidade do sistema

![Interior de data center moderno com corredores de servidores e equipamentos ativos.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post46992-img2-meio-1.webp)

Data center moderno que pode absorver excedente de energia renovável, mitigando o desperdício identificado pela ABSOLAR. Enquanto a instalação de data centers é vista como solução estrutural de médio e longo prazo, a ABSOLAR aponta que, no curto prazo, a contratação de sistemas de armazenamento pode mitigar o curtailment. Os dois primeiros leilões de reserva de capacidade para baterias, marcados para dezembro de 2026, são considerados pela entidade como um teste importante para a agenda energética do país. A associação defende a realização de leilões anuais e pede definição clara das condições de custeio, além de incentivos fiscais para projetos de armazenamento, hoje, segundo a ABSOLAR, a carga tributária sobre baterias pode chegar a 84,8%.

Para a presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Bárbara Rubim, é fundamental garantir previsibilidade regulatória e ressarcimento aos empreendimentos que tiveram geração cortada. A entidade também reivindica um marco legal próprio para o armazenamento, que permita a expansão do setor e reduza a dependência do acionamento de termelétricas, historicamente mais caras e poluentes.

## O contra-argumento: riscos, custos e limites do modelo

Apesar do entusiasmo da ABSOLAR, a proposta de usar data centers como solução para o desperdício de energia renovável levanta dúvidas relevantes entre especialistas do setor. O principal ponto de discordância reside na viabilidade econômica e operacional de instalar grandes data centers em regiões onde a infraestrutura elétrica ainda é precária. Críticos argumentam que, sem expansão efetiva das redes de transmissão e distribuição, a simples presença de demanda adicional pode não resolver o problema do curtailment, podendo até agravá-lo se houver sobrecarga em pontos já saturados do sistema.

Outro aspecto debatido é o tempo necessário para que investimentos em data centers se materializem e passem a consumir volumes significativos de energia. O ciclo de implantação desses empreendimentos é longo, e a competição internacional por grandes operações digitais é acirrada, com países asiáticos e europeus oferecendo incentivos robustos e infraestrutura consolidada. Além disso, a dependência de incentivos fiscais e de energia barata pode criar distorções de mercado e dificultar a sustentabilidade de longo prazo desses projetos.

Por fim, há o risco de que a aposta em grandes consumidores de energia não seja suficiente para absorver todo o excedente renovável, especialmente em períodos de baixa demanda ou em regiões afastadas dos principais polos de consumo digital. A própria ABSOLAR reconhece que a solução passa por um conjunto de medidas, incluindo armazenamento, planejamento integrado e incentivos à indústria eletrointensiva de baixo carbono.

## O que ainda não se sabe: incertezas e próximos passos

![Diagrama conceitual explicando o fenômeno do curtailment e a solução dos data centers para absorver energia excedente.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post46992-img3-meio-2.webp)

Fluxo do fenômeno do curtailment e como a instalação de data centers pode reduzir o desperdício de energia renovável no Brasil. O cenário traçado pela ABSOLAR aponta para oportunidades, mas também para incertezas significativas. Ainda não está claro como o governo federal irá regulamentar o Redata, nem se os incentivos propostos serão suficientes para atrair data centers em escala relevante. O sucesso dos leilões de baterias dependerá da definição das regras de custeio e da redução da carga tributária, pontos que permanecem em aberto.

Outro ponto em aberto é a capacidade do setor elétrico de expandir rapidamente as redes de transmissão e distribuição para acomodar novas cargas e evitar gargalos regionais. Sem planejamento integrado, há risco de que investimentos em renováveis e em infraestrutura digital avancem em ritmos desalinhados, perpetuando o desperdício de energia e limitando a competitividade do Brasil no cenário global de tecnologia e sustentabilidade.

Para empresas e gestores públicos, a principal incerteza é como alinhar decisões de investimento em infraestrutura digital com a disponibilidade real de energia renovável e com a evolução da regulação. Oportunidades existem, mas o risco de apostar em locais ou projetos sem garantias de fornecimento estável e previsível é alto.

## Implicações para empresas: infraestrutura, custo e decisão de investimento

Para organizações que dependem de infraestrutura digital robusta, como data centers, provedores de nuvem e operações industriais automatizadas, o debate sobre curtailment e atração de grandes consumidores de energia renovável tem consequências diretas. A disponibilidade de energia limpa e barata pode ser um diferencial competitivo, mas só se vier acompanhada de redes elétricas confiáveis e de segurança regulatória.

No contexto de Manaus e do Polo Industrial da região, a discussão ganha contornos ainda mais estratégicos. Empresas locais enfrentam desafios históricos de conectividade e custo energético, agravados por limitações na infraestrutura de transmissão. A eventual chegada de data centers de grande porte pode impulsionar a demanda por redes de fibra óptica de alta capacidade, mas também pressionar ainda mais a necessidade de planejamento integrado entre energia e telecomunicações.

Em última análise, a decisão de investir em infraestrutura digital no Brasil dependerá menos do potencial bruto de geração renovável e mais da capacidade de garantir fornecimento estável, previsibilidade regulatória e integração entre energia e conectividade. Para quem gerencia operações críticas, o risco de interrupção ou de custos inesperados permanece elevado enquanto as soluções propostas não saírem do papel.

![Executivos reunidos discutindo estratégias para energia renovável e infraestrutura em ambiente corporativo.](https://upnetix.com.br/wp-content/uploads/2026/10/post46992-img4-fechamento.webp)

Executivos e especialistas discutem avanços regulatórios e investimentos em infraestrutura para atrair data centers e expandir energia renovável no Brasil. O avanço dos data centers como consumidores estratégicos de energia renovável no Brasil depende de um alinhamento raro entre regulação, infraestrutura e demanda real. Enquanto a energia limpa continuar sendo cortada por falta de escoamento ou consumo, o país seguirá desperdiçando não só eletricidade, mas também oportunidades de liderar a transformação digital e sustentável da economia. Para quem decide, o próximo passo é avaliar, com rigor técnico, onde e como a infraestrutura local pode suportar operações que não podem parar.

Fonte: https://atlas.upnetix.com.br/absolar-propoe-data-centers-como-solucao-para-desperdicio-de/ · ATLAS, portal editorial da Upnetix (Manaus, Brasil) · uso com citação obrigatória.
