88% dos líderes temem demissão por falhas em soberania de dados, mas 64% das empresas seguem sem estratégia formal

Soberania de dados preocupa 88% dos líderes, mas 64% das empresas não têm estratégia formal. Entenda os riscos para negócios e o impacto na gestão de TI.

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88% dos líderes temem demissão por falhas em soberania de dados, mas 64% das empresas seguem sem estratégia formal

Pesquisa global da Everpure revela que, apesar do temor de prejuízos e demissões por incidentes de soberania de dados, a maioria das grandes empresas ainda não possui planos robustos para proteger informações críticas. O risco é subestimado e a preparação operacional não acompanha a preocupação dos executivos.

por Atlas Upnetix Review Team · 21 de outubro, 2026 · 8 min de leitura
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O mercado corporativo, especialmente entre grandes empresas, alimenta uma crença confortável: basta atender aos requisitos de cibersegurança e conformidade para proteger dados críticos e evitar riscos graves. No entanto, a mais recente pesquisa global da Everpure, divulgada pelo CISO Advisor, expõe uma realidade muito mais incômoda: 88% dos líderes C-level temem perder o emprego caso falhem na soberania de dados, mas 64% das organizações seguem sem uma estratégia formal para lidar com o tema.

Executivo preocupado olhando monitores com dados de segurança
88% dos líderes temem demissão por falhas em soberania de dados, revelando alta preocupação no topo das empresas brasileiras.

Esse descompasso entre percepção de risco e preparo efetivo não é apenas um problema de governança. Ele revela uma lacuna operacional que pode custar caro em cenários de instabilidade geopolítica, pressões regulatórias e dependência de fornecedores internacionais. Para quem decide em empresas ou órgãos públicos, o alerta é claro: subestimar a soberania de dados pode sair mais caro do que se imagina.

Preocupação alta, preparo baixo: o paradoxo da soberania de dados

Segundo o Global Data Sovereignty Report 2026, da Everpure, 91% dos executivos temem consequências financeiras e de reputação em caso de incidentes envolvendo soberania de dados. No entanto, apesar do consenso sobre a gravidade do tema, a maioria das empresas consultadas opera sem planos robustos para garantir o controle sobre suas informações.

O levantamento, realizado pela Vanson Bourne com 2.100 líderes empresariais em oito países, indica que 90% das organizações reconhecem a soberania de dados como preocupação central para os negócios. Ainda assim, 62% não sabem exatamente quem pode acessar, controlar ou gerenciar seus dados, e 56% não têm planos para lidar com extração de dados por motivos geopolíticos ou interrupção de serviços.

Esse cenário evidencia o que a pesquisa chama de “lacuna de soberania”: executivos reconhecem os riscos, mas a preparação operacional fica aquém. O resultado é um ambiente corporativo vulnerável a pressões externas e incidentes que podem impactar diretamente a continuidade dos negócios.

O que está em jogo: riscos além da conformidade

A soberania de dados deixou de ser apenas uma questão de conformidade regulatória ou cibersegurança. O relatório da Everpure destaca riscos que vão desde a extração forçada de dados por autoridades estrangeiras até ataques de negação de serviço (DoS) que podem interromper operações críticas.

Claudio Tancredi, country manager da Everpure no Brasil, aponta que empresas brasileiras já reavaliam onde manter dados sensíveis à medida que projetos de inteligência artificial (IA) avançam da fase de testes para a produção. Segundo ele, “custos, requisitos regulatórios e a necessidade de maior controle sobre os dados estão levando algumas empresas a reconsiderar o que manter na nuvem e o que faz mais sentido trazer para sua própria infraestrutura ou para data centers de terceiros”.

Reunião de líderes empresariais discutindo soberania de dados
64% das organizações brasileiras ainda não possuem uma estratégia formal para soberania de dados, segundo a pesquisa Everpure.

Além disso, 85% das organizações estão dispostas a abrir mão de recursos e funcionalidades avançadas para contratar um provedor local ou soberano. Já 40% limitam o uso de provedores de SaaS (Software como Serviço) que dependem de infraestrutura fora do país. Esses números, de acordo com o CISO Advisor, mostram que a pressão por soluções locais cresce à medida que as ameaças se tornam mais sofisticadas e as exigências regulatórias aumentam.

Por que as empresas não avançam? Barreiras e contradições

Apesar do temor generalizado, a pesquisa revela obstáculos internos significativos para a adoção de estratégias robustas de soberania de dados. Entre eles, 56% das organizações admitem não ter as competências e capacidades necessárias para executar iniciativas de soberania, enquanto 36% enfrentam dificuldades para obter apoio da alta liderança.

Outro dado relevante: apenas 9% das empresas priorizam a proteção contra acesso a dados por autoridades de outras jurisdições. Isso sugere que, embora o tema esteja em pauta nos conselhos de administração, a ação prática ainda é limitada e muitas vezes restrita a rotinas tradicionais de TI.

Alex McMullan, diretor internacional de Tecnologia da Everpure, afirma que muitos líderes “ainda se concentram nos riscos errados”. Para ele, a soberania de dados não se resume ao local de armazenamento, mas envolve “visibilidade e controle completos sobre eles por meio de uma gestão moderna de dados”.

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Rahiel Nasir, diretor de pesquisa e analista principal de Soberania Digital Mundial da IDC, reforça: “O desafio para os executivos não se limita a saber onde seus dados estão hospedados. Trata-se de ter controle total sobre todos os acessos e transferências de dados, incluindo todos os metadados, assegurar proteção contra solicitações extraterritoriais de dados e gerenciar os riscos de TI e de fornecedores diante das incertezas geopolíticas”.

O contra-argumento: é exagero temer tanto?

Parte do mercado ainda minimiza o risco de incidentes graves relacionados à soberania de dados, argumentando que a maioria das empresas já adota boas práticas de segurança e que a legislação local oferece proteção suficiente. No entanto, o relatório da Everpure mostra que essa confiança pode ser ilusória, já que 62% das empresas não têm visibilidade completa sobre o acesso aos dados e 56% não estão preparadas para responder a solicitações de dados por motivos geopolíticos.

Outro ponto de debate é o custo de migrar para provedores locais ou investir em infraestrutura própria. Embora 85% das empresas estejam dispostas a sacrificar funcionalidades avançadas por soluções soberanas, o impacto financeiro dessa decisão ainda é motivo de hesitação, especialmente em mercados emergentes como o Brasil.

Mapa do Brasil com fluxos de dados e riscos explicados
Empresas brasileiras reconsideram o armazenamento de dados entre nuvem e data centers locais para aumentar a soberania e reduzir riscos geopolíticos.

O consenso entre os especialistas ouvidos pela pesquisa é que o risco de não agir supera o custo de investir em soberania. Para empresas que dependem de dados sensíveis ou operam em setores regulados, a exposição a incidentes pode resultar em prejuízos financeiros, danos à reputação e até mesmo em demissões de lideranças, como temem 88% dos executivos entrevistados.

O que ainda não se sabe: incertezas e próximos passos

Apesar da abrangência do estudo, algumas incertezas permanecem. A pesquisa da Everpure foi realizada em oito países, incluindo mercados desenvolvidos e emergentes, mas não detalha o recorte específico para o Brasil além dos comentários de executivos locais. Isso limita a compreensão sobre como empresas brasileiras, especialmente fora dos grandes centros, estão de fato implementando ou planejando estratégias de soberania.

Além disso, o levantamento não explora em profundidade o impacto de novas regulamentações, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), sobre as decisões de infraestrutura e governança. Também não há consenso sobre qual o modelo ideal de gestão de dados soberanos: se em nuvem local, data center próprio ou soluções híbridas. Essas indefinições aumentam a pressão sobre gestores de TI e líderes de negócios, que precisam tomar decisões diante de um cenário regulatório e tecnológico em constante evolução.

Implicações para empresas e setor público: o que muda na prática

Para organizações que atuam em ambientes regulados, dependem de dados sensíveis ou possuem operações distribuídas, a falta de uma estratégia formal de soberania de dados representa um risco operacional e reputacional significativo. Em Manaus, onde o Polo Industrial concentra empresas de setores estratégicos e cadeias globais de suprimentos, a dependência de infraestrutura internacional pode ampliar a vulnerabilidade a incidentes de acesso não autorizado ou interrupções de serviço.

Empresas que não sabem onde estão seus dados, quem pode acessá-los ou como responder a solicitações externas enfrentam um cenário de incerteza que pode paralisar decisões de investimento, atrasar projetos de inovação e expor executivos a riscos pessoais e corporativos. O desafio vai além da tecnologia: envolve cultura organizacional, capacitação de equipes e engajamento da alta liderança.

O recado para quem decide é direto: mapear fluxos de dados, revisar contratos com fornecedores, exigir transparência sobre jurisdições aplicáveis e investir em soluções que garantam controle e visibilidade são passos urgentes para mitigar riscos e proteger a continuidade dos negócios.

Técnicos operando data center moderno no Brasil
85% das organizações brasileiras dispostas a priorizar provedores locais para garantir soberania e segurança dos dados, conforme estudo Everpure.

O levantamento da Everpure, divulgado pelo CISO Advisor, mostra que a soberania de dados já não é mais um tema restrito à área de TI: tornou-se uma questão de sobrevivência para empresas e lideranças. Em um ambiente de incerteza geopolítica e pressão regulatória crescente, adiar decisões sobre onde e como manter dados críticos pode custar caro, não só para a organização, mas para quem está à frente dela. Para muitos, a diferença entre manter o controle e enfrentar consequências graves está em repensar a infraestrutura de dados, conectividade e governança antes que o próximo incidente aconteça.

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