84% dos CIOs cancelam projetos de IA por limitações de sistemas legados, aponta pesquisa global

84% dos CIOs cancelam projetos de IA por limitações de sistemas legados, segundo pesquisa global. Entenda o impacto para empresas e a urgência de modernizar a infraestrutura.

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84% dos CIOs cancelam projetos de IA por limitações de sistemas legados, aponta pesquisa global

Estudo internacional revela que a maioria dos líderes de TI abandona iniciativas de inteligência artificial devido à infraestrutura obsoleta. O dado expõe riscos crescentes para empresas que subestimam a modernização tecnológica.

por Atlas Upnetix Review Team · 30 de setembro, 2026 · 10 min de leitura
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O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) no ambiente corporativo tem sido celebrado como inevitável. No entanto, um novo estudo global conduzido pela GFT Technologies, divulgado pelo portal TI Inside, revela uma realidade incômoda: a maior parte das empresas de grande porte ainda não está preparada para colher os frutos dessa transformação. Segundo a pesquisa, 84% dos CIOs e CTOs entrevistados em 19 países já cancelaram projetos de IA devido às limitações impostas por sistemas legados. O dado, que se refere a organizações com receita anual acima de US$ 500 milhões, coloca em xeque a crença de que basta investir em IA para garantir vantagem competitiva.

Reunião corporativa de CIOs e CTOs discutindo projetos de IA em sala moderna
Pesquisa global revela que 84% dos CIOs e CTOs cancelaram projetos de IA devido a limitações de sistemas legados, refletindo desafios reais enfrentados por líderes de tecnologia em grandes empresas.

O relatório, realizado pela Wakefield Research, aponta que a infraestrutura tecnológica obsoleta não apenas freia a inovação, mas também amplia riscos de segurança e compromete a escalabilidade das soluções de IA. A pesquisa ainda destaca o crescente ceticismo sobre o real retorno dos investimentos em IA, a pressão regulatória e geopolítica sobre fornecedores e o aumento do risco pessoal para líderes de tecnologia. O cenário desenhado sugere que a corrida pela IA pode se transformar em uma armadilha para empresas que negligenciam a base tecnológica necessária para sustentar a nova onda de automação e análise de dados.

Infraestrutura legada: o principal obstáculo à IA corporativa

O estudo da GFT Technologies, citado pelo TI Inside, evidencia que a infraestrutura legada é vista como o maior entrave para o sucesso das iniciativas de IA. Sistemas antigos, muitas vezes desenvolvidos para demandas de décadas passadas, não conseguem suportar o volume de dados, a velocidade de processamento e os requisitos de integração necessários para algoritmos modernos de IA. Como resultado, 84% dos líderes de TI afirmaram já ter sido obrigados a cancelar projetos ou pilotos de IA por conta dessas limitações.

O impacto não se restringe à inovação. Segundo o levantamento, 93% dos entrevistados acreditam que operar IA em sistemas legados sem modernização prévia pode desencadear uma crise de segurança em toda a empresa. Essa percepção indica que o risco não é apenas de ineficiência, mas de exposição a ameaças que podem comprometer dados sensíveis, operações críticas e a própria reputação da organização.

O consenso entre os executivos é que a lacuna entre a ambição em IA e a prontidão da infraestrutura precisa ser fechada para que o investimento em automação e análise avançada se converta em valor de negócio sustentável. Como afirmou Marco Santos, CEO Global da GFT Technologies, em declaração publicada pelo TI Inside: “Para muitas organizações, o legado de infraestrutura está se tornando uma verdadeira restrição, não apenas para a inovação, mas também para a segurança e a escalabilidade.”

Investimento em IA supera valor entregue: alerta de bolha

Outro ponto crítico levantado pela pesquisa é o descompasso entre o volume de recursos investidos em IA e o valor de negócio efetivamente gerado. De acordo com o estudo, 89% dos líderes de tecnologia manifestam preocupação de que os gastos globais com IA estejam crescendo mais rápido do que a capacidade da tecnologia de entregar resultados concretos. O temor de uma “bolha da IA” ganha força diante do número expressivo de projetos cancelados ou paralisados por falta de infraestrutura adequada.

Esse ceticismo não é trivial. Ele reflete uma mudança de percepção entre executivos que, até pouco tempo atrás, viam a IA como solução universal para problemas de produtividade, eficiência e inovação. Agora, cresce o questionamento sobre a real maturidade das empresas para absorver e escalar soluções baseadas em IA sem antes resolver gargalos estruturais. O risco é que o entusiasmo com a tecnologia acabe mascarando falhas de planejamento e levando a desperdícios significativos de recursos.

Data center antigo com equipamentos legados e infraestrutura tecnológica obsoleta
Sistemas legados, muitas vezes desenvolvidos para demandas de décadas passadas, não suportam os requisitos modernos da IA, levando 84% dos líderes a cancelarem projetos.

O estudo também destaca que apenas 20% dos demais executivos C-Level e membros do conselho compreendem plenamente os riscos de segurança associados ao uso de IA em sistemas legados. Ou seja, a maior parte das decisões estratégicas pode estar sendo tomada sem a devida avaliação dos riscos técnicos e operacionais envolvidos.

Pressão geopolítica e estratégia de fornecedores: dependência em xeque

O ambiente de IA corporativa não está imune às turbulências geopolíticas e regulatórias. Segundo o levantamento, 99% dos líderes de TI reconhecem que possíveis restrições governamentais ao acesso a modelos de IA aumentam a importância de não depender de um único fornecedor. O episódio envolvendo o governo dos Estados Unidos e a Anthropic, que resultou em restrições ao acesso aos modelos Mythos e Fable, é citado como exemplo das incertezas que podem afetar o planejamento tecnológico de grandes empresas.

Nesse contexto, 42% dos entrevistados afirmaram estar mais inclinados a construir infraestrutura de IA internamente, em vez de adquirir soluções prontas de fornecedores externos. A pesquisa mostra que essa preferência é ainda mais acentuada na América Latina e no México, onde metade das empresas opta por desenvolver internamente suas bases tecnológicas para IA. Por outro lado, a busca por parceiros externos para suprir lacunas de conhecimento e habilidades em IA é mais comum na região latino-americana (66%, frente a 49% globalmente), enquanto a EMEA (Europa, Oriente Médio e África) apresenta a menor propensão a esse tipo de parceria (43%).

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As diferenças regionais também se manifestam na escolha de fornecedores de IA baseados na China, com menor aceitação na América Latina e México (72%) e maior nos Estados Unidos e Canadá (79%). Esses dados sugerem que o contexto geopolítico influencia de maneira significativa as estratégias de adoção e integração de IA nas empresas, especialmente em setores críticos ou regulados.

Riscos pessoais e narrativas questionáveis: o peso da responsabilidade

O estudo revela ainda um aumento da pressão sobre os próprios líderes de tecnologia. Para 89% dos CIOs e CTOs, uma decisão equivocada relacionada à força de trabalho durante a expansão da IA pode colocar seus empregos em risco. Esse dado evidencia que o fracasso em entregar resultados ou em mitigar riscos de segurança pode ter consequências diretas para a carreira dos responsáveis pela área de TI.

Executivo de TI preocupado com riscos de segurança em projetos de IA
93% dos CIOs acreditam que operar IA em sistemas legados sem modernização pode desencadear crises de segurança, expondo dados e operações críticas a ameaças.

Além disso, 91% dos entrevistados acreditam que algumas empresas de capital aberto usam a IA como justificativa para mudanças na força de trabalho que, na verdade, visam principalmente elevar o valor de mercado das ações. Esse ceticismo em relação às narrativas corporativas reforça a necessidade de transparência e alinhamento entre discurso e prática, especialmente em projetos de automação que impactam diretamente pessoas e processos internos.

O cenário descrito pela pesquisa sugere que a pressão por resultados rápidos em IA pode levar a decisões precipitadas, tanto no âmbito técnico quanto no humano. O risco de responsabilização individual, somado à falta de compreensão dos riscos por parte do alto escalão, cria um ambiente propenso a conflitos e desalinhamentos estratégicos.

O que ainda não se sabe: zonas cinzentas da IA corporativa

Apesar do retrato detalhado oferecido pela pesquisa da GFT Technologies, algumas questões permanecem em aberto. O estudo, divulgado pelo TI Inside, não detalha quais setores ou tipos de projeto de IA são mais afetados pelas limitações de infraestrutura legada, nem especifica os principais gargalos técnicos enfrentados (como armazenamento, processamento, conectividade ou integração de dados). Também não há informações sobre o custo médio dos projetos cancelados ou o impacto financeiro dessas decisões para as empresas.

Outro ponto em aberto é a velocidade com que as organizações estão conseguindo modernizar suas infraestruturas para viabilizar projetos de IA. Embora o relatório aponte uma tendência de internalização da infraestrutura, especialmente na América Latina, não há dados sobre o sucesso dessas iniciativas ou sobre os desafios específicos enfrentados em cada região. Por fim, a pesquisa não aborda como empresas de médio porte ou de mercados emergentes, como o Polo Industrial de Manaus, estão se posicionando diante desse cenário global.

Implicações para empresas: infraestrutura como pré-requisito estratégico

Para empresas brasileiras e, em especial, para organizações do Polo Industrial de Manaus, o alerta é claro: sem uma infraestrutura tecnológica moderna, projetos de IA tendem a fracassar antes mesmo de sair do papel. O dado de que 84% dos CIOs já cancelaram iniciativas de IA por limitações de sistemas legados não pode ser ignorado por quem busca competitividade, eficiência e inovação. O risco de investir em soluções avançadas sem garantir a base tecnológica adequada é duplo: além do desperdício de recursos, há o perigo real de exposição a falhas de segurança e interrupções operacionais.

O desafio é ainda maior em regiões onde a conectividade, a disponibilidade de mão de obra qualificada e a integração entre sistemas são historicamente mais complexos. Para empresas que dependem de operações contínuas, como indústrias, centros logísticos e órgãos públicos, a decisão de modernizar a infraestrutura não é mais uma questão de escolha, mas de sobrevivência no cenário digital. A pressão por resultados rápidos em IA, somada ao risco de responsabilização pessoal dos líderes de TI, exige planejamento rigoroso, avaliação de riscos e, sobretudo, investimentos direcionados à atualização de redes, servidores, armazenamento e conectividade empresarial.

Gráfico de barras mostrando 84% de cancelamento de projetos de IA e 89% de preocupação com retorno de investimento
Dados da pesquisa global indicam que 84% dos projetos de IA são cancelados por limitações de sistemas legados e 89% dos líderes temem que investimentos em IA superem o valor gerado.

Em última análise, o estudo divulgado pelo TI Inside deixa um recado contundente para quem decide em empresas e no setor público: a corrida pela IA só fará sentido para organizações que tratam a infraestrutura como prioridade estratégica. Ignorar essa condição pode custar não apenas projetos cancelados, mas também a segurança, a reputação e a sustentabilidade do negócio no médio e longo prazo.

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